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março 24, 2009
Sobre Aqueles Que Pouco ou Nada “Servem”
As crises, nos países de cunho socialista, como Portugal, são particularmente devastadoras. A ilusão de igualdade, herdeira da infame Revolução Francesa, desfaz-se num ápice quando a economia estremece, e logo se revela a outra igualdade, a de Animal Farm (todos os animais são iguais, mas…). A sociedade divide-se então em duas classes: aqueles que vivem na sombra do Estado, e os outros, aqueles que, como se diz, vão fazendo pela vida, e que em muitos casos sustentam os vícios da outra metade. Pelo meio ficam alguns cidadãos, cada vez mais raros, que sempre perceberam e honraram as suas responsabilidades no “edifício” público. Não contam, pois rapidamente são engolidos pela avalancha. (Há ainda outros, aqueles que o sistema colocou entre a autonomia e o serviço público, que foram brindados com deveres sem nunca ter “os direitos”, e que servem o serviço público (!), inseridos numa espécie de meta-administração, ou parasitagem, se preferirem. Esses representam também um dos elos mais fracos.)
Dado este cenário deprimente, é melhor, para todos os que são arrastados, no início, para a margem, que a queda do sistema não seja amparada. Quando tudo arder, não haverá ninguém fora da arena onde se travarão os combates decisivos. A situação será particularmente cruel para aqueles que nunca entenderam bem o seu papel. Talvez nessa altura se arrependam de nunca terem reflectido, por exemplo, no facto do termo anglo-saxónico que designa a sua função ser public servers.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às março 24, 2009 01:04 AM
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Comentários
Olá Carlos,
Provável e infelizmente, os que muito pouco “servem” já terão reflectido sobre como não deixar que isto arda completamente, continuando a manter essa sombra do Estado. E tem seguido Portugal assim durante boa parte da sua história, de queimadela em queimadura, sem deixar reduzir-se às cinzas das quais renascer.
Abraço desde a Suiça,
Ed
Publicado por: Eduardo da Fonseca em março 24, 2009 06:32 AM
É verdade, mas se isto vai ao fundo mesmo, não sei se a coisa aguenta. Claro que se assim acontecer, não é bom para ninguém. É um problema, é um grande problema. E temo que não há forma de o resolver sem pôr isto "tudo a arder". (Aqui em Espanha, vamos com um ano de crise e já há indícios de um descontentamento - por parte dos trabalhadores autónomos e dos pequenos empresários - que pode acabar mal; e em Espanha isto é caso para nos preocuparmos muito, basta ver a sua História recente.)
um abraço
Publicado por: CMF em março 25, 2009 12:45 PM
Eh lá! Noto aqui uma impaciência mal contida: quase parece que, tal Nero granadino, serias tu a acender o primeiro fósforo se tal oportunidade te fosse facultada... E entre quais destes grupos te incluis? :-)
Abraço,
Bruno
Publicado por: Bruno em março 26, 2009 01:22 PM
Talvez ande com alguma vontade de brincar com o fogo, sim.
Agora não estou em nenhum grupo. Mas já estive naquele entre "parêntesis", como tu.
Publicado por: CMF em março 30, 2009 02:36 PM