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<title>No Mundo</title>
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<modified>2008-07-04T19:49:18Z</modified>
<tagline>&quot;Com um grande sinal de Não Fumar atrás dele, Ravelstein acendia cigarros com a sua chama Dunhill enquanto perorava, dizendo Se abandonarem a sala porque odeiam o tabaco mais do que amam as ideias, ninguém sentirá a vossa falta.&quot;
Saul Bellow, Ravelstein 
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<copyright>Copyright (c) 2008, CMF</copyright>
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<title>Requiem</title>
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<summary type="text/plain">All photographs are memento mori. Susan Sontag, On Photography Joel-Peter Witkin, Self-portrait A imortalidade, da imagem, inscreve-se na prata, mas a mortalidade do indivíduo revela-se aos olhos do observador. É a fotografia como veículo para enfrentar a morte, como um...</summary>
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<![CDATA[<p><em>All photographs are memento mori</em>.<br />
Susan Sontag, <em>On Photography</em></p>

<div align="center"><img alt="SelfP.JPG" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/SelfP.JPG" width="350" height="400" /></div>
<div align="center">Joel-Peter Witkin, <em>Self-portrait</em></div>

<p>A imortalidade, da imagem, inscreve-se na prata, mas a mortalidade do indivíduo revela-se aos olhos do observador. É a fotografia como veículo para enfrentar a morte, como um espelho para a nossa própria finitude. Mas, dependendo da proximidade do assunto retratado, o sentimento perante a Imagem é distinto.</p>

<div align="center"><img alt="mapplethorpe-self.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/mapplethorpe-self.jpg" width="315" height="400" /></div>
<div align="center">Robert Mapplethorpe, <em>Self-portrait</em></div>

<p><a href="http://www.mangofalls.com/"target=blank>Nestas fotografias</a>, um fantástico projecto que pretende resgatar “kodachromes” esquecidos em máquinas fotográficas que esperam por um comprador nas prateleiras das lojas de segunda mão, vemos famílias distantes, rostos desconhecidos que o acaso juntou nas mãos de um coleccionador de imagens. São retratos que ficaram por colar nos álbuns, instantes afastados para sempre do olhar dos descendentes. Causam-nos curiosidade, talvez algum desconforto, e a vergonha da intromissão. E levantamos questões. Que acontecimento, ou tragédia, terá levado ao esquecimento da película? Quem, daqueles que aparecem nestas imagens, ainda vive, e onde estão? Será legítimo espiar a vida alheia? Por outro lado, recuperar estas fotografias do esquecimento permite a esta gente desconhecida pisar o palco do mundo outra vez, talvez numa última oportunidade. Para muitos, é um acto involuntário <em>post mortem</em>.</p>

<div align="center"><img alt="20061112224233_smooth-operator.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/20061112224233_smooth-operator.jpg" width="450" height="330" /></div>
<div align="center">(www.mangofalls.com/)</div>

<p>Outras imagens podemos encontrá-las num baú, numa qualquer feira da ladra, e então tentamos animá-las com um último sopro de vida, reciclá-las, vesti-las com outros traços. A ecologia da fotografia: aproveitar o que já está feito; o mundo está repleto de imagens.  E, mais uma vez, damos o protagonismo aos desconhecidos.</p>

<div align="center"><img alt="Publicación1.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/Publicaci%F3n1.jpg" width="500" height="167" /></div>
<div align="center">Carlos M. Fernandes, <a href="http://carlosmfernandes.com/index_archivos/Page358.htm"target=blank><em>Pherographia </em></a>- <a href="http://carlosmfernandes.com/index_archivos/Page670.htm"target=blank><em>Drawing by Ants</em></a></div>

<p>Finalmente, há aquelas que nos estão muito próximas, e que, mais do que um vislumbre do Fim, nos oferecem um prolongamento da vida, no sentido do passado, até existências que se cruzam com a nossa, formando uma cadeia de afectos da qual somos agora os fiéis depositários.</p>

<div align="center"><img alt="r1.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/r1.jpg" width="450" height="293" /></div>

