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março 30, 2009

Memória V

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Carlos Miguel Fernandes

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março 26, 2009

As Fúrias

All right, why is life worth living? That’s a very good question. Well, there are certain things I guess that make it worthwhile. Like what? Ok… for me, I would say, what, Groucho Marx, to name one thing, and Willie Mays, and the second movement of the Jupiter Symphony, and, uh, Louie Armstrong recording of “Potatohead Blues”, Swedish movies, naturally, Sentimental Education by Flaubert, Marlon Brando, Frank Sinatra, those incredible apples and pears by Cezanne, the crabs at Sam Wo´s, Tracy’s face.

Woody Allen, in Manhattan

O segundo andamento da Júpiter, a sinfonia 41 de Mozart, Andante Cantabile, é uma das coisas pelas quais merece a pena viver, sem dúvida, e também ajuda a suportar os reveses dessa mesma vida, ajuda, por exemplo, a suportar estar longe de Nova Iorque, de Manhattan, e se isso é tolerável, meus amigos, então qualquer infâmia pode ser contornada com a graça de um cavalheiro, mesmo quando os chacais se aproximam, mesmo quando se acercam famintos e oportunistas podemos enfrentá-los com a destreza de um guerreiro, com a força de Júpiter, com a garra que vai forçar Saturno a vomitar todos os filhos que engoliu, todas as vidas que adiou e algumas que arruinou, e ressuscitamo-los!, ah sim, ressuscitamo-los, degolamos os Saturnos que nos intimidam, e caímos, mas todos caímos um dia, por mais forte que pareça o pedestal, uns de pé, e outros joelhos porque não têm coluna vertebral que os ampare, mas a Júpiter de Mozart, essa não cai, nunca.
Sim, vale a pena viver, nem que seja pelo segundo andamento da Júpiter. Por outras coisas...nem um chavo, muito menos uma vida.


Carlos Miguel Fernandes

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março 24, 2009

Sobre Aqueles Que Pouco ou Nada “Servem”

As crises, nos países de cunho socialista, como Portugal, são particularmente devastadoras. A ilusão de igualdade, herdeira da infame Revolução Francesa, desfaz-se num ápice quando a economia estremece, e logo se revela a outra igualdade, a de Animal Farm (todos os animais são iguais, mas…). A sociedade divide-se então em duas classes: aqueles que vivem na sombra do Estado, e os outros, aqueles que, como se diz, vão fazendo pela vida, e que em muitos casos sustentam os vícios da outra metade. Pelo meio ficam alguns cidadãos, cada vez mais raros, que sempre perceberam e honraram as suas responsabilidades no “edifício” público. Não contam, pois rapidamente são engolidos pela avalancha. (Há ainda outros, aqueles que o sistema colocou entre a autonomia e o serviço público, que foram brindados com deveres sem nunca ter “os direitos”, e que servem o serviço público (!), inseridos numa espécie de meta-administração, ou parasitagem, se preferirem. Esses representam também um dos elos mais fracos.)

Dado este cenário deprimente, é melhor, para todos os que são arrastados, no início, para a margem, que a queda do sistema não seja amparada. Quando tudo arder, não haverá ninguém fora da arena onde se travarão os combates decisivos. A situação será particularmente cruel para aqueles que nunca entenderam bem o seu papel. Talvez nessa altura se arrependam de nunca terem reflectido, por exemplo, no facto do termo anglo-saxónico que designa a sua função ser public servers.

Carlos Miguel Fernandes

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março 22, 2009

Arte Artificial

Inaugurou ontem a exposição ROBOT ARTe, de Leonel Moura, na Galeria Ogiva, em Óbidos. A convite do artista, escrevi o texto para o catálogo, o qual aborda, em geral, as ligações entre Arte e Ciência, e em particular a Arte Artificial. Começa assim:

