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junho 05, 2009

Paternalismo

Rigoletto de Verdi — aqui na versão de Kubelik (1964), com Renata Scotto no papel de Gilda e Fischer-Dieskau na pele do desditoso bobo da corte —, o retrato de uma personagem contraditória, que se move entre a sentimentos pouco nobres e um amor sem limites pela filha, um amor o que o leva a protegê-la de uma forma obstinada, quase doentia, após ser amaldiçoado por outro homem em fúria. No final, e apesar de todos os esforços de Rigoletto, Gilda morre nos seus braços. Para adensar a tragédia, a morte de Gilda é o resultado involuntário de um acto desesperado de Rigoletto, um pai supersticioso e vingativo que “apenas” queria proteger a filha de uma maldição.

Nota: esta ópera foi condicionada pela censura, por se recear um crime de lesa-majestade. Claro que hoje não se chamaria censura às exigências das autoridades austríacas. Regulação, talvez.

(Também aqui.)

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às junho 5, 2009 09:59 AM

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