<p><br />
<div align="center"><img alt="r.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/r.jpg" width="180" height="180 /></div><br />
</div></p>

<div align="center"><img alt="11c.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/11c.jpg" width="281" height="289" /></div>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>Quia in Inferno Nulla Est Redemptio III</title>
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<modified>2008-07-03T02:17:29Z</modified>
<issued>2008-07-02T04:09:08Z</issued>
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<summary type="text/plain">Europe is fading. After falling from the cultural burst of the 19th century’s Mitelleuropa directly into Inferno, western Europeans covered themselves with a veil of delusion which is now revealing to be only a drag, stretched enough just to cover...</summary>
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<dc:subject>Fotografia</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Europe is fading. After falling from the cultural burst of the 19th century’s <em>Mitelleuropa </em>directly into Inferno, western Europeans covered themselves with a veil of delusion which is now revealing to be only a drag, stretched enough just to cover the shame, and unable to protect them from a changing world. Convinced they found the secret way to prosperity and peace, inebriated by Bismarck’s legacy, and overlooking (sometimes even denying) the flames of Hell that were still burning on the other side of the curtain, they believed in a new life after WWII, mentally away from the dreadfulness witnessed by the world during the first half of the century. In a quasi-religious manner, they still eager for an Eden, an earthly reward for all that former suffering. However, history never ends, and those who prefer to ignore this fact engage in an existence on the edge of oblivion. </p>

<p>It’s true that the western civilization barely survived the widespread paranoia that almost destroyed it within a century and it’s not easy to deal with that. Wherever we look, there are signs or memorials to assure us that the scars are not forgotten neither healed. Those could be the perfect altars for the Memory, but the European man insists on living in the present. He has no past; he refuses to look over his shoulder, maybe fearing that at the same time he will be facing the future. And there is no comfort in the modern efforts of association, because it reminds us some (not so) ancient catastrophes sustained by bureaucracy and centralization.  </p>

<p>What may be the problem with Europe, what is giving rise to this long romantic opera’s <em>libretto </em>(if not Romanticism itself)? Is its past a burden too heavy to hold?, not only its dark history but also its glorious achievements? What is left for a culture that already nourished Mozart’s <em>Jupiter</em>, Beethoven’s <em>Seventh </em>and Wagner’s <em>Ring</em>? As Lou Reed puts it (with a pessimism and humility so rarely seen in the pop environment, with all its celebration of the lower culture and refusal of higher standards): <em>you can’t be Shakespeare and you can’t be Joyce, so what is left instead?</em> There’s not much left, indeed. To worsen the situation, Europe collapsed from hysteria and then fell on the last inner circle of Hell. And, once in Hell, there is no redemption. <em><a href="http://carlosmfernandes.com/index_archivos/Page345.htm"target=blank>Quia in Inferno nulla est redemptio</a></em>. That, above all, is Europe’s tragedy.</p>

<p><br />
<div align="center"><img alt="Budapeste 2.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/Budapeste%202.jpg" width="400" height="400" /></div><div align="center">Carlos M. Fernandes, <em>Budapest</em></div></p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em><br />
</p>]]>

