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janeiro 31, 2009
Ainda a Pherographia
A Pherographia no Special Interest Group on Genetic and Evolutionary Computation (SIGEVO) da Association for Computing Machinery (ACM):
Carlos M. Fernandes, A Camera Obscura for Ants, SIGEVOlution, Vol. 3 (2), pp. 9-16, 2008
Este artigo é uma versão curta de um texto que aguarda publicação, e do qual darei novidades daqui a alguns meses.

Carlos M. Fernandes
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janeiro 29, 2009
O País Visto de Longe XX
Eu sei que a frase já não causa grande efeito, mas vou tentar outra vez: o Primeiro-Ministro usou o dinheiro dos nossos impostos para nos mentir.
Ética Republicana, por Pedro Picoito no Cachimbo de Magritte
Não é preciso dizer mais nada.
(A morte de Siegfried, a personagem que Wagner tanto acarinhava quando começou a escrever o Anel. Nessa altura, o compositor ainda perfilhava ideias socialistas e revolucionárias, mas com a idade veio maior sageza e espírito crítico. Siegfried morre como um pobre diabo, um “herói” imaturo cuja queda nem sequer nos provoca muita comiseração. Um mito oco, vazio, que se esfuma, mas só quando o mundo já está de pernas para o ar.)Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às 02:19 PM | Comentários (1) | TrackBack
janeiro 28, 2009
Inverno
Este relato do inverno lisboeta feito pelo meu amigo João podia ser facilmente transposto para Granada se lhe acrescentássemos uma dose extra de rigor invernal (a serra não brinca!) e se lhe retirássemos os quatro últimos quadros. Não é que Espanha seja avessa à família e às virtudes do seu resguardo, muito pelo contrário, mas a calle está sempre em primeiro lugar, esteja a nevar, a chover ou a granizar (e nas últimas semanas a coisa não fugiu muito a esta trilogia meteorológica). Não!, um relato do inverno granadino nunca poderia terminar com um refúgio em casa e uma lareira. Talvez com um passeio pela avenida, uma taberna, e uma conversa de barra. A casa ficaria para mais tarde. A sequência não parece muito lógica, mas isto é Espanha, meus caros, e a lógica é outra. Se querem um cantinho numa taberna, ou apenas cobiçar as montras, não se fiem nas temperaturas negativas e nos ventos ameaçadores porque estes pequenos espasmos da natureza não assustam gentes inquietas: há que porfiar e furar a multidão que ocupa as ruas e até o mais escondido tasco de bairro. É por isso que tremo perante a mais remota possibilidade de ser obrigado a voltar para Lisboa. Tremo de medo ou de frio, não sei bem. O frio é muito subjectivo. Uma rua vazia pode assustar-nos, mas também gelar-nos a alma.
Carlos Miguel Fernandes
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janeiro 26, 2009
O País Visto de Longe XIX
LA STATUA:
Don Giovanni, a cenar teco
M'invitasti e son venuto!
(Cresce il fuoco, compariscono diverse furie,
s'impossessano di Don Giovanni
e seco lui sprofondano.)
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às 06:15 PM | Comentários (3) | TrackBack
janeiro 24, 2009
Mais uns dias

Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às 09:50 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 21, 2009
O País Visto de Longe XVIII
(Publicado ontem no blogue Insurgente)
Os socialistas têm dois passatempos muito pouco recomendáveis: extorquir os contribuintes e invadir descaradamente a esfera privada dos cidadãos. A devassa pode até começar num registo discreto, mas logo desliza para uma espécie de fúria legisladora. As recentes notícias sobre a regulamentação da quantidade de sal no pão anunciam apenas outro jorro dessa avalancha que há muito asfixiou os cidadãos portugueses, pelo menos aqueles que, vá-se lá saber por que razão, têm um certo apreço pelo conceito de responsabilidade individual. A coisa não vai parar por aqui, até porque, creio, esta rede que os legisladores vêm tecendo, e que cada vez mais nos tolhe os movimentos, resulta, em parte, da convicção de se estar a praticar o Bem. E há poucas coisas mais difíceis de travar do que um Bom Samaritano auto-designado.
Entretanto, a deriva higienista do regime português, e a comparação com o que se passa deste lado da fronteira, vai alimentado a minha (antiga) admiração por Espanha. Este povo pouco dado a regras saiu quase ileso de quatro anos de um governo ultra-progressista, com uma agenda prenhe de projectos de engenharia social e portador da enfermidade a que chamamos “politicamente correcto”. É obra. E agora os espanhóis podem baixar a guarda, pois a realidade caiu como uma bomba na Moncloa e este segundo executivo de Zapatero não vai ter condições para colocar em prática o seu plano sinistro de uma Nova Sociedade. (As razões são as piores, eu sei, mas há que encontrar uma fresta de esperança nestes céus estranhos, mas nada inesperados, que se abateram sobre Espanha.) Por isso, meus caros, se gostam de respirar uns arzinhos de liberdade − e enquanto os seus últimos vestígios não desaparecem definitivamente da Europa − Espanha é o país a visitar, ou mesmo o sítio ideal para se viver. Só é pena que o pão espanhol, ao contrário de todos os outros itens da sua gastronomia, raramente iguale as qualidades do pão português. Mas os deputados socialistas já estão a tentar remediar essa situação, não é?
Carlos Miguel Fernandes
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janeiro 20, 2009
Gostar de Espanha II
Miles Davis toca Will O' the Wisp, com Paul Chambers no contrabaixo e Jimmy Cobb na percussão, e direcção musical de Gil Evans. O tema pertence ao disco Sketches of Spain (1960), um clássico do jazz inspirado no Adagio do Concierto de Aranjuez − escrito por Joaquín Rodrigo (1901-1999) em 1939 −, e em outras composições e sonoridades espanholas. Will o' the Wisp é uma versão instrumental da Canción del Fuego Fatuo, da gitanería El Amor Brujo, composta por Manuel de Falla (1876-1946) em 1915 (mais tarde alterada e transformada em ballet com três árias). Falla, compositor de pendor clássico e ilustre residente em Granada entre 1921 e 1939, foi o principal organizador do Concurso de Cante Jondo, uma mítica celebração do imemorial estilo vocal andaluz que teve lugar em 1922 no Alhambra. Cante jondo, flamenco hondo, fundo, profundo, em que o h que se transforma em j com o acento andaluz, ou com os muitos acentos andaluzes, pué Graná también tiene su dialecto, y si tu vienes paca te vas a quedar atontao con er acento granaíno.
Lo mismo que er fuego fatuo,
lo mismito es er queré.
Le huyes y te persigue,
le yamas y echa a corré.
Carlos Miguel Fernandes
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janeiro 19, 2009
Memória IV

