« maio 2008 | Entrada | julho 2008 »

junho 30, 2008

O Iluminado

"É altura de a Europa apostar nos carros eléctricos", disse o primeiro-ministro. Ah, pronto, se ele o diz deve ser verdade! Afinal, toda a gente sabe que é da cabeça destes iluminados, formados a preceito nos gabinetes da burocracia, que vêm as grandes ideias do “progresso” científico. Veja-se o caso dos bio-combustíveis, esse investimento inadiável, esse desígnio da humanidade! E ainda se lembram de uma recente “grande ideia” europeia, criar um motor de busca, com investimentos públicos, para combater a hegemonia do Google?
A mesma notícia diz: Com a pressão da escalada dos preços do petróleo, as tecnologias de energia potencialmente mais limpas, como a electricidade, tornaram-se mais atractivas. Contudo, para acelerar a resolução dos problemas com que esta tecnologia ainda se debate até chegar à sua industrialização, o sector necessita não só de grandes volumes de financiamento mas de políticas públicas de incentivo. Mais atractivas, mas ainda dependentes do dinheiro público? Que as empresas estendam a mão aos Estados não me surpreende nem me choca. Fazem apenas o seu papel, jogam com todas as peças que estão no tabuleiro. O que devia ser alvo de revolta popular é a forma como sucessivos governos dispõem do dinheiro dos contribuintes com se este não fosse o fruto do seu trabalho, extorquido para alimentar uma máquina que não dá sinais de redução de despesa. Mas a Europa, criada na cultura da subsidiodependência, e embora definhando à vista desarmada, recusa encarar a realidade, preferindo distorcê-la e culpar um tal de “neoliberalismo” (que ninguém sabe muito bem o que é, muito menos num continente dominado pelo socialismo) por todos os males que nos assolam. Há muita gente a precisar de lições de Economia. E de História, já agora…

(Leitura complementar.)

P.S. A mais recente diabrura dos governos europeus foi denominada como a “taxa Robin dos Bosques”: mais um imposto sobre os lucros das petrolíferas. Não sei se deva lamentar o hipotético défice de cultura dos líderes dos governos europeus, ou a conjectura, mais plausível, de que nos tomam por parvos. Relembro os mais desatentos que Robin dos Bosques combatia a tirania fiscal do príncipe João. O Robin dos Bosques não cobrava impostos, combatia a sua cobrança. Roubava aos ricos, sim, mas neste caso “o maior rico” é o Estado, gordo e vicioso até à náusea. Façamos todos de Robin, e roubemos o Estado através da única arma que nos resta: a fuga fiscal.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 05:34 PM | Comentários (3) | TrackBack

junho 28, 2008

Quia in Inferno Nulla Est Redemptio II

A Alemanha, 10 anos após o advento da pequena religião, estava transformada num monte de ruínas. As bibliotecas, os palácios, as universidades, o casco medieval dos burgos, mais as catedrais, os laboratórios, os hospitais, as estações, os aeroportos - tudo o que fazia da Alemanha a maravilha de uma Europa antiga mas actuante e na vanguarda do pensamento, das artes e da ciência, acabou. Faz hoje 67 anos que a Europa se suicidou.
Miguel Castelo-Branco, no blogue Combustões


Cracovia 58-11b.jpg
Carlos M. Fernandes, Cracóvia

Quia in Inferno Nulla Est Redemptio

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 01:42 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 24, 2008

Receitas do Sul

Ervilhas com Ovos é um dos pratos mais conhecidos da gastronomia algarvia, a melhor de Portugal. Ervilhas e ovos, como dita o nome, um pouco de carne (entremeada, toucinho, enchidos), e ervas frescas. Simplicidade e perfeição: o que fazer perante esta evidência? Reflectir um pouco, apurar e separar sabores e dar outra roupagem à receita, tudo isto sem a adulterar. Aqui está o resultado:

Ervilhas2.jpg
Carlos M. Fernandes

Do lato esquerdo temos o creme de ervilhas: os grãos triturados com a água da cozedura e com alguns ramos de coentros, bem frescos, para começar a compor o bouquet (o cheiro, sempre importante em qualquer prato, é, neste, personagem principal). No meio, a entremeada, o chouriço de carne (de Barrancos, sempre) e o toucinho fumado, fritos num refogado, ao qual foi acrescentado poejo e um pingo de vinagre de Jerez. Ao lado, o ovo “escalfado” de Arzak, cozido em vapor dentro de película aderente, com um fio de azeite para não colar (um azeite de trufas dá a este prato um último toque de "terra", um aroma sublime, a cereja no topo do bolo), flor de sal, pimenta branca, coentros e salsa. Um ramo de poejos para decorar o prato, e já está! Bom proveito.

Como entrada, pode ser servida esta variante da tradicional receita de amêijoas. Com bichos da Ria Formosa e pão algarvio, claro, porque substitui-los é pecado!

Ameijoas1b.jpg
Carlos M. Fernandes

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 04:10 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 23, 2008

Quia in Inferno Nulla Est Redemptio I

O narrador de Austerlitz representa o europeu de hoje, paradoxalmente esmagado pela insustentável falta de memória dos países europeus. Na Europa actual, o tempo não fluí normalmente entre o passado, o presente e o futuro. Vive-se um presente perpétuo sem ligação ao passado. E sem esse ponto de referência vital, o passado, a Europa fecha-se numa espiral ensimesmada. O vórtice desta espiral é, claro, a amnésia voluntária.
Henrique Raposo, no blogue da Atlântico


Berlim 3.jpg
Carlos M. Fernandes, Berlim

Quia in Inferno Nulla Est Redemptio

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 04:38 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 21, 2008

Un Regalito Para Mi II (ou, Tramado, pá!)

Ireland, de Dorothea Lange. Primeira edição de 1996. Encontrado num alfarrabista da calle Gracia há cerca de dois meses. Irlanda.

51WE5T97YTL._SL500_AA240_.jpg

Dorothea Lange nasceu em Hoboken em 1895 e é um dos nomes incontornáveis da História da Fotografia. Da sua longa e prolífica carreira destaca-se a participação no projecto de Roy Striker, integrado na Farm Security Admnistration, e que almejava retratar uma América devastada pela grave crise dos anos 30 do século passado. Foi, com Lewis Hine e outros repórteres da primeira metade do século XX, precursora do humanismo que, mais tarde, marcou outros colectivos de fotógrafos, como a agência Magnum (humanismo que, na agência em causa, ficou irremediavelmente abalado pelo cinismo, e génio, de Martin Parr). Morreu em 1965.

(Walker Evans, o Grande, também passou pelo grupo FSA, mas por pouco tempo. Individualista, ciente do poder e originalidade da sua visão, não se adaptou às directrizes de Striker, que via o grupo como uma unidade sem lugar para a vontade própria dos seus membros. A fotografia de Evans sempre foi apolítica, mesmo quando, nalguns retratos feitos nos anos 30, muitos encontravam sinais de “denúncia”. É conhecida a história de Cuba: quando Evans foi convidado para ilustrar um livro do jornalista Carleton Beals, sobre a opressão política e a miséria que dominava a ilha, Evans perdeu-se nos encantos de Cuba, embriagou-se com Hemingway, e as suas imagens acabaram por retratar o exotismo, e não, como pretendia Beals, a pobreza do país.)

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 02:13 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 17, 2008