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<title>O Iluminado</title>
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<modified>2008-06-30T17:50:02Z</modified>
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<summary type="text/plain">&quot;É altura de a Europa apostar nos carros eléctricos&quot;, disse o primeiro-ministro. Ah, pronto, se ele o diz deve ser verdade! Afinal, toda a gente sabe que é da cabeça destes iluminados, formados a preceito nos gabinetes da burocracia, que...</summary>
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<dc:subject>Sociedade</dc:subject>
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<![CDATA[<p><a href="http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1334001&idCanal=57"target=blank>"É altura de a Europa apostar nos carros eléctricos", disse o primeiro-ministro</a>. Ah, pronto, se ele o diz deve ser verdade! Afinal, toda a gente sabe que é da cabeça destes iluminados, formados a preceito nos gabinetes da burocracia, que vêm as grandes ideias do “progresso” científico. Veja-se o caso dos bio-combustíveis, esse investimento inadiável, esse desígnio da humanidade! E ainda se lembram de uma recente “grande ideia” europeia, criar um motor de busca, com investimentos públicos, para combater a hegemonia do Google?<br />
A mesma notícia diz: <a href="http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1334001&idCanal=57"target=blank>Com a pressão da escalada dos preços do petróleo, as tecnologias de energia potencialmente mais limpas, como a electricidade, tornaram-se mais atractivas. Contudo, para acelerar a resolução dos problemas com que esta tecnologia ainda se debate até chegar à sua industrialização, o sector necessita não só de grandes volumes de financiamento mas de políticas públicas de incentivo.</a> Mais atractivas, mas ainda dependentes do dinheiro público? Que as empresas estendam a mão aos Estados não me surpreende nem me choca. Fazem apenas o seu papel, jogam com todas as peças que estão no tabuleiro. O que devia ser alvo de revolta popular é a forma como sucessivos governos dispõem do dinheiro dos contribuintes com se este não fosse o fruto do seu trabalho, extorquido para alimentar uma máquina que não dá sinais de redução de despesa. Mas a Europa, criada na cultura da subsidiodependência, e embora definhando à vista desarmada, recusa encarar a realidade, preferindo distorcê-la e culpar um tal de “neoliberalismo” (que ninguém sabe muito bem o que é, muito menos num continente dominado pelo socialismo) por todos os males que nos assolam. Há muita gente a precisar de lições de Economia. E de História, já agora…</p>

<p>(<a href="http://dn.sapo.pt/2008/06/21/opiniao/o_carro_electrico.html"target=blank>Leitura complementar</a>.)</p>

<p>P.S. A mais recente diabrura dos governos europeus foi denominada como a “taxa Robin dos Bosques”: mais um imposto sobre os lucros das petrolíferas. Não sei se deva lamentar o hipotético défice de cultura dos líderes dos governos europeus, ou a conjectura, mais plausível, de que nos tomam por parvos. Relembro os mais desatentos que Robin dos Bosques combatia a tirania fiscal do príncipe João. O Robin dos Bosques não cobrava impostos, combatia a sua cobrança. Roubava aos ricos, sim, mas neste caso “o maior rico” é o Estado, gordo e vicioso até à náusea. Façamos todos de Robin, e roubemos o Estado através da única arma que nos resta: a fuga fiscal.</p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em><br />
</p>]]>

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<title>Quia in Inferno Nulla Est Redemptio II</title>
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<issued>2008-06-28T13:42:59Z</issued>
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<summary type="text/plain">A Alemanha, 10 anos após o advento da pequena religião, estava transformada num monte de ruínas. As bibliotecas, os palácios, as universidades, o casco medieval dos burgos, mais as catedrais, os laboratórios, os hospitais, as estações, os aeroportos - tudo...</summary>
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<dc:subject>Fotografia</dc:subject>
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<![CDATA[<blockquote>A Alemanha, 10 anos após o advento da pequena religião, estava transformada num monte de ruínas. As bibliotecas, os palácios, as universidades, o casco medieval dos burgos, mais as catedrais, os laboratórios, os hospitais, as estações, os aeroportos - tudo o que fazia da Alemanha a maravilha de uma Europa antiga mas actuante e na vanguarda do pensamento, das artes e da ciência, acabou.
Faz hoje 67 anos que a Europa se suicidou.</blockquote>
<a href="http://combustoes.blogspot.com/2008/06/faz-hoje-67-anos-que-europa-se-matou.html"target=blank>Miguel Castelo-Branco</a>, no blogue <a href="http://combustoes.blogspot.com/"target=blank>Combustões</a>

<p><br />
<div align="center"><img alt="Cracovia 58-11b.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/Cracovia%2058-11b.jpg" width="400" height="394" /></div><div align="center">Carlos M. Fernandes, <em>Cracóvia</em></div></p>