Na ciência, como na arte, a inspiração é o miliário que assinala o início de mais um longo período de trabalho árduo e estudo intensivo. A célebre história da maçã de Isaac Newton (1643-1727) é o símbolo perfeito da inspiração — ou salto criativo —, seja artística, seja científica (se é que é possível distingui-las). O detalhe escondido que subitamente se revela e ilumina o todo; a argamassa que dá consistência a pensamentos dispersos; o passo decisivo que põe fim a um percurso titubeante. São estes os significados da maçã de Newton e do banho (eureka!) de Arquimedes (c. 287 AC-c. 212 DC). O sonho de Albert Einstein (1879-1955) sobre a solução da teoria geral da relatividade, ou a súbita visão de François Jacob (n. 1920), quando, num teatro parisiense, percebeu como os genes interagem para gerar vida, são algumas das manifestações modernas dessa “antiga” tradição. A arte, embora menos dependente de normas e verificação, é também pontuada por saltos criativos.
Veja-se, por exemplo, Wassily Kandinsky (1866-1944), quando afirmou que o seu Painting With a Circle (1911) foi o quadro abstracto primordial. Kadinsky classificava assim o resultado de um processo em curso, pessoal, no qual os motivos vinham sendo gradualmente desnaturalizados. Mas nesse trabalho em particular, e ao contrário dos anteriores e de alguns posteriores, ocorreu uma mudança radical: já não é reconhecível qualquer figura para além dos círculos, uma forma recorrente no seu período abstracto. Aparentemente, Painting With a Circle não foi um dos trabalhos favoritos de Kandinsky logo após a sua concepção; só mais tarde o pintor reconheceu as implicações da ruptura. Outro exemplo é a carreira de Jackson Pollock (1912-1956), que não começou com o artista a salpicar com tinta uma tela estendida no chão. No filme Pollock (2001), Lee Krasner (a sua mulher, interpretada por Marcia Gay Hardner), quando vê o resultado da primeira experiência do pintor com a técnica recém-descoberta, diz conseguiste Pollock, abriste novos horizontes. Essa cena (dramatizada) retrata a ideia estabelecida do artista a abrir horizontes após um momento de inspiração.
Mas o salto não é o único elo entre a arte e a ciência. Nos dois campos é notório que a preparação e a reflexão, sobre um problema ou sensação, precedem a explosão criativa; e, depois da inspiração, vem a confirmação ou aperfeiçoamento do conceito. Há muitas teorias “bonitas” que são rejeitadas sem nunca terem sido publicadas mas o mesmo se passa no âmbito das artes, com os seus desanimadores becos sem saída. Após ser bem sucedido nos primeiros passos, um cientista alcança uma melhor compreensão e aceitação do tema, testando a teoria e submetendo-a a um processo metodológico de refutação. Um artista embrenha-se no sujeito, aperfeiçoa as suas ideias e apura a sua visão. O acaso, ou aleatoriedade, também tem um papel crucial neste processo. Há muitas ideias que são descartadas depois de perscrutadas; tanto os artistas como os cientistas sabem o que é enfrentar um final inglório de uma ideia promissora. A centelha cognitiva — o salto — que nos ajuda a resolver o problema, alcançar o estágio seguinte, ou alargar os horizontes criativos é provavelmente uma componente comum de dois métodos muito parecidos, ou talvez, mesmo idênticos.
Por outro lado, é esta noção de salto criativo que afasta muitos filósofos e cientistas do conceito de mente algorítmica, pois não acreditam que o processo evolutivo possa gerar um sistema capaz dessa súbita percepção, ou intuição. Alguns sustentam as suas objecções na física quântica; outros agarram-se ao vago conceito de holismo. Mas, a não ser que acreditemos em “ganchos celestes” (uma expressão cunhada por Daniel Dennett para descrever uma origem de complexidade que não foi guiada pela evolução), parece não haver alternativa a uma representação computacional da mente, pelo menos se considerarmos o conexionismo e a auto-organização como extensões ou complementos dessa linha de pensamento, e não como movimentos opostos. De facto, as ciências da complexidade — a disciplina que estuda os sistemas complexos adaptativos e a emergência de complexidade — não só deram um novo fôlego à velha inteligência artificial e à robótica, demasiado dependentes da manipulação de símbolos associada à GOFAI (acrónimo de Good-Old-Fashioned-Artificial-Intelligence), como também contribuíram para uma visão alternativa dos mecanismos da mente humana. As ciências da complexidade e o (novo) conexionismo têm lançado alguma luz sobre este problema e, gradualmente, vão afastando o misticismo que rodeia o comportamento emergente e complexo de alguns sistemas. Voltaremos a estes temas mais tarde. Para já, vamos abordar alguns diálogos históricos entre arte e ciência.(...)
Carlos M. Fernandes, in ROBOT ARTe

Carlos Miguel Fernandes

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março 21, 2009

Fotografia e Utopia

Excertos dos textos que acompanham duas exposições de fotografia que se podem ver nesta altura em Lisboa.

