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março 21, 2009

Fotografia e Utopia

Excertos dos textos que acompanham duas exposições de fotografia que se podem ver nesta altura em Lisboa.

(…) A exposição New Topographics: Photographs of a Man-Altered Landscape, na qual Robert Adams participou, ajudou a redefinir o documento fotográfico em relação à cidade, numa época em que a cidade se estava a converter num território parecido com o que vivemos hoje - a cidade neoliberal, privatizada. Eles começam a mostrar esta realidade no momento em que começou a acontecer. (…)

Jorge Ribalta, sobre a exposição Arquivo Universal - A condição do documento e a utopia fotográfica moderna (no CCB)

(Cidades neoliberais?, esta é nova…)

(…) Alexandr Glyadyelov, polaco de origem e ucraniano de alma, luta, através do seu trabalho como fotógrafo, para mostrar que nada mudou. A opressão continua na Grande Rússia. Povo endurecido pela revolução de 1917, massacrado durante a Segunda Guerra Mundial, privado de tudo durante os anos da Guerra Fria e a quem foi finalmente dada a ilusão de liberdade depois da queda do muro. (…) Alexandr Glyadyelov faz parte deste povo. Escolhe como sujeitos as crianças abandonadas das ruas de Kiev, os toxicodependentes de Odessa e os esquecidos nos gulagues siberianos do século XXI. (…)

Paulo Nozolino, sobre a exposição The Prison Within, de Alexandr Glyadyelov (em breve na Pente 10).

(Ficamos a saber que a Revolução de 1917 endureceu os russos. Mas não ficamos a saber nada sobre os massacres anteriores à Segunda Grande Guerra. Ah, mas ficamos a saber que os russos ficaram privados de tudo durante a Guerra Fria — e antes?, e que a queda do Muro não trouxe mais do que uma ilusão de liberdade. Fantástico.)

Publicado por CMF às março 21, 2009 05:42 PM

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