<p><a href="http://carlosmfernandes.com/index_archivos/Page345.htm"target=blank>Quia in Inferno Nulla Est Redemptio</a></p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>Receitas do Sul</title>
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<summary type="text/plain">Ervilhas com Ovos é um dos pratos mais conhecidos da gastronomia algarvia, a melhor de Portugal. Ervilhas e ovos, como dita o nome, um pouco de carne (entremeada, toucinho, enchidos), e ervas frescas. Simplicidade e perfeição: o que fazer perante...</summary>
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<dc:subject>Gastronomia</dc:subject>
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<![CDATA[<p><em>Ervilhas com Ovos</em> é um dos pratos mais conhecidos da gastronomia algarvia, a melhor de Portugal. Ervilhas e ovos, como dita o nome, um pouco de carne (entremeada, toucinho, enchidos), e ervas frescas. Simplicidade e perfeição: o que fazer perante esta evidência? Reflectir um pouco, apurar e separar sabores e dar outra roupagem à receita, tudo isto sem a adulterar. Aqui está o resultado:</p>

<div align="center"><img alt="Ervilhas2.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/Ervilhas2.jpg" width="400" height="270" /></div>
<div align="center">Carlos M. Fernandes</div>

<p>Do lato esquerdo temos o creme de ervilhas: os grãos triturados com a água da cozedura e com alguns ramos de coentros, bem frescos, para começar a compor o <em>bouquet</em> (o cheiro, sempre importante em qualquer prato, é, neste, personagem principal). No meio, a entremeada, o chouriço de carne (de Barrancos, sempre) e o toucinho fumado, fritos num refogado, ao qual foi acrescentado poejo e um pingo de vinagre de Jerez. Ao lado, o ovo “escalfado” de Arzak, cozido em vapor dentro de película aderente, com um fio de azeite para não colar (um azeite de trufas dá a este prato um último toque de "terra", um aroma sublime, a cereja no topo do bolo), flor de sal, pimenta branca, coentros e salsa. Um ramo de poejos para decorar o prato, e já está! Bom proveito.</p>

<p>Como entrada, pode ser servida <a href="http://no-mundo.blogspot.com/2007/09/cozinha-algarvia-amijoas-da-ria-de.html"target=blank>esta variante</a> da tradicional receita de amêijoas. Com bichos da Ria Formosa e pão algarvio, claro, porque substitui-los é pecado!</p>

<div align="center"><img alt="Ameijoas1b.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/Ameijoas1b.jpg" width="320" height="240" /></div>
<div align="center">Carlos M. Fernandes</div>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>Quia in Inferno Nulla Est Redemptio I</title>
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<modified>2008-06-23T16:46:14Z</modified>
<issued>2008-06-23T16:38:22Z</issued>
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<summary type="text/plain">O narrador de Austerlitz representa o europeu de hoje, paradoxalmente esmagado pela insustentável falta de memória dos países europeus. Na Europa actual, o tempo não fluí normalmente entre o passado, o presente e o futuro. Vive-se um presente perpétuo sem...</summary>
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<dc:subject>Fotografia</dc:subject>
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<![CDATA[<blockquote>O narrador de <a href="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/109373.html"target=blank>Austerlitz</a> representa o europeu de hoje, paradoxalmente esmagado pela insustentável falta de memória dos países europeus. Na Europa actual, o tempo não fluí normalmente entre o passado, o presente e o futuro. Vive-se um presente perpétuo sem ligação ao passado. E sem esse ponto de referência vital, o passado, a Europa fecha-se numa espiral ensimesmada. O vórtice desta espiral é, claro, a amnésia voluntária.</blockquote>
<a href="http://atlantico.blogs.sapo.pt/1628705.html"target=blank>Henrique Raposo</a>, no <a href="http://atlantico.blogs.sapo.pt/"target=blank>blogue da Atlântico</a>

<p><br />
<div align="center"><img alt="Berlim 3.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/Berlim%203.jpg" width="400" height="400" /></div><div align="center">Carlos M. Fernandes, <em>Berlim</em></div></p>

<p><a href="http://carlosmfernandes.com/index_archivos/Page345.htm"target=blank>Quia in Inferno Nulla Est Redemptio</a></p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em><br />
</p>]]>

