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outubro 03, 2007
Inglês ou Português?
O Luís Trindade, director da P4Photography, optou por limitar toda a comunicação para o exterior a uma língua, e, dadas as ambições do projecto, elegeu a língua inglesa. A opção não foi bem recebida, e em certos casos o ataque até tem sido um pouco rude (ver aqui). Estas reacções pecam por falhas de análise global e também por uma certa confusão de conceitos. A P4Photography é um projecto privado, e nada deve ao cidadão português, excepto um serviço de qualidade. Esse serviço poderia melhorar com uma versão portuguesa da página da galeria? Talvez, mas quando se tapa a cabeça destapam-se os pés, e o esforço necessário para manter uma página bilingue pesaria certamente no desempenho da empresa. Empresa privada, volto a repetir, estatuto que muitos laboratórios associados às universidade portuguesas não podem reclamar. Vejam o exemplo do meu laboratório, o Laseeb. Tem a página em inglês, claro, porque uma opção diferente seria ridícula e desastrosa, tendo em conta a realidade do universo científico. Por que razão deve a Arte ser diferente? (Ah, a Arte e a Ciência, tantas vezes vistas pelo cidadão comum como objectos sem hipótese de harmonização, mas tão próximas na sua génese e efeito.) Por que se exige a uma empresa privada o que não se pede às universidades pagas com o dinheiro dos contribuintes?
(Esta “voz do cidadão” ainda vai levar o Estado a regular neste registo, e a impor leis que os próprios serviços públicos não cumprem. É isso que se deseja? Não chega a obrigatoriedade de os restaurantes apresentarem ementas em português, quando o governo anda a propagandear um tal de Allgarve!)
O livro Atlas passou por semelhante dilema. A primeira opção, edição bilingue, foi afastada por falta de verba (edição de autor!), pois implicava a produção de mais páginas. Ficou o inglês, decisão suportada pelos objectivos da P4 e dos fotógrafos. Espero que compreendam. Os meus Kaluptein e I-S-T 95-75-15, com textos exclusivamente em português, dificilmente passam para lá da fronteira. Prefiro que essa restrição nasça da incapacidade de o meu trabalho se afirmar fora de portas, do que de uma limitação imposta pela âmbito restrito da língua portuguesa.
Para terminar, e a poucas horas da inauguração de Atlas, quero chamar a atenção para este artigo no DN, e para o blogue Sais de Prata e Pixels, da Madalena Lello, uma das pessoas que melhor pensa e escreve sobre fotografia em Portugal, e que nos honrou ao aceitar escrever o prefácio do livro. À Madalena, um enorme "obrigado". (Lá poderão ler a versão portuguesa do texto.)
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às outubro 3, 2007 01:44 PM
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Comentários
A opção exclusiva pelo inglês já não me surpreende, reflecte a atitude antipatriótica recorrente nas elites portuguesas desde há 150 anos ou isso.
É claro que cada um é livre de manifestar o seu desprezo pelos compatriotas que não percebem inglês -- correndo embora o risco de irritar alguns possíveis compradores portugueses com mais de 50 anos, da geração que tem algum poder de compra mas não compreende bem o inglês e/ou possa irritar-se com estas manifestações de pseudocosmopolitismo.
Para o galerista, que "aims to become a major player in the photography field in Portugal" e "will exhibit not only well-known photographers but also newcomers, particularly those with an interest in all things Portuguese", parece-me algo imprudente.
Será que vão vender imensas fotografias a estrangeiros? Espero bem. Mas acham que o amontoado de lugares-comuns estafadíssimos da Madalena Lello sobre a "vocação marítima dos portugueses", etc., faz algum sentido em 2007?
Posto isto, lá voltarei à Navegantes street para ver o Portuguese way of seeing (if such a thing exists). Best wishes para todos, congratulations pela excellent exposição.
Publicado por: Pedro em outubro 4, 2007 03:16 AM
"A opção exclusiva pelo inglês já não me surpreende, reflecte a atitude antipatriótica recorrente nas elites portuguesas desde há 150 anos ou isso."
E os laboratórios?, também são antipatrióticos?
"Será que vão vender imensas fotografias a estrangeiros?"
Não percebes, pois não!? Não há outra saída, o mercado português de fotografia não existe, ou não tem dimensão para sustentar um projecto desta natureza. A internacionalização é o único caminho possível. Se isso não acontencer, mais vale pendurar as botas. E se calhar ainda vais ter surpresas com o caminho que esta Atlas vai percorrer.
"Mas acham que o amontoado de lugares-comuns estafadíssimos da Madalena Lello sobre a "vocação marítima dos portugueses", etc., faz algum sentido em 2007?"
Terás que perguntar à Madalena, mas na minha opinião, sim, faz todo o sentido. A discussão geopolítica voltou a centrar-se no Atlântico, e só o homom europeu, acomodado à sua putativa condição de centro do mundo, é que ainda não se apercebeu disso.
Publicado por: CMF em outubro 4, 2007 12:32 PM
Carlos,
Recebeste o meu e-mail?
Um abraço,
André
Publicado por: André Abrantes Amaral em outubro 4, 2007 03:16 PM
Sim, André, recebi. Tenho pena que não tenhas conseguido vir. Se quiseres visitar a galeria, avisa-me, eu tentarei estar presente, especialmente se for a um sábado (atenção, eu vou "emigrar" durante os meses, em breve).
