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janeiro 04, 2009

A Ideologia do Género

Já assisti a algumas defesas de teses de mestrado e doutoramento, mas apenas uma se pode classificar na categoria Ciência Sociais. No final da apresentação, um dos membros do júri, após despejar duas ou três banalidades que talvez tenham justificado a sua deslocação e, quiçá, algumas despesas, insurgiu-se contra a forma como o mestrando havia escrito as referências. Ao usar apenas a inicial do nome próprio, o aluno não permite perceber se o autor é um homem ou uma mulher (por exemplo, C. Fernandes pode ser Carlos Fernandes ou Carla Fernandes), disse o preocupado docente. Fiquei espantado com a caricata objecção e posterior argumento. Um membro da Academia a dar relevância ao sexo de um investigador!? Depois percebi. Não era uma questão de sexo. Estávamos perante um rematado seguidor da “ideologia do género”. Não deixa de ter piada, no entanto, que esta linha avançada do progressismo salte, sem rumo, entre diferença e igualdade, entre a necessidade de valorizar o trabalho de uma mulher apenas por ser mulher (porque era disto que se tratava), e a ânsia de esbater todas as disparidades e transformar homens e mulheres numa massa andrógina. Neste estranho caso das citações, a ordem era diferenciar (que é sinónimo de discriminar). Noutros, até a cor da fatiota das crianças é castradora, reaccionária e um instrumento para uma construção do género baseada no preconceito. O mundo, por vezes, é engraçado. Mas perde a piada quando percebemos que esta gente tem lugar de relevo na estrutura de ensino de um país.

Publicado por CMF às janeiro 4, 2009 11:46 PM

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Comentários

muito bom, C. Fernandes... ;)

Publicado por: tiago goncalves em janeiro 5, 2009 02:11 AM

:)

Publicado por: CMF em janeiro 5, 2009 06:59 PM

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