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abril 15, 2008
O País Visto de Longe VIII
Algumas das últimas acções do governo português, a Lei do Divórcio e o “combate” ao trabalho precário, ilustram bem os dogmas e a desorientação das causas progressistas e socialistas: legislar a um ritmo furioso, tentar resolver problemas auto-infligidos, tapar os olhos perante a falência dos velhos modelos. Colocar a hipótese (pelo menos meditar num cenário hipotético) de que o trabalho precário é o resultado da cristalização do Estado-providência?, não, isso nunca. Solução: mais do mesmo. Libertar os cidadãos para que estes possam celebrar os contratos que bem entenderem?, não, isso nunca. Resolução: moldar o contrato de casamento de acordo com a religião progressista, e pelo caminho salpicá-lo com uns pozinhos de linguagem PC (Politicamente Correcta). Entretanto, quem não se quer casar, ou assinar um contrato de união de facto, não pode legar o seu património ao companheiro de uma vida. É assim a liberdade dos cravos (a homofonia é propositada).
Por falar em dogmas, já temos alguns resultados do combate às mudanças climáticas. Sequência de acontecimentos: consciência ecológica inquieta, incentivos públicos à produção de biocombustíveis, aumento da procura de produtos alimentares, subida dos preços desses mesmos produtos, crise global que se sente com particular violência nos países mais pobres. Houve, ou vai haver, diminuição de emissões de CO2? Até agora não há dados que possam sustentar tal crença. Há lições a retirar desta farsa? Há, mas não sei se os crentes estarão prontos a assimilá-las. Um repelão na Fé é um processo doloroso. Vamos com calma.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às abril 15, 2008 05:46 PM
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