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maio 15, 2009
Hárpias e Sereias
(Publicado há alguns dias no Insurgente.)
LA ADMINISTRACIÓN pública parece ajena a la crisis, al menos en lo que a contrataciones se refiere: en el último año, mientras casi 2 millones de trabajadores del sector privado se iban al paro, el Estado ha aumentado su nómina con 156.300 nuevos funcionarios. No sólo son más los empleados públicos, 3.029.500 en total, sino que se les ha subido el sueldo por encima del doble de la inflación, de manera que su remuneración costará en 2009 más de 120.000 millones de euros, duplicando lo que el Estado ingresará este año por IRPF. El 22% de los empleados en España pertenece ya al sector público, casi uno de cada cuatro, y en Extremadura ese porcentaje alcanza el 33,4%. A todo esto, ¿alguien ha notado como consecuencia una mejora de los servicios o de la atención al público?
Zapatero não vai desistir das suas receitas para o desastre, e só há eleições daqui a três anos! Não está sozinho, claro. A crise despertou um reflexo pavloviano de amplitude mundial, fê-los abrir o livro de Keynes, e agora não há quem o feche. Não aprenderam nada com a História? Será que nos aguentaremos, neste fio da navalha para onde fomos deslizando, até os factos esvaziarem a retórica socialista?, pois não há dúvida de que esta crise e as “soluções” avançadas podem ferir de morte o socialismo, desde que haja uma economia que resista, e desde que os abutres se mantenham lá no alto, de onde nos miram atentamente já há algum tempo. Pois é, eles rondam, ansiosos por liderar as massas, que há muito não se apresentavam tão doutrináveis. E não são apenas os fantasmas de Marx e seus cúmplices que nos atormentam. São também outros velhos cantos da sereia anti-capitalistas, irmanados num movimento que, no seu caminho para o que define como Bem Comum, esmaga qualquer sinal de individualismo. É um cliché: os extremos tocam-se, e em situações de crise podem tomar conta da situação. Políticas como as de Zapatero só vão piorar os estados das coisas, ao aumentar o fosso entre dois sectores da sociedade, os quais, para complicar tudo ainda mais, já não se agrupam de acordo com a cartilha da luta de classes. Agora, de um lado estão aqueles que vivem sob a asa protectora do Estado, com os seus direitos adquiridos e emprego para a vida, e do outro uma enorme multidão que engloba, entre diversos grupos descontentes, os pequenos empresários que agora (?) têm que sustentar o monstro, e os cidadãos cujos empregos vão sendo sacrificados nesta sangria de capital e produção. Para o Estado todo-poderoso, a maior ameaça pode vir do empresário cansado de ver o seu trabalho transformado em regalias para outrem. Para todos, o perigo vem dos novos-excluídos, que ainda não perceberam bem o que lhes passou, e que não estão muito abertos a reflexões sobre o equilíbrio entre liberdade e poder e a debates sobre a dimensão do Estado. Esperemos que os primeiros façam valer a sua força, antes que os segundos nos incendeiem as ruas.
Publicado por CMF às maio 15, 2009 02:51 AM
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Comentários
Após décadas de guerra e colapso económico, foi fácil, na Europa, o emergir do Estado-providência do pós-guerra, que teve a bênção, não nos esqueçamos, quer dos partidos da esquerda como da direita europeia. O medo e a incerteza, eram como que eliminados por esse Estado, que era visto como benfeitor e garante de todas as necessidades e hoje “abre-se novamente o livro” de John Maynard Keynes. Mas não foi preciso muitos anos para que o Estado-providência se revelasse ineficaz com muitas das empresas nacionalizadas a entrarem em colapso. Hoje, vivemos novamente no medo e insegurança e novamente se olha para o Estado, como o grande salvador - quem trabalha para o Estado não se inquieta com o ordenado no final do mês, bem diferente de quem trabalha por conta própria. Mas no mundo de hoje, a rapidez das mudanças, (em Agosto Trichet não ia de férias com receio da inflação, em Outubro o mesmo Trichet receava a deflação), é a principal causa de tamanha insegurança. Iludam-se os que vêem agora novamente o Estado como o salvador, porque o próprio Estado, aos primeiros sinais da crise, foi o primeiro a perder o controlo da situação, que claramente vemos, está longe de dominar.
Publicado por: Madalena Lello em maio 18, 2009 03:10 PM
Pois, o Estado-providência, na Europa, foi defendido por uma gama muito alargada do espectro político. É por isso que é complicado discutir um paradigma alternativo, discutir um reequilíbrio da papel do Estado e do individuo. Mesmo em Espanha, onde o PP costuma ir mais longe do que aquilo que estamos habituados a chamar "direita" em Portugal, há certos assuntos nos quais não se toca.
Publicado por: CMF em maio 19, 2009 12:51 AM