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maio 28, 2007

Mudar Espanha é Atraiçoar a Nossa Memória

Por aqui não temos o hábito de afagar as costas dos outros. Há regras estranhas de reciprocidade na blogosfera que temos evitado, pois a sinceridade não é fácil de avaliar quando se dialoga com um ecrã. Mas não posso deixar passar este texto do Fancisco José Viegas. Porque gostava de o ter escrito. Porque refere Pepe Carvalho, o detective que mais estimo. E porque, se Espanha morre, com ela se desaparece uma das principais razões para viver.

Zapatero irrita-me, e isto é absurdo. Irrita-me ele querer mudar Espanha, tornar Espanha «mais civilizada», a deitar-se a horas e a levantar-se para fazer jogging, a viver em ambientes saudáveis e livres do cheiro de Ducados e de canarinos (lembro-me sempre dos textos de Montalbán sobre o Condal n.º1, charuto de eleição de Pepe Carvalho). Irrita-me a legislação contra a siesta, aquele perfeccionismo intrometido na vida individual, que terá de passar a ser elegante, limpinha, nada promíscua, cheia de produtividade e de asseio. Mudar a Espanha é atraiçoar a nossa memória de bocadillos e de tortilla de bacallao y de patatas, de pesols a la catalana, de flamenquines asturianos, de conill a la brasa amb all i oli, de boquerones en vinagre, coquinas al ajillo, albóndigas con tomate ou cocido galego. (...)

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Carlos Miguel Fernandes, Barcelona, Setembro de 2006

Carlos Miguel Fernandes

P.S. A imagem em cima mostra a entrada do El Corral, a melhor tasca de Barcelona, e lugar de muita gordura e outros hábitos pouco saudáveis. É nestes lugares que a vida nos sabe melhor.

Publicado por CMF às maio 28, 2007 07:43 PM

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