« Los Sanfermines | Entrada | Arte, Ciência e Música »
julho 17, 2009
O País Visto de Longe XXIII
Parece que a ASAE, essa “polícia” feroz que invade bares e restaurantes com atitudes grosseiras e metralhadoras nervosas, tem funcionado de forma ilegal. Esta é a cereja em cima de um bolo feito de abusos e trapalhadas e quem conhece o que eu escrevi sobre o assunto nos últimos dois anos vai perceber por que razão ainda não consegui parar de rir. Mas nada disto é surpreendente. Assistimos apenas a mais um episódio que resume um governo medíocre escondido por fachadas coloridas, deslumbrado com anúncios tão grandiosos como ocos e que não olha a meios para atingir os seus fins. No entanto, a táctica falhou e há fortes probabilidades de que no próximo dia 27 de Setembro as coisas mudem. O nervosismo dos seguidores do Querido Líder é um bom prenúncio, pois os ratos deixam-se facilmente seduzir pela música de um qualquer flautista, mas também são os primeiros a sentir o perigo e a abandonar o barco. E já se começam a ver os primeiros sinais de dissidência, a começar pelo candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Os charlatães podem até resistir alguns anos ao escrutínio dos cidadãos, mas acabam sempre a dar tristes espectáculos.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às julho 17, 2009 08:16 PM
Trackback Pings
TrackBack URL para esta entrada:
http://no-mundo.weblog.com.pt/privado/mt-tb.cgi/183029
Comentários
Olá Carlos! Há imenso tempo que não visito a blogosfera, ocupado que ando com afazeres profissionais e académicos (estou a preparar a minha dissertação de mestrado) e logo hoje ao ler-te não consegui resistir. Tens alguma razão no que tens vindo a escrever sobre a ASAE. Depois sobre o governo também partilho grande parte das críticas, mas eu que sou "obrigado" a ver o país de perto, permite-me que te diga: os ventos de mudança não abonam nada de bom, a alternativa que se prospecta em nada irá alterar as coisas, aliás, o caminho só poderá ser para pior - felizmente há, terá de haver e espero que haja alternativa, mas não a encontro no actual quadro partidário!
Por fim, apesar das "fragilidades legais" e possivelmente abusivas (pouco cuidadas, apressadas e sem cuidado jurídico-crítco) da criação da ASAE, digamos que como em muitas coisas o problema aqui foi o passar "do 8 para o 80", mas uma das poucas coisas boas que este governo fez, a par da aprovação da lei do tabaco foi precisamente a criação da ASAE!!!
Tudo de bom e goza bem essa bela cidade de Granada.
Publicado por: FBR em julho 23, 2009 07:07 PM
Fernando, o panorama político português está todo inclinado para a esquerda, infelizmente. Não me revejo em qualquer partido. Também já aprendi que em Portugal a frase "bater no fundo" nunca pode ser utilizada. Mas este governo foi a coisa mais ridícula que aconteceu nesta III República (e tinha concorrentes à altura), e é liderado por uma personagem muito pouco recomendável (no mínimo, mas não vale a pena dizer mais nada). Por isso, uma mudança é a única esperança (não é que me importe muito, pois só voltarei para Portugal se não tiver outra alternativa). Só para dar um exemplo: o Ensino Superior português é neste momento uma anedota da qual quero distância; não esquecer que Mariano Gago é o dono do ensino superior há 14 anos, com 3 anos de intervalo.
A ASAE foi o que foi. Uma "polícia" da hotelaria, prepotente, mal-educada e desrespeitadora de alguns princípios de um Estado de direito. O que poderia ter sido, ou que deveria ter sido, não sei. Apenas conheço os factos, os negócios arruinados, o clima de perseguição, o medo, e, finalmente, as conclusões do tribunal. Não sei se isto vai servir de lição. Pelo sim pelo não prefiro ficar em Espanha, onde há cães nas tabernas e bares, fumo, listas sem preços. Onde não se liga nada às leis das facas de diferentes cores, ao tamanho do azulejo, ou à forma como o azeite é servido na mesa. Apesar dos esforços dos progressistas, apesar da burocracia e do excessivo peso da administração, apesar dos abusos cometidos sobre os pequenos e médios empresários, apesar de querer imitar Portugal na questão do aborto (e estes "apesares" não abonam muito em favor da Europa), Espanha ainda é o último reduto de quem gosta de alguma liberdade e não tem qualquer apreço pelos tais modelos nórdicos, arrumadinhos e bem-comportados. O "engenheiro", com as suas ideias e visões para Portugal (coisas de engenharia social que metem medo a qualquer não-socialista) deu a estocada final num país moribundo, sem identidade. Receio que leve muitos anos a recuperar, e não sei se a identidade não será já irrecuperável.
Abraço.
Publicado por: CMF em julho 29, 2009 05:23 AM