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outubro 03, 2007
Notas Soltas
O que aconteceu foi mau, mas o que está para vir pode ser pior! Esta é uma das regras cruéis da vida, para a qual vamos sendo cada vez mais alertados quando os anos começam a pesar. Mas a república portuguesa é regida pelos mesmos princípios. Ora vejam: quando pensávamos ter batido no fundo com a nomeação de Santana Lopes como primeiro-ministro, eis que nas eleições seguintes nos surge José Sócrates, uma espécie de pequeno burocrata elevado a chefe da nação, um tiranete que nos desvenda os recantos mais sombrios da Democracia. E no passado fim-de-semana Luís Filipe Menezes sucedeu a Marques Mendes na liderança do maior partido da oposição. Bater no fundo? Nunca. Portugal é um poço sem fundo.
Numa entrevista ao jornal Expresso, a ministra da cultura Isabel Pires de Lima admite ainda encontrar no marxismo alguns instrumentos de análise importantes. Pobre Europa. Não deve ser fácil ver que os seus filhos ainda afiam as facas que quase a mataram. (A restante entrevista faz-me vacilar entre o choro e o riso. Mas não vale a pena falar muito nisso. Afinal, para que serve um ministro da Cultura, para além de ser veículo para a intolerável “estatização” da criação artística? O ministério da Cultura não se discute. Extermina-se.)
Miguel Sousa Tavares, a propósito do convite feito pela Universidade de Columbia ao presidente iraniano e posterior recepção ao mesmo: Só um americano seria capaz de tamanha grosseria e falta de educação. Só “um” Miguel Sousa Tavares seria capaz de tamanha generalização grosseira. (A mesma frase com americano substituído por preto, chinês ou indiano seria imediatamente trucidada por todos. Como o bombo da festa são os americanos, o povo cala e consente.)
Local: Algarve; Portimão; um dos mais elegantes bares de Portugal. Elegante? O que teria passado pela cabeça do L. para decorar as prateleiras da forma que se pode ver na imagem? É regra, responde L., e a ASAE pode a qualquer momento escancarar-me as portas e deixar-me uma multa como recordação, uma multa por ter as garrafas em contacto directo com as prateleiras de madeira. Pois é, de acordo com o L., ter garrafas a tocar na madeira é ilegal. E a ASAE, que anda a aterrorizar gente honesta em Portimão, está aqui para nos proteger de nós mesmos, nem que seja de cara tapada e arma em riste. Como chegámos a este estado de insanidade? Um recente artigo na Visão dá-nos uma pista. E, já agora, adicione-se um elemento freudiano (...). Na infância, o líder da Autoridade recorda-se de ir a uma taberna numa aldeia em Santarém e de ver como se lavavam os copos, de dois e de três, passando-os primeiro num alguidar de água suja e depois noutro de água lavada. Prontos a servir ao cliente seguinte, que bem podia ser um tuberculoso. Estamos a pagar a terapia de um burocrata. Mas era bom que o homem se fosse tratar por conta própria.

Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às outubro 3, 2007 12:49 PM
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