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janeiro 21, 2008
Os Infantes
The Constitutionalists saw themselves as the rulers of the state on behalf of a ’people’ that was still in its infancy, like tutors to a ward, but they themselves did not have much of an education and they were not sufficiently numerous.
Stevan K. Pavlowitch, Serbia – The History of an Idea
A citação refere-se à situação política da Sérvia em meados do século XIX, quando o embrião do futuro Estado balcânico ainda tentava fugir do já ténue domínio otomano e da influência austro-húngara. No entanto, é também um retrato da Europa dos últimos dois séculos, um retrato de uma região refém de déspotas dementes, tiranos iluminados, e, mais recentemente, de filisteus que vêem nos votos a legitimação das suas obsessões. Estamos no século XXI, e poucos países europeus se podem ainda queixar de albergar uma população maioritariamente campesina e sem formação. Mas os governos não largam os velhos vícios, e continuam a olhar para o povo como um bando de crianças que não sabe tomar conta da sua vida e que precisa da orientação de meia dúzia de visionários cuja maior conquista na vida não foi mais do que convencer grande parte desse povo a fazer uma cruzinha em frente ao seu nome. Mas essa é a essência do poder. Dêem uma maioria a um homem, e arriscam-se a ficar sob a tutela de um progressista e engenheiro social. Uma democracia iliberal tem sempre o flanco aberto, e as restrições da liberdade são apenas um desastre à espera de acontecer.
Mais preocupante é ver que grande parte do povo se sente confortável com esse tratamento, assumindo sem vergonha a sua própria infantilização. Ou será “gerontização”?, pois as crianças arriscam, mexem-se, caiem e voltam a levantar-se! A criança é cercada por um muro de protecção, para mais tarde enfrentar o mundo com todas as armas de um homem livre. O homem europeu, pelo contrário, resigna-se à sua condição de servo, fecha-se sobre si próprio, e disfarça o seu egoísmo com a “solidariedade” coerciva do paizinho, o Estado Social, que entretanto fez um óptimo trabalho a destruir os verdadeiros laços de solidariedade e confiança entre os seus cidadãos. Tira-me o pão e depois devolve-mo, mas em doses bem racionadas. Quem se agrilhoa a si próprio não merece a liberdade. Quem tenta prender os outros na mesma rede, desconfortável com a autonomia do próximo, não merece respeito.

Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às janeiro 21, 2008 05:06 PM
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