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dezembro 03, 2007

Dias Granadinos II

Não aprecio uísque. Bebo-o em anos bissextos e até me atrevo a juntar-lhe coca-cola. Fica feita a ressalva: os próximos comentários são feitos por um observador ignaro na matéria que nas últimas duas décadas foi olhando para o fenómeno do consumo de uísque em Portugal com um distanciamento moderado apenas por algumas “provas”. Lembro-me da era Ballantines, no final dos anos oitenta, quando o país começava a escapar da economia terceiro-mundista que o período revolucionário nos legou. O apreciador de uísque bebia Ballantines, e rejeitava os, na altura, desconsiderados Cutty Sark e J&B. Mais tarde, o uísque deixou de ser um scotch e o consumidor virou-se para outras paragens. Foi a época do Jack Daniels e do Bushmills, e, entre a Irlanda e o bourbon, o coração dos bebedores oscilou. Até que chegou o Jameson, o qual, com uma campanha eficaz, arrasou a concorrência e meteu definitivamente a Irlanda na linha da frente. Agora pede-se um jameson. Na Andaluzia a história foi diferente, e o velho Ballantines ainda é o rei, rei da tasca, da cervejaria ou do bar. Pede-se um uísque e é a garrafa “quadrada” que sai da prateleira. Jack Daniels, Bushmills, ou Jameson, nem se vêem. Se eu acreditasse mesmo na consciência colectiva, na alma dos povos, podia tirar daqui conclusões engraçadas. Fiquemo-nos pela cultura, que, quer queiram quer não, nos molda até ao âmago da existência.

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Carlos Miguel Fernandes, Granada, 2007

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às dezembro 3, 2007 05:08 PM

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