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dezembro 28, 2006

Livros de Receitas

Foi aberta uma nova série no blogue Na Cozinha, a qual tratará da descrição de alguns livros de receitas vindos dos vários cantos do mundo. Começa com o último: Recetario de Cocina Extremeña. Não prometo regularidade.

Carlos Miguel Fernandes

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Na Estrada, em 2006 - VIII

Uma noite em branco no comboio, com a temperatura a subir vertiginosamente até atingir quase os quarentas graus na manhã de Belgrado.
Em Belgrado.

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Carlos Miguel Fernandes, Belgrado, Junho de 2006

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 04:54 PM | Comentários (0) | TrackBack

Na Estrada, em 2006 - VII

A estância balnear do Montenegro, com tudo o que isso tem de bom e de mau.

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Carlos Miguel Fernandes, Budva (Montenegro), Junho de 2006

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 04:44 PM | Comentários (0) | TrackBack

dezembro 27, 2006

Na Estrada, em 2006 - VI

Novi Sad, três da manhã. Enquanto esperávamos que os melhores cevapcici da cidade saíssem da grelha, conversávamos com um estranho. Vão amanhã para Kotor? Têm que ir também a Perast, fica a poucos quilómetros de distância. No dia seguinte, na agência de viagens, quando tentávamos decidir qual o meio de transporte que nos levaria até à costa montenegrina: Kotor? Não podem perder Perast!
Fomos a Perast. E deixámos lá ficar um pouco de nós.

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Carlos Miguel Fernandes, Perast (Montenegro), Juho de 2006

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 01:29 PM | Comentários (1) | TrackBack

Na Estrada, em 2006 - V

Um segredo bem guardado na costa adriática, só acessível aos privilegiados, que lá chegam por mar, ou aos loucos, que se aventuram pelo acidentado terreno balcânico nos inacreditáveis transportes terrestres da região.

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Carlos Miguel Fernandes, Kotor (Montenegro), Junho de 2006

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 12:16 PM | Comentários (0) | TrackBack

Na Estrada, em 2006 - IV

O fim-de-semana em Novi Sad também já se repete com periodicidade anual. É a porta de entrada nos Balcãs.

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Carlos Miguel Fernandes, Novi Sad, Junho de 2006

Publicado por CMF às 12:09 PM | Comentários (0) | TrackBack

Na Estrada, em 2006 - III

A visita anual e obrigatória.

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Carlos Miguel Fernandes, Budapeste, Junho de 2006

Carlos Miguel Fernandes

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Na Estrada, em 2006 - II

A alma do Sul. Tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe.

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Carlos Miguel Fernandes, Sevilha, Maio de 2006

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 11:56 AM | Comentários (0) | TrackBack

Na Estrada, em 2006

Barcelona, uma velha amiga. A cidade mais espanhola da Catalunha e mais europeia de Espanha.

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Carlos Miguel Fernandes, Barcelona, Fevereiro de 2006

Carlos Miguel Fernandes

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dezembro 18, 2006

Cocina

Em Portugal, Espanha motiva sentimentos fortes e, muitas vezes, pouco ajuizados. A gastronomia não é excepção, e mesmo da boca daqueles que já se deixaram fascinar por outras virtudes do país vizinho, ouve-se frequentemente: ...mas não se come bem. São casos perdidos. O outro mito português sobre a cozinha espanhola acredita que esta termina nas tapas, sendo os pratos mais substanciais uma raridade desprezada. Como muitos dos defensores desta ideia até se entusiasmam com o tapeo espanhol, as hipóteses de conversão, neste caso, são mais elevadas. O livro Recetario de Cocina Extremeña, editado pela Confraria Extremeña de Gastronomia, e comprado ontem (domingo!) numa óptima livraria no centro de Mérida, pode ser matéria de arranque para os cépticos. A lista é imensa. São quinhentas ou seiscentas receitas que pretendem representar a riqueza da cozinha popular de umas das regiões mais pobres de Espanha. Desde as entradas simples, com ovos, espargos ou cogumelos, até aos guisados mais pesados, temos ementa para muitas horas de experimentação nos tachos.
Na mesma livraria, encontrou-se uma pérola. Chama-se 3000 Años de Cocina Española, tem prefácio do mago Ferran Adriá, e conta a história das origens da cozinha espanhola moderna, através de receitas que remontam aos tempos anteriores à chegada dos Tirrenos e Fenícios à costa mediterrânica da península ibérica, cobrem as influências romana, árabe e judaica, e reflectem as novidades trazidas da América, a partir do século XVI. Uma obra que mostra a diversidade de influências a que foi sujeita a cozinha ibérica, e que ajuda a compreender o fulgor actual da gastronomia espanhola, que é sem dúvida, hoje (desde sempre?), a mais interessante do mundo ocidental.

