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junho 30, 2008

O Iluminado

"É altura de a Europa apostar nos carros eléctricos", disse o primeiro-ministro. Ah, pronto, se ele o diz deve ser verdade! Afinal, toda a gente sabe que é da cabeça destes iluminados, formados a preceito nos gabinetes da burocracia, que vêm as grandes ideias do “progresso” científico. Veja-se o caso dos bio-combustíveis, esse investimento inadiável, esse desígnio da humanidade! E ainda se lembram de uma recente “grande ideia” europeia, criar um motor de busca, com investimentos públicos, para combater a hegemonia do Google?
A mesma notícia diz: Com a pressão da escalada dos preços do petróleo, as tecnologias de energia potencialmente mais limpas, como a electricidade, tornaram-se mais atractivas. Contudo, para acelerar a resolução dos problemas com que esta tecnologia ainda se debate até chegar à sua industrialização, o sector necessita não só de grandes volumes de financiamento mas de políticas públicas de incentivo. Mais atractivas, mas ainda dependentes do dinheiro público? Que as empresas estendam a mão aos Estados não me surpreende nem me choca. Fazem apenas o seu papel, jogam com todas as peças que estão no tabuleiro. O que devia ser alvo de revolta popular é a forma como sucessivos governos dispõem do dinheiro dos contribuintes com se este não fosse o fruto do seu trabalho, extorquido para alimentar uma máquina que não dá sinais de redução de despesa. Mas a Europa, criada na cultura da subsidiodependência, e embora definhando à vista desarmada, recusa encarar a realidade, preferindo distorcê-la e culpar um tal de “neoliberalismo” (que ninguém sabe muito bem o que é, muito menos num continente dominado pelo socialismo) por todos os males que nos assolam. Há muita gente a precisar de lições de Economia. E de História, já agora…

(Leitura complementar.)

P.S. A mais recente diabrura dos governos europeus foi denominada como a “taxa Robin dos Bosques”: mais um imposto sobre os lucros das petrolíferas. Não sei se deva lamentar o hipotético défice de cultura dos líderes dos governos europeus, ou a conjectura, mais plausível, de que nos tomam por parvos. Relembro os mais desatentos que Robin dos Bosques combatia a tirania fiscal do príncipe João. O Robin dos Bosques não cobrava impostos, combatia a sua cobrança. Roubava aos ricos, sim, mas neste caso “o maior rico” é o Estado, gordo e vicioso até à náusea. Façamos todos de Robin, e roubemos o Estado através da única arma que nos resta: a fuga fiscal.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às junho 30, 2008 05:34 PM

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Comentários

Nem essa arma me resta!!!

Publicado por: em julho 1, 2008 09:39 PM

É essa a verdade, Carlos. Os grandes anúncios s´ó podem significar duas coisas: mais impostos e mais oportunidades para o betonismo impante.

Publicado por: NunoCB em julho 4, 2008 10:15 AM

Quem ganha com as grandes obras e com os projectos/desígnios sabemos muito bem que é, Nuno. Porque só os ingénuos caem no engodo "da criação de postos de trabalho". E há ainda mais um ponto interessante em toda esta história. Não há aqui um cheirinho a monopólio? Os socialistas gostam muito de vociferar contra os monopólios, mas não percebem que, na maior parte dos casos, é o Estado que os alimenta.

Publicado por: CMF em julho 4, 2008 05:49 PM

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