« six pieds sous terre tu frères encore | Entrada | Touros »
março 14, 2009
O País Visto de Longe XXI
(Publicado também no Insurgente.)
Leio e nem acredito. Dos deputados socialistas esperamos tudo. A sua fúria legisladora aliada ao pouco respeito que a Liberdade lhes merece não pode dar bons resultados. Mas o que não me deixa de surpreender é a passividade de uma das alas do panorama político português. Apenas cinco deputados votaram contra a proposta de lei do PS que pretende regulamentar a quantidade de sal no pão! Cinco! Portugal não é um país, é uma prisão.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às março 14, 2009 06:20 PM
Trackback Pings
TrackBack URL para esta entrada:
http://no-mundo.weblog.com.pt/privado/mt-tb.cgi/180128
Comentários
é triste a passividade da sociedade civil encara isto tudo... enfim, qualquer dia estamos todos a ir comer à cantina.
Publicado por: tiagogoncalves em março 15, 2009 03:45 PM
Carlos,
aproveito postar aqui para replicar à tua resposta ao meu comentário do teu post "Aceitamos" e acrescentar algo a esta tua externação... Esta questão do sal não reentra em qualquer fúria legislativa, mas apenas num desejo de regulamentar minimamente a actividade económica em Portugal, sempre que possível de acordo com os últimos estudos científicos.
Bem ou mal, importa fazer algo, melhor até mal - pois pode sempre aperfeiçoar-se - do que nada fazer.
Em Portugal não houve nenhum sistema socialista ou social democrata desde a famosa revolução de Abril, aqui o único caminho tem sido e foi o "caminho para a corrupção"!...
A uma primeira década de libertinagem seguiram-se vinte anos de impunidade, máfia e restauração do nacional porreirismo e do “Chico-espertismo”.
Apesar de me sentir incrédulo espero que algo se faça pela construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária.
À pacotilha liberal (normalmente representada em termos gráficos por uns escribas de imprensa ou senadores de cigarro na mão ou em reivindicação de mais uns Cohibas à mesa da refeição! …) de reivindicação de liberdade e direitos individuais oponho - sempre cada vez mais - a obrigação de deveres e respeito pela liberdade alheia. Mais solidariedade e menos egoísmo; mais respeito e menos libertinagem (e sim, curiosamente, é o que penso, essa libertinagem hoje não é advogada pelos udp's e mrpp's, mas sim pelos liberais democratas!!!).
Publicado por: FBR em março 24, 2009 04:03 PM
Regulamentar a actividade económica e não só, Fernando. Isso regulamenta também os comportamentos privados, as relações livres entre fornecedor-cliente, e isso é inaceitável. Pelo menos por qualquer pessoa que preze minimamente a responsabilidade individual.
Dizes que bem ou mal, importa fazer. Bem ou mal!! Aqui está o grande, enorme, problema. Pensar-se que o importante é fazer, mudar, "progredir". Não é! O Estado não pode ter poder para mexer desta forma - porque quer, porque é melhor fazer do que não fazer - na vida das pessoas. É por isso que eu digo que não vivemos numa democracia-liberal. Vivemos num Estado semi-socialista, no qual as eleições apenas servem para escolher até que ponto vão as políticas socialistas, progressistas, e, já agora, "gastadoras". O sistema socialista está lá, na Constituição. E está no espectro político, completamente inclinado para a esquerda. Resta-nos a desobediência civil, mas infelizmente, em Portugal, não há nem metade da garra espanhola (que por vezes também tem consequências nada agradáveis).
E qualquer conservador-liberal respeita a liberdade alheia. Porque preza a sua. Porque sabe distinguir esfera pública de esfera privada. O grande problema com Portugal e outros países latinas é que essas esferas não se distinguem. O indivíduo foi posto ao serviço do Todo, e esmagado. Num cenário desses, num cenário onde não existem "indivíduos", não existe responsabilização, e temos necessariamente corrupção, abuso de poder, compadrio.
Não há volta a dar. Isto só se resolve diminuindo o peso do Estado, e libertando a esfera privada dos indivíduos. Mas receio que nas próximas décadas vá ser impossível alcançar isso. É preciso, para além de lutar contra o poder instituído, contornar a cultura de subserviência. E como os conservadores-liberais não gostam de engenharias sociais, resta lutar apenas com uma arma: divulgação de ideias. E isso leva tempo. Claro que uma crise catastrófica pode ajudar, mas nessa altura a balança pode inclinar-se para muito lados, quase todos pouco recomendáveis.
Publicado por: CMF em março 26, 2009 11:10 AM