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<title>Un Regalito Para Mi II (ou, Tramado, pá!)</title>
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<modified>2008-06-21T14:43:07Z</modified>
<issued>2008-06-21T14:13:26Z</issued>
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<summary type="text/plain">Ireland, de Dorothea Lange. Primeira edição de 1996. Encontrado num alfarrabista da calle Gracia há cerca de dois meses. Irlanda. Dorothea Lange nasceu em Hoboken em 1895 e é um dos nomes incontornáveis da História da Fotografia. Da sua longa...</summary>
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<dc:subject>Fotografia</dc:subject>
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<![CDATA[<p><em><strong>Ireland</strong></em>, de Dorothea Lange. Primeira edição de 1996. Encontrado num alfarrabista da calle Gracia há cerca de dois meses. Irlanda.</p>

<div align="center"><img alt="51WE5T97YTL._SL500_AA240_.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/51WE5T97YTL._SL500_AA240_.jpg" width="240" height="240" /></div>

<p>Dorothea Lange nasceu em Hoboken em 1895 e é um dos nomes incontornáveis da História da Fotografia. Da sua longa e prolífica carreira destaca-se a participação no projecto de Roy Striker, integrado na <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Farm_Security_Administration"target=blank>Farm Security Admnistration</a></em>, e que almejava retratar uma América devastada pela grave crise dos anos 30 do século passado. Foi, com Lewis Hine e outros repórteres da primeira metade do século XX, precursora do humanismo que, mais tarde, marcou outros colectivos de fotógrafos, como a agência Magnum (humanismo que, na agência em causa, ficou irremediavelmente abalado pelo cinismo, e génio, de Martin Parr). Morreu em 1965.</p>

<p>(Walker Evans, o Grande, também passou pelo grupo FSA, mas por pouco tempo. Individualista, ciente do poder e originalidade da sua visão, não se adaptou às directrizes de Striker, que via o grupo como uma unidade sem lugar para a vontade própria dos seus membros. A fotografia de Evans sempre foi apolítica, mesmo quando, nalguns retratos feitos nos anos 30, muitos encontravam sinais de “denúncia”. É conhecida a história de Cuba: quando Evans foi convidado para ilustrar um livro do jornalista Carleton Beals, sobre a opressão política e a miséria que dominava a ilha, Evans perdeu-se nos encantos de Cuba, embriagou-se com Hemingway, e as suas imagens acabaram por retratar o exotismo, e não, como pretendia Beals, a pobreza do país.)</p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>Ya es una Leyenda</title>
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<modified>2008-06-17T13:17:26Z</modified>
<issued>2008-06-17T04:26:46Z</issued>
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<summary type="text/plain">O Nicolas, dono e senhor da magnífica taberna Sabugo, situada na calle Socrates e palco dos melhores presuntos e embutidos andaluzes, bem me avisou: José Tomás era o nome mais importante do cartaz do Corpus, imperdível. Pois era, e por...</summary>
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<dc:subject>Espanha</dc:subject>
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<![CDATA[<p>O Nicolas, dono e senhor da magnífica taberna <em>Sabugo</em>, situada na <em>calle </em>Socrates e palco dos melhores presuntos e <em>embutidos </em>andaluzes, bem me avisou: José Tomás era o nome mais importante do cartaz do Corpus, imperdível. Pois era, e por isso a casa já estava esgotada muitos dias antes da corrida. A escolha, forçada, foi outra, e perdemos uma faena quase perfeita. José Tomás levou, de Granada, três orelhas e um rabo, e saiu em ombros. <br />
José Tomás há muito que ameaçava a entrada na galeria do deuses. Transporta a aura das lendas. Marcou com cunho forte os anos noventa, triunfou em Madrid, saiu pela porta grande da <em>Maestranza </em>e da Monumental de Barcelona, mas em 2002 afastou-se das lides, e só regressou em 2007, para grande alegria e alívio dos seus admiradores, que não encontravam gáudio algum em sucessivas temporadas sem sua a presença. Chegou à Corpus de Granada com o estatuto em alta, talvez como o mais importante toureiro em actividade. Mas foi em <em>Las Ventas</em>, no passado dia 5, que José Tomás acedeu à tribuna dos mitos, com uma tarde que, contam os aficionados, é fronteira para <em>um antes e um depois</em> no toureio. O feito abriu noticiários e fez manchete dos jornais. <em><strong>Ya es una leyenda</strong></em>, clamava o <em>El País</em> no dia seguinte, na primeira página. Na difícil praça de Madrid alcançou aquilo que o público não via há mais de 30 anos: quatro orelhas e saída pela porta grande. Ontem, dia 15, voltou a <em>Las Ventas</em>, cortou três orelhas, mas desta vez foi colhido (e também por três vezes). Arrisca. O público não pede música, apenas silêncio. Sente-se a Morte. Desde o dia 5 de Junho, desde o marco que deixou em <em>Las Ventas</em>, José Tomás já não pertence apenas ao mundo dos vivos. Está algures num limbo, um corpo mortal que deixou já uma inscrição para a posteridade. E isso costuma pagar-se com a vida.</p>