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Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 01:16 PM | Comentários (0)

dezembro 13, 2006

Regresso ao Altair

A mesa já está marcada e agora só nos resta esperar que este regresso não desmereça o grande jantar que o Altair nos proporcionou há três anos, e que continua num lugar de topo das nossas memórias da mesa. Mas Mérida tem mais encantos. No plano gastronómico, e por estar localizada em coutada do porco ibérico (antes do porco do que do macho!), destacam-se os enchidos e as carnes do nobre cerdo. A região produz diversos queijos, mas o lugar de proa parece estar reservado à Torta de la Serena (mais a norte, na província de Cáceres, outra Torta, a que chamam del Casar, é componente afamada da gastronomia local, e um dos melhores queijos de ovelha que já provei). O receituário é rico, aproveita o ofertório da terra, desde a caça aos cogumelos, e tem óbvios pontos de ligação com o vizinho Alentejo. Entre refeições, as ruínas romanas são uma atracção de peso e dão à cidade ares de museu a céu aberto. É formosa, esta Emérita Augusta com a idade de Cristo, antiga capital da Lusitânia. Um lugar que se visita sempre com prazer e onde não falta a habitual fiesta espanhola.

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Carlos Miguel Fernandes, Mérida (Teatro), Dezembro de 2003

Carlos Miguel Fernandes

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dezembro 07, 2006

O Bom, o Mau e o Sublime – O Bom (Saegreifinn)

É costume dizer-se que as cidades portuárias partilham características comuns. Fala-se do ambiente de encruzilhada, do convívio canalha, dos marinheiros e das suas conversas épicas e turvas de álcool, pautadas pelas dames qui leur donnent leur joli corps, as quais vão entretendo os Ulisses invertidos com nostalgia do próximo porto entre uma peleja e um copo de rum. Mas em Reykjavik é diferente. No porto velho de Reykjavik não há des marins qui boivent, nem acordeões, nem gestos graves. A maresia está presente, nos cais há algum ferro retorcido e ferrugento, mas envolve-nos uma aura asséptica, que na verdade se estende por toda a cidade, mas que se estranha ainda mais no porto, dado os hábitos alimentares das gentes do mar islandês, pouco dadas a modernidades hipócritas. Os marinheiros islandeses não se coíbem de afinfar um golfinho ou uma baleia, animais de pelúcia da sensibilidade urbana, e é no porto velho que o gastrónomo curioso pode encontrar tais regalos. E se o golfinho acabou por escapar (pode-se encontrar, em carpaccio, no Tveir Fiskar, mesmo à entrada do porto), a baleia foi provada, e aprovada, no Saegreifinn, mistura de tasca e mercearia, situado num dos barracões verdes que se enfileiram junto à água.

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Carlos Miguel Fernandes, Reykjavik (Saegreifinn), Setembro de 2006

