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novembro 27, 2006

Ainda I-S-T 95-75-15

Quando me envolvi nas exposições que abriram ao público no passado dia 23 sabia o que poderia encontrar: a tirania do pequeno burocrata, e a infantilidade crónica do associativismo estudantil. O mundo ainda é previsível, mas, passo a passo, com fintas esporádicas e cabeça fria lá se conseguiu erguer duas exposições e lançar um livro. Há cinco anos, em evento semelhante (exposições de fotografia para comemorar os 70 anos da Universidade Técnica de Lisboa e os 90 anos do Instituto Superior Técnico), o processo foi muito mais simples. O que causa estranheza é o facto de em 2001 as exposições se terem realizado no Instituto Cervantes e no Museu da Água, enquanto que, para as celebrações deste ano, se escolheu o IST como anfitrião. Mas a mediocridade tem a virtude de realçar ainda mais a excelência. E essa excelência encontramo-la em nomes aos quais queria deixar publicamente os meus agradecimentos.
Ao Jorge Calado (as razões são imensas e já foram enunciadas em baixo). Ao Joaquim Moura Ramos, director da IST Press e meu antigo professor, por ter apostado sem reservas em I-S-T 95-75-15 para encetar a colecção Reticências. À Manuela Morais (e restante equipa da IST Press), pela paciência, profissionalismo e excelentes resultados, valorizados ainda mais pelo reduzido tempo disponível para erguer o projecto. A todos os que nos ajudaram na montagem das exposições, na organização e no lançamento do livro, especialmente ao Gonçalo Ventura Ribeiro. Sem ele as coisas tinham sido muito diferentes (para pior). E tenho a certeza que o Paulo Maia subscreve as minhas palavras.
Queria ainda agradecer a quem nos ajudou a divulgar os eventos, e em particular ao André Abrantes Amaral e ao Fernando Cruz Gabriel pelos anúncios efectuados nos seus respectivos blogues.

Esperamos, com estes trabalhos, ter dignificado a instituição que celebramos. As exposições estão patentes ao público até ao dia 30 de Novembro (das 8 horas até às 23). O livro I-S-T 95-75-15 encontra-se agora à venda nas livrarias e no Núcleo de Arte Fotográfica. Podem também encontrar alguns exemplares no Tejo Bar, Rua do Vigário 1 A, em Alfama. (E também na “venda ambulante” da Tatão, que tenta por todos os meios divulgar o trabalho, depois de já ter desempenhado um eficaz papel de relações públicas na inauguração das exposições.)

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 01:02 AM | Comentários (3)

novembro 22, 2006

Amanhã

Duas exposições e um livro. No Átrio do Pavilhão Central do Instituto Superior Técnico. Ver também isto e isto.

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Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 02:33 PM | Comentários (2)

novembro 18, 2006

I-S-T 95-75-15

(A ordem das imagens em EUROPA e Kaluptein nasceu da sua arte, e em MittelEur/opa, para além da sequência, ofereceu-me o título. Agora, deu-me um nome e um prefácio. Devo-lhe gratidão por isto e muito mais. Involuntariamente, o texto contém uma auto-referência, quando fala dos mestres com os quais aprendi. Não é necessário carregar no botão para se saber ler uma fotografia e pensar sobre Fotografia, e Jorge Calado domina o assunto como mais ninguém em Portugal.)

Tal como fado, uma boa parte da fotografia portuguesa veste-se de luto. Carlos Fernandes não é um fotógrafo nocturno, mas gosta de deixar no papel o véu escuro da prata metálica. Soube ver muito, aprendeu com os mestres portugueses e estrangeiros e conseguiu construir uma fotografia bastante pessoal. Que contraste entre as suas imagens do Técnico, escuras e minimalistas, e as arejadas vistas de Horácio Novais (1910-1988) nos anos 1930 – os anos da construção – quando a pureza branca dos edifícios e escadarias rivalizava com a das nuvens. Fernandes vai à procura do pormenor significativo, concentra-se nele e aureola-o na câmara escura. Em geral o foco assenta naquilo que os outros rejeitaram.
Há coisas que não vemos ou preferimos esquecer. O papel amarrotado deitado ao chão, o sarrafo perdido, a tabuleta obsoleta, a fissura na parede encardida, o caixote abandonado, à espera de melhor uso. São os detritos da civilização. Diz-me o lixo que produzes e saberei como vives. É com esta matéria-prima que Carlos Fernandes constrói uma poética do banal que é uma das conquistas da democracia. (São só os regimes totalitários que gostam das coisas limpas e arrumadas.) Aqui, graças à perspectiva, até os quadrados e rectângulos são transformados em paralelogramas obliquângulos, como uma moldura ou cadeira desengonçada. No meio do desgaste, um qualquer papel branco fere a imagem com uma ponta de esperança. São as flores da lixeira, tal como um saco de plástico enfunado pelo vento é a pomba da paz possível. “Punctum” – lhe chamou Roland Barthes (1915-1980). O resto é “studium” – estúdio e estudo.
Olhem para estas imagens e vejam como elas se articulam como os versos dum poema que apetece cantar. Imediatamente reconhecíveis, só a primeira e a última – o alfa e o ómega da escola. Pelo meio, descubram as aliterações e as rimas alusivas; os temas que se repetem ou complementam, adjectivados por brilhos surpreendentes; as esquadrias que há muito deixaram de ser a marca do engenheiro. Eis um IST que só a fotografia, na sua modéstia eloquente, pode revelar. A letra pode ser triste, como tristes são os poemas dos fados mais amados. Não há gente – nem mestres, nem funcionários nem alunos. Apenas sinais e signos de vida e morte. Só. O resto adivinha-se e faz vibrar a imaginação.
Comemoram-se em 2006 os 95 anos do Instituto, os 75 anos da Universidade Técnica – às vezes os filhos aparecem antes dos pais e as causas sucedem-se aos efeitos, como acontece na mecânica quântica – e, já agora, os 15 anos de associação do artista com a escola onde se licenciou em engenharia electrotécnica e de computadores, fez o mestrado e é, agora, estudante de doutoramento. Daí a sigla – fragmentada como o conteúdo de cada imagem – que empresta o título ao projecto. A escola, que é um colectivo, abre-se às aspirações individuais do artista. Que todos prosperem, assim como a nova colecção da IST Press que este volume auspiciosamente inaugura.
Jorge Calado, I-S-T 95-75-15

