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outubro 19, 2007

Thomas Weinberger e a Fotografia Alemã

Aproveito o embalo dado pelo texto anterior e tento agora empreender, sem pretensões de ensaio, um roteiro para uma leitura (entre muitas possíveis) da obra de Thomas Weinberger.
A formação do Thomas, em Arquitectura, é notória na forma como escolhe e retrata as paisagens urbanas, mas é à fotografia alemã (Thomas Weinberger nasceu em Munique em 1964) que vamos buscar pistas para entender a motivação e o caldo cultural que precede as suas obras de grande formato e iluminação indecifrável. Qualquer apreciação e estudo do trabalho de Weinberger irá desembocar inevitavelmente no casal Becher. Bernd e Hilla Becher, autores de um épico inventário da arquitectura popular da Europa Central, foram professores de Andreas Gursky, um dos nomes grandes da fotografia alemã da actualidade, e artista cuja obra se cruza com o trabalho de Thomas Weinberger em muitos aspectos. Albert Renger-Patzsch também é uma personagem relevante nesta história, mas eu vou mais longe, e atrevo-me a referir August Sander e o seu ímpeto de catalogar a sociedade alemã do início do século passado, com retratos frontais e linhas verticais dominantes (e recorde-se ainda semelhante empresa de Karl Blossfeldt, mas com plantas).

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Bern e Hilla Becher, Kuhlturme, 1967-73


Rigor técnico, objectividade, simetria, compressão dos planos e até, mais recentemente, uma certa tendência para a monumentalidade (vide o já referido Gursky e também Candida Höfer); são estes os ingredientes principais da fotografia alemã do século XX e início do século XXI. Quebrando, com subtileza, a obsessão pela simetria, e aproveitando as novas ferramentas disponibilizadas pela emergência da fotografia digital, Thomas Weinberger domesticou uma tendência para a indecisão, cravou um carácter temporal nas suas imagens e criou assim um visão muito pessoal do mundo, a qual, no entanto, não mascara a sua génese.

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Andreas Gursky, de 99 Cent II Diptychon (imagem esquerda), 2001

Tentei enquadrar Thomas Weinberger no grande quadro da fotografia alemã. Alguns leitores talvez preferissem uma análise mais virada para o “contexto internacional”. Não sei fazê-lo, nem me parece ser tarefa relevante. Prefiro perscrutar a História e deixar a especulação para os praticantes do discurso pós-moderno.

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Thomas Weinberger, Dubai

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às outubro 19, 2007 03:31 AM

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Comentários

A propósito das relações da fotografia de Thomas Weinberger à fotografia alemã, não me esqueço da admirável associação que Jorge Calado apresentou em Ingenuidades, quando põe na secção de Engenharia Metalúrgica, as quatro fotografias de Albert Renger Patzsch, dando vários pontos de vista de uma fábrica ao lado de uma fotografia de Weinberger,com as casas com pequenos jardins em primeiro plano e as centrais em pano de fundo. Foi uma das ligações que mais gostei de ver na exposição...

Publicado por: Madalena em outubro 20, 2007 05:54 PM

É verdade! E esqueci-me do Wolfgang Sievers, que, apesar de ter passado a maior parte da sua vida fora da Alemanha, está indubitavelmente ligado à mesma linha (e parece que o pai estudava arquitectura).
Por falar em Renger-Patzsch, e outro fotógrafos alemães, tirei da prateleira nos últimos dias um excelente livro que comprei há uns anos em Barcelona, editado pela Fundació "La Caixa", chamado Les Formes del Món, com imagens de Blossfeldt, Sander e Renger-Patzsch, e também de Aenne Biermann e Alfred Ehrhardt. (Procurei na Kowasa, mas acabei por encontrá-lo aqui: http://www.diabooks.org/diabooks/item.m?itemID=17016)

Publicado por: CMF em outubro 21, 2007 03:16 PM

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