Logo à entrada somos recebidos com canapés de baleia-anã fumada, a fazer lembrar a moxama de atum algarvia e andaluz numa versão mais adocicada e macia. Se em confronto com esta última, dada a força do sal, só se aguenta uma cerveja gelada, já a baleia fumada aceita um copo de vinho tinto. Infelizmente, nem uma coisa nem outra se podem encontrar no local. As despóticas restrições islandesas transformam as prateleiras do Saegreifinn em tristes repositórios de água, de coca-cola, e de um líquido de baixíssimo teor alcoólico, produzido especialmente para ser vendido fora das lojas do Estado e que só com muito boa vontade se pode chamar cerveja. Só a comida nos salva! E, para começar, nada melhor do que o chamariz da casa, uma sopa de lagostins, preparada canonicamente, e cuja receita poderá ser encontrada em breve aqui, Na Cozinha. Fabuloso, com um toque exótico dado pelo caril combinado com a nata (já imagino uma variante com leite de coco), que não se encontra nas sopas de peixe mediterrânicas e continentais. Depois de aquecido o espírito com o caldo marítimo, escolhe-se uma espetada da montra, a qual será grelhada na hora. Peixes há muitos, do bacalhau ao halibut (sempre esgotado), passando por outros nomes menos habituais, como a pescada-carvoeira ou o peixe-gato. A estes junta-se novamente a baleia-anã, excelente proposta, e ainda o corvo-marinho, cuja carne se apresentou um pouco seca, não sabemos se por culpa de uma assadura desmazelada ou devido às características do bicho. Quem quiser ir por caminhos mais leves, pode escolher um dos muitos peixes fumados em exposição (salmão, arenque, truta,...) ou um pacote do típico peixe seco islandês, e picar, descansando nas mesas compridas da casa. (Claro que, sem uma cerveja, não se pode comer peixe seco com a alma preenchida.) Outras curiosidades da cozinha islandesa, como o bacalhau podre, a foca recheada ou o arau-de-crista (ou papagaio-do-mar) também podem ser provadas no Saegreifinn, conquanto não as tivéssemos encontrado, ou por ausência da matéria-prima, ou por não sabermos como pedir.
As falhas do Saegreifinn não se esgotam na ausência de bebidas decentes. A hora de encerramento, prematura para quem pretende jantar, e os talheres de plástico e pratos de esferovite, são factores que não atraem os mais exigentes. Mas a qualidade e a variedade dos produtos, e os preços muito abaixo dos elevados padrões de Reyjkavik, são argumentos suficientes para levar qualquer apreciador de peixe e marisco à taberna de Kjartan Halldorsson, o pescador reformado que vai gerindo com eficácia e sucesso esta casa sita à beira da baía de Reykjavik.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 03:07 AM | Comentários (1)

dezembro 04, 2006

Nostalgia da Servidão

Neste país geme-se muito quando Le Pen se lembra de nos visitar, mas quando, há poucas semanas, dezenas de inimigos da liberdade vindos de todos os cantos do mundo se juntaram para assistir ao último congresso do PCP, não se ouviram muitos lamentos. Nem sequer quando o representante do partido comunista mexicano, depois das já habituais loas a Cuba e à Coreia do Norte, se referiu a Lula da Silva como um traidor da causa, por este, após a sua eleição, não ter alterado a natureza do regime brasileiro. Pelo menos os eleitores mexicanos já sabem o que os espera se um dia tiverem a infelicidade de colocar o partido comunista no poder. Por cá, numa Europa que já devia ter aprendido a lição há muito, a suástica é maldita, mas a “foice e martelo” continua alegremente a sua carreira no folclore local. O perigo parece remoto, mas torna-se cada vez mais insustentável esta parcialidade na tolerância com os intolerantes. Um episódio que a seguir relato ilustra bem o perigo desta ideologia tão bem acolhida no regaço das nossas democracias. Num bar de Portimão, dois jovens comunistas desembrulhavam um discurso de fazer corar os mais ortodoxos. Quando a anacrónica cena já só me fazia sorrir, eis que vem o abalo, que só uma grande ingenuidade da minha parte pode classificar como inesperado. Aqueles indivíduos, que mal tinham idade para votar, defendiam a eliminação física dos adversários da revolução. Repito: eliminação física. Morte. Dessa forma, compreendiam, aceitavam e defendiam os infinitos actos criminosos de Lenine e seus descendentes ideológicos. (Na verdade, pode ser na sua juventude que os meus interlocutores encontrarão a única hipótese de redenção, se atendermos à célebre frase atribuída a Churchill: A man who at the age of twenty is not a Communist has no heart; if he is still a Communist at the age of thirty, he has no head. A partir de um certo ponto, o retorno é quase impossível.)
Quanto tempo teremos que esperar até ver a “foice e martelo” no lugar que merece, ao lado da suástica nacional-socialista? Encarcerada nos livros de História, e atirada para o lixo das democracias modernas!


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Carlos Miguel Fernandes, Coreia do Sul (Zona Desmilitarizada), 2001


Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 05:20 AM | Comentários (12)