<div align = "center"><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wWJthIwQkVg&hl=pt-br"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/wWJthIwQkVg&hl=pt-br" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"></embed></object></div>
<div align = "center">Las  Ventas, 5 de Junho de 2008</div>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>

<p><br />
</p>]]>

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<title>O Cobarde</title>
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<summary type="text/plain">Sócrates, o Cobarde. Um texto que diz tudo. (Quando me lembro do Sr. Sousa, chefe do governo português, vem-me sempre à memória, não sei porquê, um título de Musil: O Homem Sem Qualidades. Será possível coisa pior? Sim, uma das...</summary>
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<![CDATA[<p><a href="http://small-brother.blogspot.com/2008/06/scrates-o-cobarde.html"target=blank>Sócrates, o Cobarde</a>. Um texto que diz tudo. (Quando me lembro do Sr. Sousa, chefe do governo português, vem-me sempre à memória, não sei porquê, um título de Musil: O Homem Sem Qualidades. Será possível coisa pior? Sim, uma das grandes tragédias da existência é que a resposta a essa pergunta, seja qual for a circunstância, é afirmativa. Do outro lado não se vislumbra alternativa, e os acontecimentos dos últimos dias foram uma oportunidade perdida para se mostrar a diferença. A reacção da oposição à selvajaria nas estradas fez-me ter uma certeza. Mesmo que por uma qualquer razão eu esteja em Portugal nas próximas eleições legislativas, não voto. É um dever cívico. Não acredito em revoluções e penso que delas devemos fugir como o diabo da cruz. Mas até Edmund Burke concordaria comigo: o sistema está podre e tresanda.)</p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>Liebestod</title>
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<summary type="text/plain">Liebestod. Amor-Morte. Transfiguração. Lamento e Consumação. Ou, apenas, o final da mais sublime criação do Homem. Isolda morre (?), e a orquestra adormece o tema que acaba de, finalmente, revelar. Jessye Norman é Isolda, e Karajan dirige a orquestra. Carlos...</summary>
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<dc:subject>Música</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Liebestod. Amor-Morte. Transfiguração. Lamento e Consumação. Ou, apenas, o final da mais sublime criação do Homem. Isolda morre (?), e a orquestra adormece o tema que acaba de, finalmente, revelar.</p>

<p>Jessye Norman é Isolda, e Karajan dirige a orquestra.</p>

<div align="center"><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/REeTSwrlHBQ&hl=pt-br"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/REeTSwrlHBQ&hl=pt-br" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"></embed></object></div>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>O País Visto de Longe XV</title>
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<summary type="text/plain">Leituras fugazes deixam perceber o óbvio: são os mesmos, aqueles que nada dizem sobre o clima de ilegalidade e impunidade que se vive nas estradas de Portugal, e os que se encolerizam com as palavras do Presidente da República. Palavras!,...</summary>
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<dc:subject>Sociedade</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Leituras fugazes deixam perceber o óbvio: são os mesmos, aqueles que nada dizem sobre o clima de ilegalidade e impunidade que se vive nas estradas de Portugal, e os que se encolerizam com <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1331876"target=blank>as palavras do Presidente da República</a>. Palavras!, o alvo da <a href="http://atlantico.blogs.sapo.pt/1567162.html"target=blank>ASAE da linguagem</a>, a qual encontra em discursos a ilegalidade que nem sequer lobriga nos actos. Haja paciência.</p>

