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setembro 20, 2008

Berlim, Café Adler

Lamento, mas a sugestão dada no texto anterior, ainda com os pés em Granada e a cabeça em memórias de outras viagens a Berlim, chegou tarde. O Café Adler fechou, e, dado o estado do local, não me parece que volte a abri no mesmo formato. Viajar é também um ensaio para a perda.
O Checkpoint Charlie está agora entregue ao circo do muro, às bancas com camisolas de Che Guevara e bandeiras comunistas. Suásticas não se vêem, claro. Na Europa, todos os símbolos do Terror são iguais, mas…

Berlim 75-03c.jpg
Carlos M. Fernandes, Berlin, 2007

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às setembro 20, 2008 12:32 PM

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Comentários

Amigo Carlos,

Na tentativa de perceber melhor esse paralelismo das práticas de terror, por parte das duas mais mortíferas ideologias do século XX, procurei visitar este Verão, em Budapeste, a Casa do Terror, edifício que serviu de sede da polícia política do partido pró-nazi húngaro e que, depois da chamada libertação da Hungria pelas tropas do Exército Vermelho, serviu igualmente, na perfeição, para sede da polícia política do regime comunista instalado no País, com a manutenção das edificantes práticas típicas destas duas polícias.

Infelizmente, demorei a localizar o edifício e, quando lá cheguei, passados alguns minutos das 18h00, já o Museu estava fechado.

Não pude assim, como gostava, apreciar os testemunhos das práticas de terror inspiradas por ideologias tão contrárias, apesar de os respectivos líderes, Hitler e Estaline, haverem um dia logrado bom entendimento, para conjuntamente se locupletarem com os territórios da Polónia e das Repúblicas do Báltico.

Apetece dizer : não há nada como a ganância saciada para ultrapassar divergências doutrinárias.

Em todo o caso, achei muito meritória a ideia de construir um Museu dedicado a comparar as práticas de terror por aquelas ideologias aparentemente opostas, nos fins perseguidos, mas muito semelhantes nos meios utilizados para os realizar.

Vinha então de Viena e Bratislava; segui depois para Praga. Regressei com a sensação de que também húngaros e checos nos irão brevemente ultrapassar, na Economia, na Cultura, na Ciência e no Social, se é que já não nos passaram mesmo a perna.

Aprende-se sempre com a realidade em frente dos olhos.

Um abraço

Publicado por: António Viriato em setembro 23, 2008 11:26 PM

António,
em Berlim, perto do Checkpoint Charlie, há um museu, ao ar livre, chamado Topografia do Terror. São as ruínas da sede das SS e Gestapo. Está a pouco metros do Checkpoint, onde o ambiente é leve, até alegre, onde os turistas fotografam e se deixam fotografar com um sorriso na cara. Toda a encenação (o posto, as fotografias dos últimos guardas, as lojas de recordações, e o museu do Checkpoint Charlie) produzida pela cidade está longe do ambiente lúgubre que se vive no Topografia. Aqueles dois quarteirões exemplificam bem a forma dicotómica como a Europa lida com a memória. A outra Europa, a que ficou mesmo do outro lado da cortina (Budapeste, Praga,...), lida com o comunismo de uma forma menos leviana. Infelizmente, não fez escola deste lado, onde ainda imperam os discípulos de Sartre.

Um abraço.

Publicado por: CMF em setembro 28, 2008 05:46 AM

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