(…) A exposição New Topographics: Photographs of a Man-Altered Landscape, na qual Robert Adams participou, ajudou a redefinir o documento fotográfico em relação à cidade, numa época em que a cidade se estava a converter num território parecido com o que vivemos hoje - a cidade neoliberal, privatizada. Eles começam a mostrar esta realidade no momento em que começou a acontecer. (…)

Jorge Ribalta, sobre a exposição Arquivo Universal - A condição do documento e a utopia fotográfica moderna (no CCB)

(Cidades neoliberais?, esta é nova…)

(…) Alexandr Glyadyelov, polaco de origem e ucraniano de alma, luta, através do seu trabalho como fotógrafo, para mostrar que nada mudou. A opressão continua na Grande Rússia. Povo endurecido pela revolução de 1917, massacrado durante a Segunda Guerra Mundial, privado de tudo durante os anos da Guerra Fria e a quem foi finalmente dada a ilusão de liberdade depois da queda do muro. (…) Alexandr Glyadyelov faz parte deste povo. Escolhe como sujeitos as crianças abandonadas das ruas de Kiev, os toxicodependentes de Odessa e os esquecidos nos gulagues siberianos do século XXI. (…)

Paulo Nozolino, sobre a exposição The Prison Within, de Alexandr Glyadyelov (em breve na Pente 10).

(Ficamos a saber que a Revolução de 1917 endureceu os russos. Mas não ficamos a saber nada sobre os massacres anteriores à Segunda Grande Guerra. Ah, mas ficamos a saber que os russos ficaram privados de tudo durante a Guerra Fria — e antes?, e que a queda do Muro não trouxe mais do que uma ilusão de liberdade. Fantástico.)

Publicado por CMF às 05:42 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 19, 2009

Victor Palla (Debate)

Hoje, sexta-feira, às 21.30, João Palla, André Príncipe e Alexandre Pomar vão estar na P4Photography para conversar sobre o trabalho de Victor Palla.

Victor Palla (1922-2006) is best known worldwide for his photobook Lisboa, Cidade Triste e Alegre (1957-59) (Lisbon: a Sad and Joyful City), the visible legacy of a project with the same name that was exhibited in Lisbon in the 1950s, co-authored by Costa Martins. But Palla’s body of work goes well beyond that magnum opus. In fact, his artistic achievements are not confined to photography. Palla was a painter, a ceramist and a graphic designer. He was also a publisher and translator, and he owned a gallery in Lisbon. Besides all these creative activity, Palla still managed to excel in his main career: architecture. As written in the catalog of Vitor Palla’s Auction (P4Photography, May 2008), he (…) became one of the main architects responsible for the modernization of Portuguese architecture, following the international Style principles in a very radical way, under a Brazilian influence.

In 1982, Antonio Sena and the legendary Ether gallery in Lisbon redistributed Lisboa, Cidade Triste e Alegre. Sena, the renowned historian of Portuguese photography, probably kept Palla’s achievements from fading out into oblivion and he sure was the main responsible for the book to gain international reputation. That reputation reached its peak when Martin Parr and Garry Badger selected Lisboa... for “The Photobook”, in 2004.

P4Photography took the decisive step in the revitalization of Palla’s work, with the auction in 2008. Continuing the commitment to his art and ingenuity, P4Photography gallery presented, in the beginning of 2009 (until March 24), an exhibition of Palla’s vintage photographs. Finally, next Friday’s debate will join João Palla, André Principe and Alexandre Pomar in the house that devotedly nourishes Victor Palla’s legacy.

Carlos Miguel Fernandes

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Coisas Simples

Pulpitos no forno, numa adaptação de uma magnífica receita croata de polvo.

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Carlos Miguel Fernandes

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março 16, 2009

Campanha Negra

(Publicado ontem no Insurgente.)


(…) as lendas atraem o escol como as ideologias atraem os homens comuns e como as descrições de “terríveis” forças ocultas atraem a ralé e a escória. (…)

Hannah Arendt, As Origens do Totalitarismo

Há algumas semanas surgiu na imprensa portuguesa uma crónica burilada por pena servil que, sem medo de cair no ridículo (e aqui não sei se devemos louvar a coragem ou lamentar a insensatez), aproveitou o alvoroço em redor do caso Freeport para sugerir um paralelo entre o primeiro-ministro português e Dreyfus, o oficial judeu do exército francês que no final do século XIX se viu involuntariamente envolvido numa trama de dimensões inconcebíveis. (É verdade que a crónica nunca esclarece os seus propósitos, mas o debate que se seguiu permite-me abordar o assunto por esta perspectiva sem recear estar a cometer uma injustiça). A irreflectida analogia já foi suficientemente denunciada por muitos que, contra ventos e marés, insistem em manter uma postura de lucidez e não embarcam na chavização do espaço público, e talvez já seja assunto do passado neste mundo acelerado dos blogues. Mas não sei se foram ao cerne da questão.