<p>(Pensei que os impostos serviam para financiar, entre outras instituições fundamentais de um Estado de Direito, a segurança interna. Afinal, pode servir para premiar os transgressores. Aguardemos.)</p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>Ciência</title>
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<summary type="text/plain">A página de investigação foi actualizada, de forma a reflectir melhor um prolífico ano de 2008. O excelente ambiente de trabalho que se vive por aqui explica, em grande parte, os resultados alcançados. Bom fim-de-semana. Carlos M. Fernandes, E.T.S., Granada,...</summary>
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<![CDATA[<p>A <a href="http://www.carlosmfernandes.com/index_archivos/Page629.htm"target=blank>página de investigação</a> foi actualizada, de forma a reflectir melhor um prolífico ano de 2008. O excelente ambiente de trabalho que se vive por aqui explica, em grande parte, os resultados alcançados. Bom fim-de-semana.</p>

<div align="center"><img alt="2-5b.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/2-5b.jpg" width="400" height="386" /></div>
<div align="center">Carlos M. Fernandes, <em>E.T.S., Granada, 2008</em></div>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>As Granadinas – Na Praça de Touros</title>
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<dc:subject>Espanha</dc:subject>
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<![CDATA[<p>A 21 de Maio de 2008, na praça de touros de Granada e durante a <em>feria </em>de Corpus Christi, larguei a última camada de pele de turista. O ciclo está fechado: Constitución, San Cecilio, Semana Santa, Las Cruces, Feria. Por vezes perguntam-me há quanto tempo vivo em Granada. Respondo, e de volta recebo, <em>ah, entonces ya eres granadino</em>! Sorrio, pela simpatia das palavras, mas desconfio do estatuto. Medir-se-á em tempo, o crédito acumulado e necessário para ganhar as chaves de Granada? Haverá um instante, ou uma epifania, que nos integre definitivamente na herança cultural e na estrutura humana da cidade? É pouco provável, mas a verdade é que, depois de entrar numa praça de touros andaluza, mais de vinte e cinco anos após a última corrida à qual assisti, me sinto agora mais confortável com a promoção: <em>ya eres granadino</em>! (O Peter, com quem partilho, quase todas as sextas, o balcão do <em>Finnegan’s</em>, dir-me-ia, <em>Miguel, please don’t be a granadino</em>! Mas a cultura britânica tem sempre esta tendência para a auto-segregação, mesmo naqueles que, como o Peter, falam fluentemente castelhano e estão plenamente integrados nos hábitos da cidade.)<br />
A festa começava longe da praça. Ao meu lado, enquanto esperava o autocarro, três mulheres vestidas a rigor carregavam sacos com bebidas. Fizemos a mesma viagem, rumo à praça de touros. Subindo a Isaac Albéniz, a multidão adensava-se. As imediações do recinto reluziam com a alegria das gentes, e parecia que toda a cidade se havia engalanado - eles com o chapéu e colete, elas com os fatos garridos e justos ao corpo - e juntado naquelas redondezas. Crianças e velhos, <em><a href="http://inciclopedia.wikia.com/wiki/Pijo"target=blank>pijos </a></em>e povo, iam entrando pelas diversas portas da arena, arrastando consigo os farnéis providenciais. O Juanlu comprava <em>pipas </em>(sementes de girassol) quando o avistei. Juntámo-nos ao seu irmão, o Manolo, e entrámos quando faltavam poucos minutos para o inicio do espectáculo. A casa não estava cheia. Não era o melhor cartel do Corpus, faltava-lhe a presença de El Fandi, faltava-lhe Jose Tomás. Mas nas bancadas a festa era gorda, desfilavam já os copos de uísque ou rum com coca-cola, e o vinho, claro! Nem o gelo faltava, saído das muitas arcas frigoríficas que entraram na praça levadas pelos aficionados. (O fumo é permitido, claro.) Os <em>bocadillos</em>, embrulhados em papel de alumínio, saíam dos sacos, mostravam-se aos famintos, e faziam-me duvidar da minha estratégia <em>de mãos a abanar</em>. Pedi as <em>pipas </em>ao Juanlu, para enganar a gula, e comprei uma cerveja a um homem que passava. A cortina subiu.</p>

