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fevereiro 14, 2009
A Crise
(Publicado no Insurgente.)
Tenho um amigo que nasceu no pueblo com a maior taxa de desemprego de Espanha. Disse-me ele que, até há pouco tempo, os seus paisanos recusavam empregos com salários a rondar os 1500 euros mensais (“limpos”). Preferiam ficar em casa a receber o subsídio de desemprego. As empresas (de agricultura, principalmente) tiveram então que recorrer a mão-de-obra estrangeira, mas com a crise a apertar as gentes começaram a reclamar os postos de trabalho e a apontar o dedo aos imigrantes. Muitos europeus merecem tudo o que lhes está a acontecer, e muito mais. Merecem também os governantes que têm, os quais insistem nas receitas do desastre.
Tenho uma amiga que trabalha numa das mais concorridas tabernas de Granada. No entanto, o sucesso não trouxe, à casa, imunidade à crise. Fala-se já em despedimentos, e a minha amiga, há poucos dias, trabalhou catorze horas seguidas devido a uma carência inesperada de pessoal. Fê-lo para dizer “presente”. Fê-lo para mostrar que numa situação de emergência podem contar com ela. Fê-lo para não estar na primeira linha dos despedimentos. A crise também tem as suas vantagens, e acordar os europeus da sua letargia é uma delas. Infelizmente, os funcionários públicos continuam a ser poupados às exigências de um mercado de trabalho sério, e cada vez mais se nota uma crispação e uma divisão clara na sociedade (espanhola, neste caso) que poderá ter consequências desagradáveis.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às fevereiro 14, 2009 01:02 AM
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Comentários
É natural que em alturas de crise a xenofobia atinja picos mais altos. Cá em Portugal vai eventualmente passar-se o mesmo, tendo em conta que muitos emigrantes do Leste e de África trabalham por menos de um salário mínimo. É a lei da selva, na escassez cada um tenta demarcar o seu território. Quem ganha são os patrões que aproveitam esta ocasião para ver quem trabalha por menos. Na minha opinião isso é exploração.
Abraços
Publicado por: Pc Alves em fevereiro 14, 2009 02:12 AM
"Cá em Portugal vai eventualmente passar-se o mesmo, tendo em conta que muitos emigrantes do Leste e de África trabalham por menos de um salário mínimo."
Neste caso que conto, o salário é muito mais elevado do que o "mínimo". Para além disso, esses estrangeiros desenvolveram competências nessas áreas, durante os último anos, que os nativos não têm neste momento.
Publicado por: CMF em fevereiro 14, 2009 02:20 AM