Ya es una Leyenda

O Nicolas, dono e senhor da magnífica taberna Sabugo, situada na calle Socrates e palco dos melhores presuntos e embutidos andaluzes, bem me avisou: José Tomás era o nome mais importante do cartaz do Corpus, imperdível. Pois era, e por isso a casa já estava esgotada muitos dias antes da corrida. A escolha, forçada, foi outra, e perdemos uma faena quase perfeita. José Tomás levou, de Granada, três orelhas e um rabo, e saiu em ombros.
José Tomás há muito que ameaçava a entrada na galeria do deuses. Transporta a aura das lendas. Marcou com cunho forte os anos noventa, triunfou em Madrid, saiu pela porta grande da Maestranza e da Monumental de Barcelona, mas em 2002 afastou-se das lides, e só regressou em 2007, para grande alegria e alívio dos seus admiradores, que não encontravam gáudio algum em sucessivas temporadas sem sua a presença. Chegou à Corpus de Granada com o estatuto em alta, talvez como o mais importante toureiro em actividade. Mas foi em Las Ventas, no passado dia 5, que José Tomás acedeu à tribuna dos mitos, com uma tarde que, contam os aficionados, é fronteira para um antes e um depois no toureio. O feito abriu noticiários e fez manchete dos jornais. Ya es una leyenda, clamava o El País no dia seguinte, na primeira página. Na difícil praça de Madrid alcançou aquilo que o público não via há mais de 30 anos: quatro orelhas e saída pela porta grande. Ontem, dia 15, voltou a Las Ventas, cortou três orelhas, mas desta vez foi colhido (e também por três vezes). Arrisca. O público não pede música, apenas silêncio. Sente-se a Morte. Desde o dia 5 de Junho, desde o marco que deixou em Las Ventas, José Tomás já não pertence apenas ao mundo dos vivos. Está algures num limbo, um corpo mortal que deixou já uma inscrição para a posteridade. E isso costuma pagar-se com a vida.

Las Ventas, 5 de Junho de 2008

Carlos Miguel Fernandes


Publicado por CMF às 04:26 AM | Comentários (2) | TrackBack

junho 12, 2008

O Cobarde

Sócrates, o Cobarde. Um texto que diz tudo. (Quando me lembro do Sr. Sousa, chefe do governo português, vem-me sempre à memória, não sei porquê, um título de Musil: O Homem Sem Qualidades. Será possível coisa pior? Sim, uma das grandes tragédias da existência é que a resposta a essa pergunta, seja qual for a circunstância, é afirmativa. Do outro lado não se vislumbra alternativa, e os acontecimentos dos últimos dias foram uma oportunidade perdida para se mostrar a diferença. A reacção da oposição à selvajaria nas estradas fez-me ter uma certeza. Mesmo que por uma qualquer razão eu esteja em Portugal nas próximas eleições legislativas, não voto. É um dever cívico. Não acredito em revoluções e penso que delas devemos fugir como o diabo da cruz. Mas até Edmund Burke concordaria comigo: o sistema está podre e tresanda.)

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 04:25 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 11, 2008

Liebestod

Liebestod. Amor-Morte. Transfiguração. Lamento e Consumação. Ou, apenas, o final da mais sublime criação do Homem. Isolda morre (?), e a orquestra adormece o tema que acaba de, finalmente, revelar.

Jessye Norman é Isolda, e Karajan dirige a orquestra.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 04:50 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 10, 2008

O País Visto de Longe XV

Leituras fugazes deixam perceber o óbvio: são os mesmos, aqueles que nada dizem sobre o clima de ilegalidade e impunidade que se vive nas estradas de Portugal, e os que se encolerizam com as palavras do Presidente da República. Palavras!, o alvo da ASAE da linguagem, a qual encontra em discursos a ilegalidade que nem sequer lobriga nos actos. Haja paciência.

(Pensei que os impostos serviam para financiar, entre outras instituições fundamentais de um Estado de Direito, a segurança interna. Afinal, pode servir para premiar os transgressores. Aguardemos.)

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 02:45 PM | Comentários (2) | TrackBack

junho 06, 2008

Ciência

A página de investigação foi actualizada, de forma a reflectir melhor um prolífico ano de 2008. O excelente ambiente de trabalho que se vive por aqui explica, em grande parte, os resultados alcançados. Bom fim-de-semana.

