« Quia in Inferno Nulla Est Redemptio III | Entrada | Eles Também Mentem »

julho 04, 2008

Requiem

All photographs are memento mori.
Susan Sontag, On Photography

SelfP.JPG
Joel-Peter Witkin, Self-portrait

A imortalidade, da imagem, inscreve-se na prata, mas a mortalidade do indivíduo revela-se aos olhos do observador. É a fotografia como veículo para enfrentar a morte, como um espelho para a nossa própria finitude. Mas, dependendo da proximidade do assunto retratado, o sentimento perante a Imagem é distinto.

mapplethorpe-self.jpg
Robert Mapplethorpe, Self-portrait

Nestas fotografias, um fantástico projecto que pretende resgatar “kodachromes” esquecidos em máquinas fotográficas que esperam por um comprador nas prateleiras das lojas de segunda mão, vemos famílias distantes, rostos desconhecidos que o acaso juntou nas mãos de um coleccionador de imagens. São retratos que ficaram por colar nos álbuns, instantes afastados para sempre do olhar dos descendentes. Causam-nos curiosidade, talvez algum desconforto, e a vergonha da intromissão. E levantamos questões. Que acontecimento, ou tragédia, terá levado ao esquecimento da película? Quem, daqueles que aparecem nestas imagens, ainda vive, e onde estão? Será legítimo espiar a vida alheia? Por outro lado, recuperar estas fotografias do esquecimento permite a esta gente desconhecida pisar o palco do mundo outra vez, talvez numa última oportunidade. Para muitos, é um acto involuntário post mortem.

20061112224233_smooth-operator.jpg
(www.mangofalls.com/)

Outras imagens podemos encontrá-las num baú, numa qualquer feira da ladra, e então tentamos animá-las com um último sopro de vida, reciclá-las, vesti-las com outros traços. A ecologia da fotografia: aproveitar o que já está feito; o mundo está repleto de imagens. E, mais uma vez, damos o protagonismo aos desconhecidos.

Publicación1.jpg
Carlos M. Fernandes, Pherographia - Drawing by Ants

Finalmente, há aquelas que nos estão muito próximas, e que, mais do que um vislumbre do Fim, nos oferecem um prolongamento da vida, no sentido do passado, até existências que se cruzam com a nossa, formando uma cadeia de afectos da qual somos agora os fiéis depositários.

r1.jpg


r.jpg11c.jpg

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às julho 4, 2008 05:14 PM

Trackback Pings

TrackBack URL para esta entrada:
http://no-mundo.weblog.com.pt/privado/mt-tb.cgi/172484

Comentários

neploxo tak, i`m glad,

Publicado por: name em julho 19, 2008 12:16 PM

neploxo tak, i`m glad,

Publicado por: name em julho 27, 2008 07:49 PM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)