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setembro 06, 2008
O País Visto de Longe XIV
Por estes dias, e perto da capital, milhares de pessoas reúnem-se numa festa que celebra uma das ideologias mais criminosas da História da Humanidade. Concedo que muita gente não esteja lá para celebrar coisa alguma, mas apenas para se divertir num festival de Verão como outro qualquer. Mas a Festa do Avante não é um festival como outro qualquer. Participar num evento destes é ser conivente com o branqueamento de uma doutrina atroz. E, a acrescentar à essência já suficientemente cruel da festa, há detalhes que deveriam envergonhar o mais apolítico dos “festivaleiros”, como a presença de organizações terroristas em barraquinhas gentilmente cedidas pela organização.
Há cidadãos imunes às lições da História. Há cidadãos que não estão minimamente interessados na História. Estão no seu direito. Mas o mesmo já não se pode dizer das políticas de Estado, as quais se pautam pela vigilância e até proibição de reuniões tentadas no outro lado do espectro político, enquanto que o ismo celebrado este fim-de-semana na Quinta da Atalaia é tolerado com um sorriso complacente nos lábios. Não defendo proibições ou coisas do género. A liberdade implica, por vezes, tolerar os intolerantes. Mas este dilema popperiano não pode ser selectivo. O Estado não tem legitimidade para definir quais as ideologias que podem entrar no espaço e debate público.
A parcialidade da intolerância não é um problema ou característica de Portugal, como o título do texto dá a entender. É um problema da Europa. Já aqui escrevi há algum tempo que a Europa só virará definitivamente uma das páginas mais negras da sua História quando a “foice e martelo” for fazer companhia à cruz gamada. No caixote de lixo.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às setembro 6, 2008 03:37 PM
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Comentários
ora vamos lá a ver...
nunca fui à festa em questão e não sou filiado em nenhum partido, mas acompanhado este blog desde há uns meses há qualquer coisa neste post que me choca profundamente. há nele uma parcialidade brutal em nome de uma suposta imparcialidade. há também nele uma certa visão do mundo tipicamente "neoliberal" - diria autista - não me diga que o CMF também é vegetariano e faz a separação de todo o lixo?
ORA VAMOS LÁ A VER - quem venceu a segunda guerra mundial? quais foram desde então as ideologias dominantes? quantos genocídios aconteceram desde então naquela peculiar área geográfica que fica mais ou menos entre a europa e o extremo oriente? quantos morrem diariamente em áfrica?
não me diga que o CMF também acredita que vivemos em "democracia"? que somos "nós" que escolhemos?...
não são as ideologias as responsáveis pelas catástrofes, são os sistemas de poder vigentes - sempre muito mais complexos e perversos do que quaisquer "ismos".
Publicado por: TND em setembro 7, 2008 12:12 AM
Limito-me a comparar nazismo com comunismo. São ideologias irmãs, e uma leitura do Mein Kampf na diagonal (na diagonal deve ser a única forma de suportar aquilo) permite perceber isso. E insurjo-me contra a forma condescendente como se trata o comunismo na Europa, como se não tivesse sido a semente das mais abjectas tiranias. Foi. É um facto. Se esta visão denuncia "neoliberalismo" não sei, porque nunca entendi bem o que aquele neo está ali a fazer. Mas liberal sou, sim senhor. E um liberal rejeita qualquer doutrina que pretenda subjugar o indivíduo, esmagá-lo, colocá-lo ao serviço de uma entidade abstracta. E não sou vegetariano, nem separo o lixo.
Quem venceu a segunda Guerra Mundial? O comunismo, por exemplo. Por isso se manteve como ideologia dominante durante mais de quarenta anos, para lá de Viena. E por isso ainda hoje é tolerado, ao contrário do nacional-socialismo. Ganhou também a guerra intelectual, com Sartre, o pulha, à cabeça como grande caução da ideologia.
Vivemos em democracia, mas não numa democracia liberal como seria desejável (falo na generalidade da Europa). Mas comparar o nosso mundo com a Alemanha dos anos 30 do século passado, ou com a velha União Soviética é ultrajante.
Muitas vezes são as ideologias que conduzem à catástrofe. O século XX europeu explica-nos isso. As ideologias têm, por vezes, o poder de movimentar massas, de transformar os indivíduos em meras peças da engrenagem. O desastre vem logo a seguir.
Quanto à “parcialidade brutal”, eu vejo-a na forma tão distinta como as duas ideologias ignóbeis, comunismo e nacional-socialismo, são encaradas na Europa. Em Portugal, em particular, certos ismos são mesmo proibidos, enquanto o comunismo se passeia orgulhoso pela Quinta da Atalaia. Dá que pensar. Pelo menos.
Publicado por: CMF em setembro 7, 2008 03:35 PM
Caro Amigo Carlos,
Há muito que aqui não vinha.
Aproveito para deixar uma nota de grande concordância com o juízo acima formulado.
É tempo de esconjurar eufemismos e enfrentar a realidade da tragédia da ideologia comunista, enorme embuste e severo flagelo de toda a humanidade que um dia nela acreditou, como redenção do seu passado sofrimento.
Um abraço.
Publicado por: António Viriato em setembro 7, 2008 11:07 PM
António,
é bom "vê-lo" novamente.
Um abraço.
Publicado por: CMF em setembro 8, 2008 11:48 AM
Caro, esse "para lá de Viena" é sintomático. Revoltemo-nos mais com as calamidades cometidas "para cá de Viena", onde moram as verdadeiras (não-)ideologias dominantes depois da IIGG.. No país com uma das maiores cargas fiscais da UE, com o ordenado mínimo mais baixo e onde reina o assassinato da cultura e do conhecimento - não obstante, o país onde voto em branco - pasmo com estas reacções fantasmáticas.
O que é verdadeiramente ultrajante é que esse "nosso mundo" de que fala consegue ser pior que a Alemanha dos anos 30 e que a URSS.
Concluo com dois vídeos engraçados sobre o nascimento da coca-cola sem cafeína,
youtube.com/watch?v=JOyIcFrSQz4
youtube.com/watch?v=lfozG4FP1RI
Publicado por: TND em setembro 10, 2008 10:41 PM
"O que é verdadeiramente ultrajante é que esse "nosso mundo" de que fala consegue ser pior que a Alemanha dos anos 30 e que a URSS."
Relativizar dois dos regimes mais criminosos da História, é obsceno, e só reforça o que eu escrevi: as lições da História não foram devidamente aprendidas pelos europeus. E isso ainda nos pode trazer muitas surpresas.
Publicado por: CMF em setembro 11, 2008 04:07 PM