Publicado por CMF às 03:24 AM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 14, 2009
Pausa
...enquanto faço as malas e me mudo do Atlântico para o Insurgente. (Depois da revista, terminou também o blogue. Independentemente do desfecho, há que saudar o projecto e todos aqueles que nele colaboraram, e dar os parabéns ao Paulo Pinto Mascarenhas, pela hábil liderança e por atirar uma pedra para o "charco".)
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às 05:34 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 06, 2009
Gostar de Espanha
Cecilia Bartoli canta a ária Yo que soy contrabandista, do monólogo de Manuel del Pópulo Vicente García (1775-1832), El Poeta Calculista. Podem encontrar o tema em Maria, o disco de 2007 no qual Bartoli faz uma incursão no primeiro período do Romantismo, em forma de homenagem à meio-soprano Maria Malibran (1808-1936), filha de Manuel García. Parece que Bartoli pensou seguir uma carreira de bailarina de Flamenco antes de encarrilar definitivamente no canto. Não lhe ficava mal, mas está muito bem assim.
Yo que soy contrabandista
Y campo por mi respeto,
A todos los desafío,
Pues a nadie tengo miedo.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às 07:30 PM | Comentários (4) | TrackBack
janeiro 05, 2009
Reis
Enquanto em Portugal e noutros países da Europa as festas já ficaram para trás e até a ressaca esmoreceu, em Espanha a folia tem hoje um dos seus pontos altos. Nesta véspera do dia de Reis, o tradicional cortejo (o mais antigo de Espanha) já percorre a maioria das cidades, e aqui em Granada já deve ir a meio da Gran Via. A noite promete ser longa porque amanhã é feriado. E para alguns felizardos as celebrações só terminarão na madrugada de quarta-feira, já num registo épico, pois às oito da manhã começa o sorteio do El Niño. Havendo saúde, e avaliando a coisa no contexto dos Estados-nação e não das cidades – e esquecendo por um momento o País Basco e os pulhas da ETA −, este é provavelmente o melhor país do mundo para se viver.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às 06:55 PM | Comentários (0) | TrackBack
janeiro 04, 2009
A Ideologia do Género
Já assisti a algumas defesas de teses de mestrado e doutoramento, mas apenas uma se pode classificar na categoria Ciência Sociais. No final da apresentação, um dos membros do júri, após despejar duas ou três banalidades que talvez tenham justificado a sua deslocação e, quiçá, algumas despesas, insurgiu-se contra a forma como o mestrando havia escrito as referências. Ao usar apenas a inicial do nome próprio, o aluno não permite perceber se o autor é um homem ou uma mulher (por exemplo, C. Fernandes pode ser Carlos Fernandes ou Carla Fernandes), disse o preocupado docente. Fiquei espantado com a caricata objecção e posterior argumento. Um membro da Academia a dar relevância ao sexo de um investigador!? Depois percebi. Não era uma questão de sexo. Estávamos perante um rematado seguidor da “ideologia do género”. Não deixa de ter piada, no entanto, que esta linha avançada do progressismo salte, sem rumo, entre diferença e igualdade, entre a necessidade de valorizar o trabalho de uma mulher apenas por ser mulher (porque era disto que se tratava), e a ânsia de esbater todas as disparidades e transformar homens e mulheres numa massa andrógina. Neste estranho caso das citações, a ordem era diferenciar (que é sinónimo de discriminar). Noutros, até a cor da fatiota das crianças é castradora, reaccionária e um instrumento para uma construção do género baseada no preconceito. O mundo, por vezes, é engraçado. Mas perde a piada quando percebemos que esta gente tem lugar de relevo na estrutura de ensino de um país.
Publicado por CMF às 11:46 PM | Comentários (2) | TrackBack
janeiro 01, 2009
Memória III

Carlos Miguel Fernandes
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