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dezembro 13, 2007

Coisas Limpas

Hoje lembrei-me desta frase do Jorge Calado, a qual faz parte do texto que escreveu para o meu livro I-S-T 95-75-15.

São só os regimes totalitários que gostam das coisas limpas e arrumadas.

Aproveito o embalo dado pelo tema (fotografia, só fotografia!) e saúdo a P4photography e o Luís Trindade pelo fantástico leilão da passada semana, ao qual pude assistir em directo, via rede, num óptimo sistema que permite quase viver o ambiente da sala quando os valores dos lotes começam a disparar. Mais um excelente trabalho do Luís. Não sei como ele consegue lidar com O Castelo português. É preciso muita coragem e sangue-frio. Que neste (nesse) sistema ainda consiga surgir gente empreendedora (pouca) é um dos mistérios do país, e um bom argumento para os defensores de uma hipotética e brava alma lusa.

E já que estou num registo de citações e saudações, não queria deixar passar este texto do Miguel, que, na Tailândia, livre do sufoco português, consegue manter a mesma lucidez nas análises do desvario europeu:

Quando as genialidades omnipresentes dos nosso media falam contra o seu regime, omitem cuidadosamente as causas do verdadeiro estado caótico da economia do Zimbabwe, vítima sobretudo da expulsão dos farmers brancos que se viram espoliados de tudo o que tinham. (...)
Compreende-se bem o silêncio do regime quanto a certos factos. É que revelá-los ou mencioná-los belisca a boa consciência de uma certa esquerda, perita em retoques à fotografia da história.

Tudo em nome da paz e da reconciliação com o passado. Princípios?, é coisa fora de moda. Memória?, é curta.
Quando é que abandonamos de vez o maldito século sartriano?

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às dezembro 13, 2007 01:01 PM

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