<div align="center"><img alt="toros3.jpg" src="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/toros3.jpg" width="450" height="393" /></div>
<div align="center">Carlos M. Fernandes, <em>Granada, 2008</em></div>

<p>Alavante foi a estrela, pálida, da tarde. Na primeira faena arrancou um bom desempenho, apesar de enfrentar um touro difícil. Sem grandes arrojos, fez uma lide limpa e rematou sem hesitações. O público pediu duas orelhas e júri acedeu. Na sua segunda entrada, Alavante teve que lidar um touro mal picado. Durante os primeiros minutos cansou-o, para depois fazer a lide da tarde. Foi o momento mais belo da corrida. Infelizmente, o toureiro vacilou na hora de rematar. Matador que não abata o touro na primeira tentativa perde as graças do público. Os lenços brancos, que já estavam fora para pedir mais duas orelhas, voltaram para a algibeira. Notava-se algum desalento na praça. A seguinte e última lide sofreu do mesmo problema (não me consigo recordar do nome do toureiro). O touro foi bem tratado, mas o remate tardou, e tardou. Aquela que podia ter sido uma tarde de glória, deixou afinal um travo amargo. Por uma espada.<br />
Saímos da praça. As tabernas já rebentavam pelas costuras. Era hora de iniciar outro desporto granadino. O <em>tapeo</em>.</p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>O País Visto de Longe XIV</title>
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<issued>2008-06-05T15:26:13Z</issued>
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<summary type="text/plain">Leio a notícia, e agora já não são risadas que se soltam, mas um leve indício de raiva. A decisão de um tribunal de Lisboa proibiu a televisão pública de transmitir a 44ª corrida RTP durante a tarde, obrigando a...</summary>
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<![CDATA[<p>Leio <a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1331266"target=blank>a notícia</a>, e agora já não são <a href="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/418255.html"target=blank>risadas </a>que se soltam, mas um leve indício de raiva. A decisão de um tribunal de Lisboa proibiu a televisão pública de transmitir a 44ª corrida RTP durante a tarde, obrigando a transmissão a passar para as 22.30, com um aviso sobre a violência das imagens. É a velha tese sobre a barbárie das touradas. Entretanto, o país e a comunicação social deliram com o futebol, que, como se sabe, se joga sempre num ambiente sereno e onde impera a civilidade. Ironias à parte, a caricatura é inevitável: para os progressistas, os animais são mais importantes do que as pessoas. Insultem-se, matem-se uns aos outros, mas não piquem o bicho.</p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em></p>]]>

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<title>De Barry a Barack</title>
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<summary type="text/plain">Fernando C. Gabriel, agora no blogue da Atlântico. Ainda bem. Agora que o radicalismo político da teologia professada pela sua igreja e as intervenções públicas de Wright se revelam incómodas, Obama negou não três mas oito vezes o seu mentor...</summary>
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<dc:subject>Blogosfera</dc:subject>
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<![CDATA[<p>Fernando C. Gabriel, agora no blogue da <a href="http://atlantico.blogs.sapo.pt"target=blank>Atlântico</a>. Ainda bem.</p>

<p><a href="http://atlantico.blogs.sapo.pt/1534022.html"target=blank><blockquote>Agora que o radicalismo político da teologia professada pela sua igreja e as intervenções públicas de Wright se revelam incómodas, Obama negou não três mas oito vezes o seu mentor e repudia a sua filiação religiosa. Mas Obama não pode alegar que vinte anos foram insuficientes para perceber a proposta de auto-segregação contida no discurso religioso de Wright.</blockquote></a></p>

<p><em>Carlos Miguel Fernandes</em><br />
</p>]]>

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