« Memória VI | Entrada | Páscoa »
abril 06, 2009
Poço sem Fundo
(Publicado também no Insurgente.)
O Origem das Espécies informa-nos que a Confraria do Pão acaba de ser proibida (pelo Tribunal do Redondo, depois de um auto da ASAE) de fabricar o seu famoso pão alentejano. Aqueles que sonham com uma Finlândia latina devem estar satisfeitos com mais este passo rumo ao paraíso esterilizado (o provincianismo do qual falava Pessoa “deslocou-se”, nas últimas décadas, de Londres e Paris para os “modelos escandinavos”). Eu já não me espanto com estas coisas porque Portugal transformou-se já há algum tempo num país pouco recomendável (porque é) governado por indivíduos pouco recomendáveis. Resta-me uma ingénua esperança: um dia, quando alguém ou algo puser um fim a esta loucura, gostava de ver certas pessoas a responder em tribunal por crimes de lesa-património, como aconteceria a um doido que destruísse o claustro do Jerónimos ou a Torre dos Clérigos. Mas receio que, nos tempos que correm, os juízos estejam reservados para quem se atreve a discordar do Querido Líder.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às abril 6, 2009 09:35 PM
Trackback Pings
TrackBack URL para esta entrada:
http://no-mundo.weblog.com.pt/privado/mt-tb.cgi/180690
Comentários
Quantas intoxicações alimentares terá provocado tal pão? Quantos ficaram na ruína? E os foram arrastados para uma vida delinquente? E com isso, quantas famílias destruídas? É incomensurável a dimensão do drama social…
Pena de morte para o pão alentejano! E queimem o pastel de nata em praça pública! Mil chibatadas para as queijadas de Sintra e prisão domiciliária para as brisas do Lis. Expulsem do país o queijo da serra e desterrem as tripas à moda do Porto!
É bom saber que em Portugal perseguem os verdadeiros criminosos…
Publicado por: Eduardo da Fonseca em abril 9, 2009 09:52 AM
As coisas em Portugal estão feias Eduardo, muito feias. A escumalha chegou ao topo do poder, e agora entretém o povo com pão e circo. O pior é que há muitos a aplaudir quando há gente a ser perseguida simplesmente por querer manter tradições. São, principalmente, “urbanos” que se julgam no centro do mundo. Nunca mexeram na terra e talvez por isso querem viver num mundo higienizado.
Publicado por: CMF em abril 11, 2009 05:58 PM