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dezembro 18, 2006

Cocina

Em Portugal, Espanha motiva sentimentos fortes e, muitas vezes, pouco ajuizados. A gastronomia não é excepção, e mesmo da boca daqueles que já se deixaram fascinar por outras virtudes do país vizinho, ouve-se frequentemente: ...mas não se come bem. São casos perdidos. O outro mito português sobre a cozinha espanhola acredita que esta termina nas tapas, sendo os pratos mais substanciais uma raridade desprezada. Como muitos dos defensores desta ideia até se entusiasmam com o tapeo espanhol, as hipóteses de conversão, neste caso, são mais elevadas. O livro Recetario de Cocina Extremeña, editado pela Confraria Extremeña de Gastronomia, e comprado ontem (domingo!) numa óptima livraria no centro de Mérida, pode ser matéria de arranque para os cépticos. A lista é imensa. São quinhentas ou seiscentas receitas que pretendem representar a riqueza da cozinha popular de umas das regiões mais pobres de Espanha. Desde as entradas simples, com ovos, espargos ou cogumelos, até aos guisados mais pesados, temos ementa para muitas horas de experimentação nos tachos.
Na mesma livraria, encontrou-se uma pérola. Chama-se 3000 Años de Cocina Española, tem prefácio do mago Ferran Adriá, e conta a história das origens da cozinha espanhola moderna, através de receitas que remontam aos tempos anteriores à chegada dos Tirrenos e Fenícios à costa mediterrânica da península ibérica, cobrem as influências romana, árabe e judaica, e reflectem as novidades trazidas da América, a partir do século XVI. Uma obra que mostra a diversidade de influências a que foi sujeita a cozinha ibérica, e que ajuda a compreender o fulgor actual da gastronomia espanhola, que é sem dúvida, hoje (desde sempre?), a mais interessante do mundo ocidental.

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Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às dezembro 18, 2006 01:16 PM

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