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julho 23, 2008

Notas de Viagem (na Blogosfera)

Faço agora um curto interregno nas notas de viagem para referir coisas que vou lendo na blogosfera. Em primeiro lugar, quero chamar a atenção para a curta e incisiva crítica ao livro En el País de los Cuentos, de Knut Hamsun, feita pelo JJ. A obra está nos limites do suportável, principalmente devido ao descarado anti-semitismo de Hamsun. É um anti-semitismo moderno, de contornos anti-capitalistas, nascido nas planícies da Polónia, logo após o raro período de paz étnica e prosperidade que se verificou durante a Idade Dourada. Quando um judeu surge na história de Hamsun, vem acompanhado de enojadas referências ao dinheiro e aos negócios, opiniões debitadas por um narrador que não esconde a sua prosperidade e elevado estatuto social. Os judeus, que faziam a ligação entre as classes mais baixas e a nobreza durante a Idade Dourada, arcaram com o ódio dos dois extremos da sociedade; a livre iniciativa, a busca da felicidade, são sempre mal vistos pelos filisteus e pelos indolentes. Conhecendo as motivações anti-capitalistas da aversão moderna aos judeus, entende-se melhor as misturas entre os discursos da extrema-esquerda e (daquilo que é considerado) extrema-direita, e os lenços palestinos nos pescoços de meninos mimados.

VarsoviaCem.jpg
Carlos M. Fernandes, Cemitério Judeu de Varsóvia, 2005

Não tenho televisão há três meses, e confesso que, quando tinha, não ligava muito ao assunto. Mas vivo em Espanha há nove meses, e a expo de Saragoza passou-me pelos ouvidos inúmeras vezes. Posso estar enganado, mas nunca vi qualquer referência ao tema dos oceanos, tal como aqui é sugerido! É a água, meus caros, a água. A água necessária à vida, e não a água salgada dos navegadores. É a água, dos rios, aquela que tantas disputas origina entre as diferentes províncias espanholas. É a água que poderá ser decisiva para o crescimento económico e demográfico da península, e não a água que foi veículo de velhas conquistas. A exposição internacional de Saragoza lida com o futuro, enquanto a expo 98, à boa maneira portuguesa, olhava para, e suspirava por, um passado de duvidosos méritos. Foi também o último estertor de um período que se pensava ser o inicio da prosperidade eterna (enterrado de vez pelo despesismo do governo socialista de Guterres). Confundir as coisas só ajuda a reforçar a ideia de que Portugal olha para Espanha sempre de dedo acusador em riste, e com preocupantes complexos de inferioridade. Repito: posso estar enganado, pois não tenho prestado muita atenção ao assunto expo 2008. Se assim for, dêem-me dados em favor da “tese dos oceanos”.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às julho 23, 2008 08:11 AM

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Comentários

visito o teu blog regularmente. curto muito o teu trabalho na fotografia e a tua escrita. apesar de muitas vezes não concordar com o conteúdo, dá-me gosto ler os teus textos. até penso que são dos poucos que leio do teu quadrante de pensamento ;)

desta vez venho simplesmente dizer que adorei a expressão, lenços palestinos nos pescoços de meninos mimados. heheh é muito boa sim senhor. ah!, e é claro que isso revela a coragem de escrever certas coisas que, muitas vezes, são tidas como politicamente incorrectas na blogosfera... parabéns também por isso!

força com o blogue!

Publicado por: tiago g em julho 23, 2008 11:33 PM

Obrigado Tiago,
um abraço.

Publicado por: CMF em julho 24, 2008 06:59 PM

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