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janeiro 24, 2008
Notícias de Sevilha
Sevilha é, provavelmente, a cidade mais bela do mundo. Visitá-la é um acto solene, quase religioso. Respeitando-a como terra de tradições, não alterámos muito os hábitos adquiridos em incursões anteriores. No Rejoneo, em Triana, Gabi continua a controlar as operações com empenho, dedilhando bulerias enquanto a sua quadrilha vai desfilando canto e dança. A Samara marcou presença, mas só isso, pois, como ela nos disse, estava muy malita, constipada. O Lo Nuestro, mesmo ao lado, é uma versão mais popular do Rejoneo, sempre cheio como um ovo, caótico, um poço sem fundo de alegria. Os gambones da cervejaria Miami, ainda do “outro lado” do rio, continuam muito recomendáveis. Perto da praça do ayuntamiento, o restaurante Porta Gayola é um lugar onde se volta sempre com prazer, pois, sem ser um templo da alta cozinha, interpreta muito bem o receituário tradicional da Andaluzia, introduzindo-lhe cambiantes tentadoras. Desta vez “só” provámos as almejas de Carril a la marinera, os salmonetes fritos, as favinhas com conquilhas, as gambas com foie gras e o arroz de perdiz, com “um” Campeador Reserva de 2001 a acompanhar. Sem comentários. (Fiquei um pouco chateado quando vi que as amêijoas de Carril não tinham tamanho suficiente para serem servidas cruas, como eu gosto, apenas com um gomo de limão a assessorar; mas passou-me logo.)
Nas tabernas e nos tablaos o fumo do tabaco continua a marcar presença, orgulhosamente imune ao histerismo higienista. Há uns anos, seria coisa normal, na qual não repararíamos, e muito menos mencionaríamos. Hoje, numa Europa cada vez mais asséptica, o fumo espanhol chega-nos às ventas com o suave aroma da Liberdade.
Sevilha. É como voltar a casa.

Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às janeiro 24, 2008 04:34 PM
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