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junho 08, 2009
O País Visto de Longe XXII
O ar de Portugal está mais respirável. Pouco, suponho, pois quando um em cada cinco eleitores escolhe partidos de extrema-esquerda, herdeiros de doutrinas criminosas e seguidores de algumas das figuras mais sinistras do século XX, não há motivos para festejar. Mas pelo menos já se vê a luz ao fundo do longo e escuro túnel “socratista”. Quatro anos de trapalhadas, impulsos totalitaristas, arrogância e despesismo podem não ficar impunes nas próximas eleições legislativas, ao contrário do que se pensava há um par de meses. Para já, a maioria absoluta parece ser impossível de repetir, e essa evidência deve ter deixado o “engenheiro” Pinto de Sousa à beira de um dos seus já célebres ataques de cólera e os seus fiéis súbitos em pânico. Depois de um primeiro-ministro chamado António Guterres, inepto e delapidador do erário público, aparece esta figura que, vinda das catacumbas da política, do mundo dos favores e compadrios, alia essas “qualidades” a uma enorme falta de respeito pelas regras democráticas e pela liberdade. Aos poucos, os portugueses vão aprendendo que a governação socialista é uma receita para o desastre económico e político.
É evidente que não existe no panorama português um partido que cative aqueles que, como eu, repudiam o paternalismo de Estado. Ao contrário do que muitas comparações disparatadas querem fazer crer, não há um clone de Margaret Tatcher pronto para salvar o país. Há apenas Manuela Ferreira Leite, liderando um partido social-democrata (não nos podemos esquecer da génese da social-democracia). No entanto, e tendo em conta o estado das coisas, pode ser um enorme passo em frente no sentido da liberalização da democracia portuguesa, e uma última esperança para um regime destroçado e descredibilizado pelo governo do PS. De qualquer forma eu prefiro manter-me ao largo, por muitos e bons anos. Em Espanha ou noutro sítio qualquer. Portugal é um lugar muito mal frequentado e não é uma barrela que o vai expurgar de todos os seus pecados.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às junho 8, 2009 02:40 AM
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Comentários
Carlos, vim aqui para contemplar o seu contentamento. Entretanto, continuo espantado como o Carlos, um criador inteligente, confunde política com religião.
Saúde.
Publicado por: Porfírio Silva em junho 8, 2009 04:29 PM
Sim, claro Porfírio. O Portugal de Sócrates é um esplendor, um paraíso na Terra. Os jornalistas não são pressionados, os magistrados não são pressionados, os contribuintes - sejam ou não cumpridores - não são perseguidos, tentou-se controlar o défice pelo lado da despesa, não foi criada uma espécie de polícia de todos os polícias (o que seria um grave atentado a um Estado de direito), já não se passam recibos verdes no Estado há muito tempo (ao contrário do que acontece nas empresas, esses cancros da sociedade), não se vetou uma lei - casamento entre homossexuais - para logo a seguir pegar no tema como ponto central da agenda, nunca houve crianças-figurantes nas acções de propaganda do governo (aliás, o governo não faz propaganda), não há processos comprometedores que desaparecem misteriosamente etc, etc. Sou eu que estou cego pela minha ideologia. Portugal está muito bem entregue!, para quê mudar? Tudo gente séria.
Desde 1995 Portugal é governado por socialistas, à excepção dos dois anos Barroso-Santana. Os resultados estão à vista: um mimo. Estamos à beira do abismo, por que não dar um passo em frente, como dizia o outro. Mais quatro anos de "engenheiro", é mesmo disso que precisamos, para então termos um país definitivamente modernizado e moldado pelas forças progressistas!
Publicado por: CMF em junho 8, 2009 04:45 PM
Esqueceste-te de referir, no teu comentário ao comentário do Porfírio, que também não há directores de assanhadas polícias de costumes que puxam do seu charuto escassos minutos depois da entrada em vigor de uma lei que proíbe tal acto (lei esta que não é aprovada por um primeiro-ministro que a concebe a pensar em todos os cidadãos menos nele próprio - pelo menos quando se encontra a 10 000 m de altitude...). E talvez mais algumas coisitas tenham ficado por dizer...
