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setembro 21, 2009
Fotografia em Budapeste

Passamos metade da vida distraídos. Vou a Budapeste desde 1997 e nunca reparei na Vintage Gallery, apesar de ter antes passado, e por várias vezes, na Magyar utca e no parque Karoly, a morada deste espaço dedicada à fotografia húngara, mesmo no centro da cidade. Na passada terça-feira visitei a galeria ao fim da tarde, vi a exposição de Lucien Hervé (1910-2007) — lá estavam as fotografias das obras de Le Corbusier (1887-1965), com quem o fotógrafo húngaro, nascido László Elkán, colaborou, de 1949 a 1965 — e falei com o director, Attila Pocze, que me ofereceu um catálogo de um surpreendente trabalho de Laszlo Káldor (1905-1963), exposto na galeria em 2002. Logo a seguir rumei ao Ludwig Múzeum, o que me custou uma longa jornada em três transportes diferentes, graças às obras da linha de eléctrico que percorre a marginal de Peste. Objectivo: a exposição de Robert Capa (até 11 de Outubro). Lá chegado, abatido por um longo dia e sem tempo para juntar a colecção permanente à visita, preferi a esplanada do museu, a dois passos do Danúbio.


No dia seguinte estive na Nessim Galéria, sita na Paulay utca, num dos meus bairros favoritos de Budapeste (entre a ópera e a sinagoga) e onde mais uma vez tive a sorte de pernoitar. O simpático director, Mihály Surányi, recebeu-nos com entusiasmo, falou-nos das fotografias do checo Ladislav Postupa (n.1929), que estão nas paredes da galeria desde 15 de Setembro, e apresentou-nos os trabalhos de alguns dos artistas representados pela casa. De dois deles, Ivo Přeček (n.1935) e Minyo Szert (n.1955), Mihály ofereceu-me os catálogos das suas últimas exposições (e tive o prazer de conhecer Szert, pois o fotógrafo estava na galeria nessa altura, um bom hábito que nem todos os artistas seguem). Talvez tenham nascido ali os alicerces de uma colaboração futura.


A etapa seguinte (e última) era a Casa da Fotografia Húngara. Sem uma exposição permanente, e com apenas uma mostra de fotografia astronómica (Space Imprints — Celestial Bodies and Phenomena), foi uma desilusão. Salva-se o edifício, construído em 1894 para o fotógrafo Manó Mai (1855-1917), com uma fachada revivalista e própria de outras paragens, e um estúdio de luz natural no último andar. Após uma rápida visita à interessante livraria, saí da Casa, sentei-me numa esplanada próxima, e preparei-me para desfrutar das últimas horas em Budapeste enquanto observava, invejoso, as pessoas a entrarem no Teatro de Ópera para assistir a Fidelio de Beethoven. Talvez um dia tenha o meu ano em Budapeste. Até lá, tenho que continuar com estas curtas visitas para manter viva uma longa relação.

Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às setembro 21, 2009 05:24 AM
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Comentários
Carlos, você nem chegou a ver a exposição do Capa finalmente? - Kati
Publicado por: Hungria Budapeste em novembro 1, 2009 10:55 AM
Não, não cheguei a ver a exposição. Era o último dia em Budapeste. Mas não estava em condições de apreciar...
Publicado por: CMF em novembro 6, 2009 02:42 AM