2-5b.jpg
Carlos M. Fernandes, E.T.S., Granada, 2008

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 05:51 PM | Comentários (2) | TrackBack

junho 05, 2008

As Granadinas – Na Praça de Touros

A 21 de Maio de 2008, na praça de touros de Granada e durante a feria de Corpus Christi, larguei a última camada de pele de turista. O ciclo está fechado: Constitución, San Cecilio, Semana Santa, Las Cruces, Feria. Por vezes perguntam-me há quanto tempo vivo em Granada. Respondo, e de volta recebo, ah, entonces ya eres granadino! Sorrio, pela simpatia das palavras, mas desconfio do estatuto. Medir-se-á em tempo, o crédito acumulado e necessário para ganhar as chaves de Granada? Haverá um instante, ou uma epifania, que nos integre definitivamente na herança cultural e na estrutura humana da cidade? É pouco provável, mas a verdade é que, depois de entrar numa praça de touros andaluza, mais de vinte e cinco anos após a última corrida à qual assisti, me sinto agora mais confortável com a promoção: ya eres granadino! (O Peter, com quem partilho, quase todas as sextas, o balcão do Finnegan’s, dir-me-ia, Miguel, please don’t be a granadino! Mas a cultura britânica tem sempre esta tendência para a auto-segregação, mesmo naqueles que, como o Peter, falam fluentemente castelhano e estão plenamente integrados nos hábitos da cidade.)
A festa começava longe da praça. Ao meu lado, enquanto esperava o autocarro, três mulheres vestidas a rigor carregavam sacos com bebidas. Fizemos a mesma viagem, rumo à praça de touros. Subindo a Isaac Albéniz, a multidão adensava-se. As imediações do recinto reluziam com a alegria das gentes, e parecia que toda a cidade se havia engalanado - eles com o chapéu e colete, elas com os fatos garridos e justos ao corpo - e juntado naquelas redondezas. Crianças e velhos, pijos e povo, iam entrando pelas diversas portas da arena, arrastando consigo os farnéis providenciais. O Juanlu comprava pipas (sementes de girassol) quando o avistei. Juntámo-nos ao seu irmão, o Manolo, e entrámos quando faltavam poucos minutos para o inicio do espectáculo. A casa não estava cheia. Não era o melhor cartel do Corpus, faltava-lhe a presença de El Fandi, faltava-lhe Jose Tomás. Mas nas bancadas a festa era gorda, desfilavam já os copos de uísque ou rum com coca-cola, e o vinho, claro! Nem o gelo faltava, saído das muitas arcas frigoríficas que entraram na praça levadas pelos aficionados. (O fumo é permitido, claro.) Os bocadillos, embrulhados em papel de alumínio, saíam dos sacos, mostravam-se aos famintos, e faziam-me duvidar da minha estratégia de mãos a abanar. Pedi as pipas ao Juanlu, para enganar a gula, e comprei uma cerveja a um homem que passava. A cortina subiu.

toros3.jpg
Carlos M. Fernandes, Granada, 2008

Alavante foi a estrela, pálida, da tarde. Na primeira faena arrancou um bom desempenho, apesar de enfrentar um touro difícil. Sem grandes arrojos, fez uma lide limpa e rematou sem hesitações. O público pediu duas orelhas e júri acedeu. Na sua segunda entrada, Alavante teve que lidar um touro mal picado. Durante os primeiros minutos cansou-o, para depois fazer a lide da tarde. Foi o momento mais belo da corrida. Infelizmente, o toureiro vacilou na hora de rematar. Matador que não abata o touro na primeira tentativa perde as graças do público. Os lenços brancos, que já estavam fora para pedir mais duas orelhas, voltaram para a algibeira. Notava-se algum desalento na praça. A seguinte e última lide sofreu do mesmo problema (não me consigo recordar do nome do toureiro). O touro foi bem tratado, mas o remate tardou, e tardou. Aquela que podia ter sido uma tarde de glória, deixou afinal um travo amargo. Por uma espada.
Saímos da praça. As tabernas já rebentavam pelas costuras. Era hora de iniciar outro desporto granadino. O tapeo.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 06:35 PM | Comentários (3) | TrackBack

