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agosto 01, 2007
O Paizinho
I.
Esta semana, o Verão chegou finalmente e com ele novo alento para os burocratas. As temperaturas subiram acima dos quarenta graus e lá se ouviram os conselhos costumados da nossos “protectores” (civis): beber muitos líquidos, usar roupas leves, etc. Roupas leves? Ainda que bem me avisam, porque nos últimos dias estive indeciso entre o capote e o impermeável. O que seria de nós sem estes homens atentos e lestos, probos guardiões da nossa consciência colectiva? Mais ricos com certeza, porque debaixo de um Estado gordo só se encontram cidadãos espoliados. (Mas é sempre hilariante ver estes senhores, sentados nos seus gabinetes com ar condicionado, a tentar ensinar os alentejanos a lidar com o calor.)
II.
O governo português entrou no infame terreno das políticas de natalidade. O “engenheiro” no título do primeiro-ministro pode não passar de uma reles impostura, mas José Sócrates pelo menos já deu provas de se sentir à vontade na pele de engenheiro social. E é eficaz. À esquerda e à direita, o anúncio feito na semana passada agradou a quase todos. É natural. A maioria dos eleitores portugueses, independentemente da cor partidária, está contaminado pela crença nas virtudes divinas do Estado. O governo regula e interfere em assuntos privados? Não faz mal, é para isso que serve o Estado, para nos aliviar desse imenso fardo chamado “responsabilidade individual”. O governo conduz a nação com políticas colectivistas? O Estado tem que zelar pelo bem comum, nem que isso implique sacrificar o orçamento de alguns (muitos) cidadãos, ou mesmo devassar-lhes a vida privada e arrestar o outro fardo, a “liberdade individual”. Com um ambiente destes, ninguém se pode surpreender com a boa receptividade a essa coisa das “políticas de natalidade”. Lembrar que o Estado “dá” x, depois de tirar 2x, gastando o restante na Máquina, é inútil. Estamos a lidar com Fé, e a Fé não se discute.
III.
Os dois casos anteriores já são tão corriqueiros, espelham de tal forma a débil República que os portugueses ergueram, que nem vale a pena dar-lhes muita importância. Mas as notícias recentes sobre Lisboa e sobre alguns planos dos novos caciques (o Tó e o Zé) são muito mais preocupantes. Refiro-me à ideia de obrigar os construtores civis a vender 20% da sua propriedade a preço de custo. Chegámos à América Latina! A “chavização” do país prossegue a um ritmo imparável, e o Zé fazia falta para dar o empurrão final rumo ao abismo. Eu ainda não acredito muito bem naquilo que li e ouvi, e desejo que seja apenas uma piada de mau gosto. Mas se não for, espero que o Presidente da República justifique a sua existência, espero que actue com todas suas as armas constitucionais e que não poupe palavras duras quando se referir a mais um ignóbil episódio criado por um regime em putrefacção. Caso contrário, podemos dar o país por perdido (perdão, estou a ser condescendente, perdido já ele está há muito).
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às agosto 1, 2007 09:04 PM
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Comentários
Boa noite. De facto, parece que chegámos à América mas não à latina. A medida a que se refere não foi inventada nem por Chavez nem pelo Zé. A medida a que se refere, assim como o rendimento mínimo garantido, nasceu do "berço" do liberalismo económico actual (a famosa escola de Chicago e de homens como Friedman). Assim, antes de atacar uma medida verifique a sua origem já que não percebe que se destinam a fazer face a falhas no funcionamento dos mercados. Cumprimentos.
Publicado por: Manuel Martinho em agosto 4, 2007 11:00 PM
Ah, agora so socialismo e à viciação do mercado chama-se "fazer face a falhas no funcionamento do mercado"! Há falta de habitação, é?
No mercado das rendas também se fez coisa semelhante, e agora vê-se o resultado: desastre.
De tanto "colmatar" as falhas do mercado, os governos deixaram o mercado em estado "colmatoso".
Publicado por: CMF em agosto 5, 2007 02:06 PM
CMF:
Factos são factos, e o que Manuel Martinho afirma é a verdade dos factos: a medida anunciada, tal como o Rendimento Mínimo Garantido, fundamentam-se nas doutrinas da Escola de Chicago.
À medida outra que você refere - o congelamento das rendas - e que teve com efeito os resulatdos desastrosos a que você alude, falta-lhe este impecável pedigree liberal. Pelo contrário, foi posta em prática pelo regime de Salazar, que era tão liberal em matéria de economia como em matéria de política ou de costumes - isto é, nada.
Publicado por: José Luiz Sarmento em agosto 5, 2007 10:54 PM
Boa tarde!
Antes de mais,parabéns pelo blog!
Ainda por cima com um tema ligado ao dia-a-dia da maioria de nós!
Convido-o agora a visitar também a acrescentar o meu link à vossa barra de links laterais:
http://aguia-de-ouro.blogspot.com/
Obrigado!
Publicado por: Tó em agosto 6, 2007 01:02 AM
"Factos são factos, e o que Manuel Martinho afirma é a verdade dos factos: a medida anunciada, tal como o Rendimento Mínimo Garantido, fundamentam-se nas doutrinas da Escola de Chicago."
Dizer que o RMG se fundamenta nas doutrinas da Escola de Chicago (e penso que se deve estar a referir a Milton Friedman, a julgar por um comentário deixado noutro lado) é tãaaao forçado!
Quanto a "culpar" Friedman do limite de preços da habitação, também não compreendo. Ou estará a referir-se à primeira Escola de Chicago? É que são coisas muito diferentes.
Publicado por: CMF em agosto 6, 2007 02:39 AM