Publicado por: CMF em outubro 4, 2007 06:17 PM
O teu argumento sobre o laboratório é falacioso: a página do Laseeb não tem informação relevante para quem não é de lá; e o site do ISR é bilingue.
Também não me parece que seja comparável o que se passa no mundo da ciência com o que se passa no mundo da arte, a este nível. Para mim tudo o que se escreve ou possa escrever sobre arte não é relevante face à própria obra de arte. Quando escreves em inglês um artigo científico isso faz sentido porque estás a comunicar para um público que usa essa língua comum, tal como dantes se usava o francês e antes disso o latim.
Nada disto é importante de facto. O que interessa é que as coisas circulem, e a internacionalização é provavelmente o único caminho possívem face à dimensão deste país, já se sabe. Mas daí a ter uma galeria em que não há uma única palavra em português... que sentido é que isso tem? Navegantes st. faz algum sentido?
Se calhar é preconceito meu, mas tudo o que contribua para tornar a arte mais elitista do que já é, é mau.
Quanto ao texto, não me parece que haja necessidade de invocar qualquer especificidade portuguesa para aquele conjunto de fotos. Há afinidades estéticas, sim. Mas tu és resolutamente cosmopolita, o João Mariano trabalha sobre uma realidade local muito particular. Esta informação é que pode ter algum interesse, e não especulações sobre a ligação entre o facto de ambos fotografarem o mar e serem portgueses -- de resto, do que eu conheço do teu trabalho, os temas marinhos ou 'portugueses' são irrelevantes.
Publicado por: Pedro em outubro 5, 2007 04:15 AM
Pedro, vê as páginas pessoais dos cientistas. A minha está "em baixo", mas podes ver, por exemplo, a do Vitorino. Julgo que a maior parte das páginas de cientistas, não só em Portugal, como também em todos os países, está escrita em inglês.
Agora pergunto: existe diferença entre o estatuto da minha página de fotografia (que até está quase exclusivamente escrita em português!) e a página de ciência. Onde colocamos a linha divisória? Tens resposta para isto? Eu não.
Em relação à galeria, põe-te numa situação imaginária: tinhas que decidir por uma, e apenas uma, língua. O que fazias? Optavas pelo português, pondo em causa a universalidade do projecto? (Claro que o cenário ideal seria sempre bilingue, mas, e repito, o que fazer perante a impossibilidade dessa realização.)
No caso do livro, eu posto perante essa situação. Não foi uma decisão fácil. Foi uma decisão pragmática.
"Se calhar é preconceito meu, mas tudo o que contribua para tornar a arte mais elitista do que já é, é mau."
Por acaso até acho que o inglês, em certos casos, torna a arte mais popular. Mas isso não se aplica aqui, claro, estava apenas a lembrar-se situações em que fica "bem", "moderno", "jovem", a utilização do inglês. Coisas parvas, como bem sabes.
O texto, repito, resulta da liberdade criativa da Madalena, que foi encarada como mais uma autora do livro, sem uma única restrição à sua abordagem. No entanto, recordo-te o texto do Jorge Calado para o I-S-T, que começa assim: "Tal como fado, uma boa parte da fotografia portuguesa veste-se de luto."
(E logo eu, que não gosto de fado!) Há uma tentativa de enquadrar o meu trabalho na Fotografia Portuguesa. Isso existe? Não sei, eu e o Calado discutíamos o problema no outro dia, e eu defendi que poderia existir uma coluna vertebral: a Viagem. Compara a fotografia portuguesa com a fotografia checa! Tenho um texto na gaveta sobre o assunto, há meses!, e não me quero alongar muito sobre isso. Mas um hipotético cosmopolitismo do meu trabalho não implica que ele nasça imune a uma qualquer essência da Fotografia Portuguesa, tal como o meu ateísmo, por exemplo, não implica que recuse a minha herança cristã.
Publicado por: CMF em outubro 5, 2007 03:35 PM
Pois, eu sei que não é fácil escrever sobre. Embora goste muito do que o Calado escreve, achei essa tirada do fado forçada. Se bem que é verdade que o que tu fazes tende para o negro, mas se isso tem a ver com o fado...
Haverá alguma «essência» na fotografia portuguesa, ou na arte portuguesa em geral? Sei lá.
E essa «essência» é o luto? Também não sei.
Mas suspeito que é demasiado tentador recorrer a certos lugares-comuns para caracterizar a produção cultural portuguesa -- em vez de, por exemplo, procurar ver como ela se insere num contexto internacional.
Faltam-me referências para falar nisso.
Publicado por: Pedro em outubro 7, 2007 04:38 AM
eu te amo
Publicado por: criste-helen em março 11, 2008 11:17 PM
quais os paises do mundo escrito em ingles
Publicado por: gessica em maio 20, 2008 12:57 AM
jack is a very lazy boy he never gets up iarly he always misses the bus to school somitimes he muts his friend fred fred is also a very boy when they meet they walk to school
Publicado por: raik em julho 8, 2008 11:55 PM
sei que tenho sido um fraco no mundo mais ao seu lado mudaria minha vida para sempre
Publicado por: em agosto 8, 2008 07:26 PM
Bom dia.
Favor informa se à representante no Brasil da vossa marca.
Preciso dos modelos SMALL DIAMETER CLAMPS 5” a 8” e SMALL DIAMETER CLAMPS 9” a 12”.
No aguardo do vosso contato.
Publicado por: em novembro 3, 2008 01:22 PM
Do the impossible to make your dreams come true and always believe in you
Publicado por: felipe em dezembro 4, 2008 10:54 PM