novembro 21, 2009
A Decadência
Estas notícias mostram a decadência de um país sob o comando de um sacerdote da seita progressista. Estes comentários anunciam que o caminho que Espanha tem trilhado chegou a uma bifurcação e que agora enfrenta dois ramais, um que pode conduzir o país a uma situação perigosa, outro que o pode transformar numa anedota. Ou, pior ainda, podem acontecer as duas coisas simultaneamente, e teremos finalmente uma Venezuela na Europa (ou outra, dado o estado abjecto em que já se encontra a III república portuguesa), cumprindo-se assim o ideal de Mário Soares e do seu séquito de aprendizes. Esperemos que não seja tarde demais para inverter o rumo. Quanto à economia, já estamos resignados: os estragos causados pelo governo de Zapatero são irreparáveis a curto prazo.
Carlos Miguel Fernandes
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novembro 10, 2009
A Doença
A principal doença da Europa está sintetizada nas Niederkirchenerstrasse e Zimmerstrasse (contíguas). Há o Topographie des Terrors, um museu ao ar livre à espera de casa que evoca a Gestapo e as SS. O ambiente é fúnebre, e o “circo“ que ocupa grande parte de Berlim está ausente. A cerca de 100 metros, no cruzamento da Zimmerstrasse com a interminável Friedrichstrasse, está uma caricatura do Checkpoint Charlie, o mais famoso posto de controlo do Muro. Há lojas de recordações, uma réplica da cabina de madeira, retratos de soldados ao estilo de Thomas Ruff, vendas improvisadas que oferecem toda a espécie de memorabilia de Berlim Oriental (e havia também o magnífico Café Adler, agora fechado). É o centro do circo berlinense. A foice e o martelo estão por todo o lado. Apenas a foice e o martelo, ali, como em toda a cidade. Porque o outro símbolo, aquele que, antes do comunismo, começou a preencher de negro as páginas da história de Berlim, não pode ser exibido. Te(re)mos o futuro que merecemos.
(Também n'O Insurgente)
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às 04:36 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 06, 2009
Artistas e Cientistas
(...) podemos conjecturar (e talvez sentir, se envolvidos em tais actividades) que os processos e impulsos criativos têm a mesma natureza, na arte e na ciência. Quando Jack London escreveu (...) Há um êxtase que assinala o auge da vida e, para além do qual a vida não pode subir. (...) Este êxtase, este esquecimento da vida, sobrevém no artista, arrebatado a si próprio num relâmpago de fogo; sobrevém no soldado, enlouquecido pela guerra que num campo perdido se recusa a render-se, e sobreveio para Buck, à cabeça da matilha, fazendo ressoar o velho grito do lobo, lutando por um alimento vivo e que fugia velozmente diante dele à luz da lua (...)* podia ter recorrido à figura do cientista, pois embora menos romantizada pela literatura ou cinema, a imagem do "cientista louco" é também uma ilustração do esquecimento da vida. No entanto, para aqueles que escutam acriticamente o discurso de alguns intelectuais, pode parecer que a arte e a ciência dependem de processos mentais muito diferentes, e por isso terão necessariamente de estar de costas voltadas. Não é verdade, mas o facto é que, embora muitas vezes os objectos artísticos contemporâneos utilizem os resultados dos mais recentes desenvolvimentos científicos e tecnológicos, a postura é, em geral, de cisma.
(...)
Carlos M. Fernandes, in Consiliência (Inside [Arte e Ciência])
*Jack London, The Call of the Wild, (New York: Macmillan, 1903). Versão portuguesa: O Apelo da Floresta, (Lisboa: Relógio d´Água, 2009).
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novembro 03, 2009
Antes, como Agora
Ivan Ilitch, conselheiro do Supremo Tribunal, morrera aos quarenta e cinco anos. Era filho dum funcionário cuja carreira chegara àquela situação em que se verifica claramente a incapacidade dos que a ocupam para exercer qualquer função de responsabilidade; mas como não se podem pôr na rua, por causa das suas largas folhas de serviço e da sua categoria, arranjam-se-lhes lugares fictícios, como ordenados nada fictícios, que oscilam entre seis e dez mil rublos, que continuam a receber até à velhice.Lev Tolstoi, A Morte de Ivan Ilitch
Carlos M. Fernandes
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