O País Visto de Longe XIV

Leio a notícia, e agora já não são risadas que se soltam, mas um leve indício de raiva. A decisão de um tribunal de Lisboa proibiu a televisão pública de transmitir a 44ª corrida RTP durante a tarde, obrigando a transmissão a passar para as 22.30, com um aviso sobre a violência das imagens. É a velha tese sobre a barbárie das touradas. Entretanto, o país e a comunicação social deliram com o futebol, que, como se sabe, se joga sempre num ambiente sereno e onde impera a civilidade. Ironias à parte, a caricatura é inevitável: para os progressistas, os animais são mais importantes do que as pessoas. Insultem-se, matem-se uns aos outros, mas não piquem o bicho.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 03:26 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 04, 2008

De Barry a Barack

Fernando C. Gabriel, agora no blogue da Atlântico. Ainda bem.

Agora que o radicalismo político da teologia professada pela sua igreja e as intervenções públicas de Wright se revelam incómodas, Obama negou não três mas oito vezes o seu mentor e repudia a sua filiação religiosa. Mas Obama não pode alegar que vinte anos foram insuficientes para perceber a proposta de auto-segregação contida no discurso religioso de Wright.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 01:19 PM | Comentários (2) | TrackBack

junho 03, 2008

Ambição e Génio

Those who have achieved all their aims probably set them too low.
Herbert von Karajan

Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Esta é a receita de muitos homens para a tranquilidade de espírito, para a garantia de eternidade, conquanto a parte do livro fique muitas vezes por cumprir. O passo seguinte é mais complicado, é elevar a fasquia acima do alcance de qualquer mortal com apenas um pouco de vontade (e talento, para escrever o tal livro; por isso raramente surge). Homens que assim o fazem podem legar-nos feitos e desempenhos assombrosos, como estes que se vêem e escutam aqui em baixo: Karajan e Carlos Kleiber, o perfeccionista berlinense. Quando a isso se junta um toque divino, então temos o veículo ideal para o condutor, a matéria-prima da qual os sonhos são feitos. A Sétima Sinfonia de Beethoven. Escute-se (o segundo andamento) e compare-se. Eu prefiro a interpretação de Karajan, porque já há muito que se me entranhou nas vísceras. Mas aqui, como nos touros, não há vencedores nem vencidos. Apenas triunfadores.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 01:01 PM | Comentários (0) | TrackBack

junho 02, 2008

P, de Fotografia

E agora, boas notícias. A P4Photography já tem endereço em Espanha, a juntar aos de Nova Iorque e Lisboa. Em Granada. Aqui.

(La galeria P4photography ya tiene dirección postal en Granada, España. Haga clique aquí.)

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 04:48 PM | Comentários (0) | TrackBack

O País Visto de Longe XIII

Leio as notícias que me chegam de Portugal e só tenho vontade de rir. O governo que tentou passar para os cidadãos uma imagem de autoridade e rigor, o governo que conseguiu convencer alguns incautos de que é desta que o Estado vai começar a funcionar (o que, dadas as características dos Estados europeus, preocupa qualquer pessoa que preze a Liberdade acima de tudo), o governo que até conseguiu seduzir muitos saudosos do salazarismo, o governo que quer fazer de Portugal uma espécie de Finlândia latina, com todos os cidadãos em linha sob a batuta das autoridades, moralistas e higienistas, esse mesmo governo ignora agora o flagrante desrespeito pela lei (e pelo próximo) que habita nas lotas do país. Depois destes quatro dias de caos, o governo perdeu toda a legitimidade para exigir rigor (na verdade, já a havia perdido no patético episódio do cigarro do Sr. Sousa). Se continuar assim, deixa de ser um governo, e passa definitivamente à condição de anedota, o executivo do Sr. Sousa, e também a sua falange de seguidores, que verte na imprensa e na rede uma confrangedora vassalagem a uma personagem feita de papel, que oscila quando sujeita à mais suave das brisas. Dêem-lhes um emprego, eles merecem, coitados.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 02:25 PM | Comentários (5) | TrackBack