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setembro 29, 2009

Manoel J. Florenço (1884-1962)

Inaugura hoje, dia 29 de Setembro, a exposição Manoel J. Florenço - Out of the Box, a primeira mostra do programa que estou a preparar para esta temporada que agora se inicia na P4Photography. As provas expostas foram impressas (e interpretadas?) por mim, usando os negativos originais do fotógrafo, em vidro, com 18x24cm (as provas foram feitas por contacto, logo têm a mesma dimensão). Edições de 20 provas, viradas a selénio. Está também disponível um livro da exposição aqui.
É na Rua dos Navegantes, 16, Lisboa, a partir das 19.00.

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Carlos Miguel Fernandes

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setembro 24, 2009

Curtas

A exposição Inside [Art and Science] inaugura hoje às 18.00 horas, na Cordoaria (Lisboa). Lá estarei com o meu "O Cavalo e as Formigas". Serão também editados um catálogo e um pequeno livro apenas com os textos (um é meu, os outros são do Leonel Moura e do Henrique Garcia Pereira).

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Madama Butterfly não é uma das óperas que eu levaria para uma ilha deserta e os trejeitos da Angela Georghiu irritam-me (as suas Mimis, que podem ser vistas no youtube, são um forte argumento em favor da censura). Mas se o Jorge Calado (que também não é um "admirador incondicional de Angela Georghiu") diz, na última edição do Expresso, que a nova gravação editada pela EMI é essencial, então é porque...é mesmo.

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Tenho assistido com grande pesar à queda de Espanha. Infelizmente, não há fim à vista pois Zapatero tem mais três anos para destruir um país que parecia, ainda há pouco tempo, ter-se libertado da maldição mediterrânica. O povo português, por outro lado, tem muita sorte: há eleições no próximo domingo e um fim possível para quatro anos miseráveis. Esperemos que esta grande oportunidade não seja desperdiçada (claro que o poço nunca tem fundo e há cenários sempre piores do que o anterior: imagine-se o Bloco de Esquerda no governo!).

Carlos Miguel Fernandes

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setembro 21, 2009

Fotografia em Budapeste

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Carlos M. Fernandes, Vintage Gallery, Budapeste, 2009

Passamos metade da vida distraídos. Vou a Budapeste desde 1997 e nunca reparei na Vintage Gallery, apesar de ter antes passado, e por várias vezes, na Magyar utca e no parque Karoly, a morada deste espaço dedicada à fotografia húngara, mesmo no centro da cidade. Na passada terça-feira visitei a galeria ao fim da tarde, vi a exposição de Lucien Hervé (1910-2007) — lá estavam as fotografias das obras de Le Corbusier (1887-1965), com quem o fotógrafo húngaro, nascido László Elkán, colaborou, de 1949 a 1965 — e falei com o director, Attila Pocze, que me ofereceu um catálogo de um surpreendente trabalho de Laszlo Káldor (1905-1963), exposto na galeria em 2002. Logo a seguir rumei ao Ludwig Múzeum, o que me custou uma longa jornada em três transportes diferentes, graças às obras da linha de eléctrico que percorre a marginal de Peste. Objectivo: a exposição de Robert Capa (até 11 de Outubro). Lá chegado, abatido por um longo dia e sem tempo para juntar a colecção permanente à visita, preferi a esplanada do museu, a dois passos do Danúbio.

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Carlos M. Fernandes, Ludwig Múzeum, Budapeste, 2009

No dia seguinte estive na Nessim Galéria, sita na Paulay utca, num dos meus bairros favoritos de Budapeste (entre a ópera e a sinagoga) e onde mais uma vez tive a sorte de pernoitar. O simpático director, Mihály Surányi, recebeu-nos com entusiasmo, falou-nos das fotografias do checo Ladislav Postupa (n.1929), que estão nas paredes da galeria desde 15 de Setembro, e apresentou-nos os trabalhos de alguns dos artistas representados pela casa. De dois deles, Ivo Přeček (n.1935) e Minyo Szert (n.1955), Mihály ofereceu-me os catálogos das suas últimas exposições (e tive o prazer de conhecer Szert, pois o fotógrafo estava na galeria nessa altura, um bom hábito que nem todos os artistas seguem). Talvez tenham nascido ali os alicerces de uma colaboração futura.

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Carlos M. Fernandes, Budapeste, 2009


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A etapa seguinte (e última) era a Casa da Fotografia Húngara. Sem uma exposição permanente, e com apenas uma mostra de fotografia astronómica (Space Imprints — Celestial Bodies and Phenomena), foi uma desilusão. Salva-se o edifício, construído em 1894 para o fotógrafo Manó Mai (1855-1917), com uma fachada revivalista e própria de outras paragens, e um estúdio de luz natural no último andar. Após uma rápida visita à interessante livraria, saí da Casa, sentei-me numa esplanada próxima, e preparei-me para desfrutar das últimas horas em Budapeste enquanto observava, invejoso, as pessoas a entrarem no Teatro de Ópera para assistir a Fidelio de Beethoven. Talvez um dia tenha o meu ano em Budapeste. Até lá, tenho que continuar com estas curtas visitas para manter viva uma longa relação.

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Minyo Szert

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 05:24 AM | Comentários (2) | TrackBack

setembro 12, 2009

Progresso

Estou em Madrid. Às 14.20 tenho um voo para Budapeste e ao fim da tarde espero estar no Castro com uma caneca de Pilsner Urquell e meia dúzia de cevapcici à frente (sim, uma mistura de República Checa com Sérvia no coração da capital da Hungria). Se o Castro já não existir, vou logo para o Bhoeme, um dos poucos bares no centro da cidade que transportaram até ao presente o ambiente decadente e trágico da Budapeste comunista. Se o Bhoeme já tiver sido tragado pela moderna Beograd Rakpart, vou ao Central Kávéház (Café Central) comer o fígado de ganso. Se entretanto transformaram o Central num banco ou em coisa parecida vou à ponte dos leões, olho uma última vez para o castelo, e atiro-me ao Danúbio. Fica isto como nota de suicídio.

P.S. O voo está atrasado. Podia estar na Taberna del Mozárabe, ali para os lados da Gran Via, a comer as melhores almôndegas do mundo, e estou no aeroporto a comer umas almôndegas medíocres e frias. Mas pelo menos a noite passada, embora curta, deu para matar saudades das ruas vibrantes de Madrid.

Publicado por CMF às 01:02 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 04, 2009

Pomposo, mecânico e desumano

Logo após a fundação do Segundo Reich e a proclamação de Guilherme I da Prússia como Kaiser, em 1871, Otto I escreveu uma carta ao seu irmão Luís II – rei da Baviera, a quem devemos a tri(+1)logia do Anel, de Wagner – na qual comentava assim as cerimónias que assinalaram o evento:

Não consigo dizer-te, Luís, quão infinitamente desgostoso me senti durante aquela cerimónia, quanto cada fibra do meu ser se revoltou contra tudo aquilo que presenciei. Foi tudo tão frio, tão orgulhoso, tão sumptuoso, tão ostentatório e pomposo e mecânico e desumano. Senti-me oprimido e completamente abatido naquele salão.
Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 12:14 PM | Comentários (0) | TrackBack