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agosto 17, 2008
O Céu Sobre Granada

Este tríptico é dedicado à memória do Pedro Ornelas (1960-2008), o meu amigo Pedro, que terminou a sua viagem neste mundo, e que sempre dedicou uma especial atenção ao tortuoso caminho que venho trilhando na Arte Fotográfica. O Pedro partiu cedo, e nestas alturas o Absurdo faz mossas. Com ele partilhei repastos e entornei algumas imperiais. Nunca consegui demover a sua Fé no Estado Social, nem explicar-lhe os perigos intrínsecos ao Bilhete de Identidade. Do seu lado, não vieram argumentos suficientemente fortes para que eu me deixasse entusiasmar pela Lisboa que ele tanto admirava. (O carinho que o Pedro tinha pela capital portuguesa ficou gravado no blogue O Céu Sobre Lisboa. Visitá-lo, agora, é a melhor homenagem que lhe podemos prestar.) Vi-o pela última vez há quase um ano (a vinda para Granada privou-me ainda mais cedo da sua companhia), na inauguração de Atlas, e logo encetámos polémica sobre a questão da língua nas comunicações e publicações da galeria P4Photography. Era um número, em dueto, recorrente: parecia não haver assunto sobre o qual tivéssemos opinião similar. Mas com ele aprendi algumas coisas importantes, aprendi que o discurso queirosiano da “choldra” é um refúgio do fracasso e um sintoma da incapacidade de lutar contra destinos anunciados; amansei a irritação e direccionei as energias para objectivos mais produtivos. Os caprichos da vida juntaram-nos no mesmo tempo e lugar, e agora o seu prazo, demasiadamente fugaz, expirou. Tudo isto continua, até chegar a nossa vez. Adeus Pedro.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às agosto 17, 2008 11:17 PM
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