O lançamento do livro está marcado para dia 23 de Novembro, a partir das 18.30, no Átrio do Pavilhão Central do IST.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 04:43 AM | Comentários (0)

novembro 10, 2006

A Arte da Ciência

No A Origem das Espécies, discute-se a academia, a ciência e as “duas culturas”. As afirmações

É mais fácil encontrar investigadores, professores ou estudantes de ciências (matemática, física, biologia, etc.) interessados em matérias relacionadas com arte, literatura, política ou história, do que o seu contrário. As «humanidades» mostram em Portugal uma arrogância que lhes é fatal.

são certeiras e letais, e têm substância para alimentar reacções enfurecidas. Mas foram as referências a Alan Lightman e a Jorge Calado que me alertaram. Coincidências. Falamos de temas e nomes que estão, de certa forma, relacionados com o projecto que me tem ocupado as últimas semanas. Aproveito assim o mote para encetar a promoção à exposição e livro I-S-T 95-75-15 (quando estamos fora do circuito não há espaço para falsos pudores; a autopromoção é essencial). São 29 retratos do Instituto Superior Técnico, que vão estar expostos no Átrio do Pavilhão Central a partir do dia 23 de novembro, e editados em livro pela IST Press. A publicação tem prefácio de Jorge Calado e será lançada no mesmo dia e no mesmo local. Para além das imagens, pediram-me um pequeno texto sobre o trabalho.

Sem memória, cada noite é a primeira noite, cada manhã a primeira manhã, cada beijo, cada carícia, os primeiros. Alan LIGHTMAN, Os Sonhos de Einstein
Quinze anos é pouco tempo quando comparado com a idade deste lugar. Mas o meu IST terá apenas quinze anos? Oficialmente, a história começou numa manhã de outono de 1991, mas o enredo vem de longe, desde que aprendi a abrir os olhos e a ver o mundo, o qual, deixando para trás lugares ultramarinos que nunca aproveitei, se transformara irremediavelmente na paisagem urbana que avistava desde a janela do meu quarto. O IST quebrava a monotonia da vista. Vi-o crescer e mudar, e o antropomorfismo veio naturalmente. Chamava-lhe o Técnico, como é conhecido na cidade, e todos os dias, quando abria a janela, ele mostrava-se como que a lembrar-me do destino traçado. Havia uma certeza que me percorria o espírito, moldada por vontades familiares, mesmo quando ainda mal chegava com o nariz ao parapeito: a minha vida passaria por ali.
Entrei, como se costuma dizer em calão pré-universitário. O Técnico continuou a transformar-se. Nasceram duas torres que lhe alteraram dramaticamente a silhueta. Alguns pavilhões, onde assisti às minhas primeiras aulas, desapareceram, sem misericórdia, como a sua situação precária exigia. Outras marcas do passado foram ficando, agarradas às paredes e à pedra dos degraus, enquanto as cicatrizes efémeras vão aparecendo e desaparecendo ao ritmo de um lugar vivo.
Borges afirmava que os animais vivem no presente, sem passado, na eternidade do instante, e Daniel Dennett diz que, por essa razão, os animais não sabem sofrer. A memória é característica da natureza humana, é uma dádiva com a qual estendemos a existência no tempo, arquitectando cosmogonias, e, ao mesmo tempo, uma maldição que nos esmaga com a rotina, o tédio e a dor. A fotografia atenua o sofrimento porque nos dá a eternidade do instante − privilégio que nos esteve vedado até 1839 −, mas sem nos roubar a capacidade de reviver o passado e fantasiar o futuro. Fotografa-se para se conseguir avançar, talvez mesmo para contornar a finitude, assinalando o percurso com migalhas que nos ancoram a instantes de outrora. Fotografa-se para celebrar.

Carlos Miguel Fernandes

P.S. Um leitor do A Origem das Espécies refere-se a Jorge Calado desta forma: "...terá sido provavelmente a pessoa mais «culta» que conheci. Um bom exemplo." Um grande exemplo. É só isso que posso acrescentar.

Publicado por CMF às 11:17 PM | Comentários (7)

novembro 08, 2006

A Islândia a Preto e Branco

Sem tempo para palavras, só me resta deixar, a quem nos visita, algumas imagens da Islândia. Nesta página encontrarão mais fotografias, muito desorganizadas ainda, e sem sinal de um fio condutor. Novidades mais sérias sobre Fotografia serão divulgadas dentro de poucos dias. Para já, fica um título: I-S-T 95-75-15.
(A conclusão do relato gastronómico terá que ficar para mais tarde.)

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Carlos Miguel Fernandes, Reykjavik, Setembro de 2006


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Carlos Miguel Fernandes, Reykjavik, Setembro de 2006


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Carlos Miguel Fernandes, Reykjavik, Setembro de 2006

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Carlos Miguel Fernandes, Lagoa Azul, Setembro de 2006


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Carlos Miguel Fernandes, Gullfoss, Setembro de 2006

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às 03:21 AM | Comentários (0)