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fevereiro 01, 2008

Emigrem

Parece que o sr. ASAE indicou o caminho da emigração aos portugueses descontentes com o facto de o país estar a ficar mais asséptico do que uma ala cirúrgica. Meus caros, eu sei que o primeiro impulso é procurar o dito indivíduo, e fazê-lo encaixar dois tabefes educativos. Mas aconselho uma via mais fleumática. Emigrem, meus amigos, emigrem. Não precisam de ir para muito longe. Aqui, em Espanha, ainda há lugar para os espíritos livres (eu sei, há por cá um engenheiro social que pretende moldar o país à sua imagem e semelhança, e uma alternativa que também não nos deixa muito descansados; mas acreditem, é diferente…). Pode ser real, pode ser ilusão, mas a sensação ninguém me tira, a convicção de estar no auge das minhas potencialidades, de estar a viver na plenitude da existência, com todos os sentidos em alerta máximo. Nunca lidei um touro na Maestranza, nem cacei baleias no Atlântico Norte. Mas penso que agora já posso reclamar o melhor epitáfio que um homem pode ambicionar: Teve uma grande vida. Juntem-se a esta cornucópia de emoções, e deixem Portugal entregue aos bichos; eles já conquistaram o seu espaço e tão cedo não o vão largar.

Adenda: ver.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às fevereiro 1, 2008 02:21 PM

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Comentários

É emocionante ver alguém que se sente chegado a alguma espécie de paraíso!
Apesar de isso conter duas coisas estranhas.
Primeiro, é um paraíso "socialista" (o pesadelo de qualquer CMF dever ser quer o paraíso quer o inferno serem "socialistas"!).
Segundo, a maior parte das pessoas que alguns pensam estarem no paraíso... estão mortas. Coisas que manifestamente o Carlos não está.
De qualquer, como é tudo uma questão de sensação, o que lhe posso desejar é que lhe faça bom proveito, como se costuma dizer. Nisso não disputo!

Publicado por: Porfírio Silva em fevereiro 5, 2008 08:23 PM

Paraíso?! Lá está o Porfírio a analisar os textos dos outros com as suas próprias ferramentas. Aqui nao há lugar para "paraísos", "mundos perfeitos" e "utopias". Apenas para a felicidade, no meio de homens imperfeitos, de preferência, e nunca de autómatos.
Há também uma imprecisao na análise, mesmo substituíndo o "paraíso" pela "felicidade". Eu nao cheguei a lado algum, agora. Viver em Espanha é apenas a cereja no topo do bolo. Disse e repito, tenho tido uma grande vida. E quando assim é devemos aproveitar e celebrá-la (ou mesmo "cantá-la", quem tiver jeito para isso), até porque a tragédia está sempre à porta, e o Absurdo faz parte da vida.

Publicado por: CMF em fevereiro 5, 2008 08:37 PM

Hombre, descontrai-se. Custa-lhe muito a perceber que nem toda a "gente" fala no "modo-engenheiro", pelo menos quando anda na blogosfera? Sermos sérios não é "levar-nos demasiado a sério", não lhe parece?
Eu que até estava a meter-me, em jeito de saudação, com o manifesto gozo pessoal que a vida aí lhe está a dar, aproveitando para brincar com a paisagem política, e você responde (como diz o povo) "com duas pedras na mão"?!
Então, mais uma vez, desculpe lá qualquer coisinha.

Publicado por: Porfírio Silva em fevereiro 6, 2008 12:37 PM

Porfírio, descontraia-se também! Acha que eu estou com (má) disposição para andar com "duas pedras na mão"? Estou contente, tive um óptimo fim-de-semana (só fim-de-semana, mesmo, porque felizmente, aqui, o Carnaval passa despercebido), e o sol brilha aqui em Granada.

Publicado por: CMF em fevereiro 6, 2008 12:51 PM

Meu caro amigo,

folgo muito em o saber de saúde e na plenitude das suas capacidades. Claro está, tal apogeu é, numa visão Pulido-Valentista, o momento a partir do qual começa, impiedoso, o inevitável declínio. Esperemos que venha muito tarde!

Reconheço que uma caça aos ilustres cetáceos seja uma empresa assaz improvável (com maior probabilidade arpoaria uma militante da Greenpeace, o que, tal como com as baleias, dependendo da macieza e da tenrura do espécime, poderia nem ser uma má captura...); contudo, creio que lhe poderei ser mais útil na sua segunda reivindicação. Da próxima vez que regresse de terras de Al Andaluz, contacte-me: penso que, sem dificuldades de maior, se arranjará uma pequena lide. Mas à Homem: uma pega de frente. Se não se sentir completamente seguro no início, sinta-se à vontade para pedir para treinar primeiramente com um bezerro.

Saudações cordiais deste seu amigo aqui neste mal frequentado local à beira-mar plantado,

Bruno Damas


P.S. - Quanto a esta pequena disputa com Porfírio Silva, creio que também a poderia resolver quando cá regressasse: o campo de futebol robótico do oitavo piso da Torre Norte daria sem dúvida um excelente ringue de boxe improvisado. Certamente o Agostinho Rosa e o Pedro Lima assentariam em ser os vossos respectivos treinadores. Por mim, no entanto, creio que seria mais apelativo um combate a quatro, com os orientadores também dentro do ringue. A aprendizagem contra a evolução. Olá se seria.

Publicado por: Bruno Damas em fevereiro 6, 2008 10:30 PM

Bruno,
Isso da pega já anda perto da demência, e muitos valentes toureiros aqui de terras andaluzes olham para os forcados portugueses com ar de espanto perante tamanha loucura e ousadia. Embora seja amigo dos "excessos", falta-me essa pequena dose de loucura, necessária para atingir um certo tipo de êxtase. (No entanto, esses excessos já me deram uns quilinhos que me poderiam ser vantajosos na tarefa; vá lá, com um bezerro, bem pesadinho, talvez se arranje qualquer coisa.)

Quanto à disputa no campo de futebol robótico, eu alinho, mas fico ao lado, sentado e a beber imperiais, como devia ter feito há uns anos naquela patética (no que ao meu desempenho se refere) corrida de karts. Desporto só mesmo com bola, e lá em baixo, no campo de futebol "humano".

Quanto ao declínio, sem dúvida, sem dúvida. Como diria um nosso amigo, "a partir de agora é sempre a definhar".

Publicado por: CMF em fevereiro 7, 2008 06:15 PM

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