...por exemplo: como poderíamos ter um portátil 100% português, com esquemas dos circuitos impressos concebidos pelo próprio querido líder (há que reconhecer: de engenharia percebe ele), se não fôssemos o paraíso na Terra?
Mas convém não ter memória curta: e o consulado cavaquista, terá sido melhor? Dinheiro a entrar às pazadas no nosso cantinho à beira mar plantado, a ser distribuído sem critério, a fundo perdido, por uma legião de chico-espertos que o espatifaram em Ferraris e Mercedes. O estado monstro foi criado por Cavaco, que o passou já bem anafado ao Guterres (este último ainda insistiu em lhe dar uma última bolacha...).
Não culpes por isso as forças progressistas: culpa antes o clima, ou os genes.
Publicado por: Bruno em junho 8, 2009 07:36 PM
É verdade que o PSD, dada a sua ideologia-base, não é a alternativa ideal ao PS. Se é um estado gorducho aquilo que se pretende combater, o PSD pode não ser a melhor opção. No entanto, este governo ultrapassou todos os limites. Eu sei que estas palavras já não têm efeito, mas penso que mais fundo não se pode cair. (E se isso acontecer, pode ser o fim do regime; o que, se não fossem as convulsões com resultados imprevisíveis, até não seria mau de todo.). Nós sentimos que pior é impossível; sentimos nós, e sentem ainda mais aqueles que têm responsabilidades (sérias) na função pública (excepto aqueles que têm um cartão rosa, que parece ter o dom de distorcer a realidade). O cenário é mais do desolador, é medonho, e talvez um dia se conte a história completa deste governo e do que ele fez a Portugal (que já não era muito recomendável quando lhe chegou às mãos, claro).
Publicado por: CMF em junho 8, 2009 08:40 PM
Carlos, se no seu discurso tudo se reduz a certas forças políticas serem boas e certas outras serem más, e estar sempre tudo bem quando umas ganham e tudo mal em caso contrário, se tudo é sempre assim tão certamente e com exacta regularidade - não vale a pena fazer de conta que a sua apreciação da realidade resulta da ponderação de qualquer circunstância. Não resulta. Os seus textos são apenas deduzidos dos seus ódios de estimação. Sem surpresa nenhuma, em caso algum. Deve fazer muito mal à alma viver assim: tanto azedume sistemático deve certamente pagar-se com muita amargura. Mas, enfim, atendendo ao seu lado criativo, que eu até aprecio, tudo isso é bom: a amargura é a arma de muitos criadores. A dor recompensa com génio. Oxalá a si lhe caiba pelo menos essa dádiva.
Publicado por: Porfírio Silva em junho 8, 2009 09:54 PM
Lá está o Porfírio com a história do ódio e da amargura. É uma obsessão sua, já nem sei o que lhe diga.
E sim, há forças políticas boas e más. O socialismo não é bom ou mau de acordo com as circunstâncias: é sempre nocivo, as circunstâncias só podem atenuar os efeitos. E então? Se eu pensasse o contrário já faria parte dos "bons"? Pois, mas não penso. Gosto que me deixem em paz, gosto de ser dono da minha vida e assumir as minhas responsabilidades, e todos aqueles que pretendem tomar nas suas mãos parte dessa responsabilidade são um alvo "a abater". É uma mania que eu tenho.
Mas espanta-me (não, mentira, não me espanta nada) que as circunstâncias ainda façam o Porfírio crer na bondade do governo socialista. Suspeito que tudo o que foi referido nos comentários anteriores não seja relevante para a sua avaliação. Por isso pergunto: "...a sua apreciação da realidade resulta da ponderação de qualquer circunstância"?
(E a Manuela, como o Porfírio gosta de chamar, é um dos seus ódios de estimação?)
Publicado por: CMF em junho 8, 2009 10:24 PM