Dreyfus foi um alvo fácil num fin de siécle anti-semita que haveria mais tarde de atear chamas a toda a Europa. Os manipuladores apontavam o dedo a “forças ocultas”, e viam conspirações em cada esquina, ou pelo menos tentavam inculcar no povo essa crença. Dreyfus, por uma armadilha do destino, foi eleito como o rosto visível de uma putativa “campanha negra” contra o Estado francês. Não sei se percebem onde quero chegar. Sócrates não é um Dreyfus contemporâneo. Sócrates é uma manifestação actual — uma cópia inconsciente? — dos demagogos que incendiaram a turba que condenou o oficial judeu na praça pública. Repare-se no discurso do primeiro-ministro no último congresso do PS! Palavras daquelas só podem mesmo atrair a ralé e a escória, e perdoem-me aqueles a quem a carapuça serve, ou aqueles que enfiam o barrete, que é expressão distinta — conquanto ainda no registo dos afagos da moleirinha — mas que também se ajusta bem aqui.

Não, Sócrates não é Dreyfus. Quanto muito seria Edouard Drumont, se também quiséssemos entrar nestas comparações estapafúrdias, que tentam urdir ligações entre um caso que marcou a História do século XX e as prevaricações de um pobre diabo com aspirações a tiranete.

Carlos Miguel Fernandes

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Touros

Começou a temporada e o “fenómeno” José Tomás avisa que está aqui para mais um ano nos píncaros da glória, perto do céu*:

El esperado inicio de temporada de José Tomás no decepcionó a nadie. La plaza de toros de Valencia colgó el “no hay billetes” para la primera corrida del año del genio de Galapagar, que redondeó una gran tarde de toros y salió a hombros tras cortar una oreja de cada uno de sus enemigos.

*Literalmente, porque Tomás é um dos poucos que interpreta hoje o confronto homem-besta de uma forma “pura”, sem esquivas, e ou sai em ombros pela porta grande ou sai numa ambulância. Um dia talvez lhe toque a (única, para ele) terceira hipótese. Esperemos que não.

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março 14, 2009

O País Visto de Longe XXI

(Publicado também no Insurgente.)

Leio e nem acredito. Dos deputados socialistas esperamos tudo. A sua fúria legisladora aliada ao pouco respeito que a Liberdade lhes merece não pode dar bons resultados. Mas o que não me deixa de surpreender é a passividade de uma das alas do panorama político português. Apenas cinco deputados votaram contra a proposta de lei do PS que pretende regulamentar a quantidade de sal no pão! Cinco! Portugal não é um país, é uma prisão.

Carlos Miguel Fernandes

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março 13, 2009

six pieds sous terre tu frères encore

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março 09, 2009

Aceitamos?

(Publicado ontem no Insurgente)

Claro que aceitamos. Aceitamos tudo. Aceitamos isto e muito mais. Aceitamos, para começar, a existência de um cartão de identificação; aceitamos sujar o dedo com tinta e deixar nos registos uma impressão digital, como se todos fôssemos criminosos ou potenciais criminosos. Aceitamos também que os nossos nomes estejam limitados a uma lista elaborado pelo Estado. Aceitamos de tal forma as ordens “superiores” que qualquer voz que se manifeste contra estas e outras “instituições” é recebida com aquele esgar que se costuma guardar para os loucos. Por que razão é que não haveríamos de aceitar isto?

Carlos Miguel Fernandes

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março 08, 2009

Peter Brown (1943-2009)

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Luís Trindade, Pete at P4Photography, Lisbon, November 2008

I have reached the age were years do not count, only experience. I moved to Spain, the southern city of Granada, just over 5 years ago after several different careers with my wife Consuelo. Originally to look after her aging mother. Since then sadly both mother in Law and Consuelo have died, Consuelo particularly untimely. So far I have decided to stay in Spain but I remain open minded at the moment and wait to see what the future holds.


Good night sweet Prince, and flights of angels sing thee to thy rest. We will be crying and grieving for a long time "down here".

(...but I can't promise you that I won't turn myself into a granadino, Pete...)

Carlos Miguel Fernandes

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