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dezembro 09, 2005
Em Budapeste
São muitas as coisas que me remoem a alma quando regresso de uma viagem. Mas este ano senti um incómodo discreto que só agora entendi na sua plenitude: na última viagem não dei atenção suficiente a Budapeste. É verdade que a ida à cidade chegou a ser posta em causa, pois andar de um lado para o outro entre a Polónia e a Sérvia requer algum tempo e muita disponibilidade física. E a meia dúzia de visitas anteriores à capital húngara ajudavam quem defendia que, desta vez, lhe podíamos passar ao lado. Mas mantive-me firme, e lá fomos parar a Budapeste duas vezes, na descida para a Sérvia e no regresso a Varsóvia. Na primeira noite, após uma cansativa viagem desde Cracóvia, fomos ao Castro, e as minhas dúvidas desvaneceram-se. Eu tinha que estar ali, naquela cidade. No canto da sala um quarteto tocava temas de Parker. Na mesa, matávamos saudades dos cevapcici. Sim, cevapcici, porque a cozinha do Castro é sérvia. Aliás, foi lá que, em 2003, numa noite anterior à minha partida para aquela que seria a minha primeira visita a Belgrado, tive o contacto preambular com a cultura da Sérvia, numa conversa com Mihailovic, o cozinheiro. E agora, lá estava eu, outra vez no meu bem-amado Castro, a comer uns rolinhos de carne que nada devem às melhores cervejarias de Belgrado, no meio de um ambiente contagiante. E tudo começou a fazer sentido. Não são caprichos que me levam a voltar exaustivamente a Budapeste. Há qualquer coisa na cidade que a faz parecer perfeita, mesmo com todos os seus defeitos visíveis.
O que me tem atormentado então? Ter dedicado pouco tempo a Budapeste, nesta última viagem dominada pela Polónia e pela Sérvia. Mal houve tempo para rever amigos. Foram visitas de médico, ditadas pela dúvida e pela solução de compromisso que foi encontrada, entre estadas muito mais prolongadas nas restantes quatro cidades que ficaram na rota da jornada. Espero que ela não tenha ficado ofendida. Tentarei voltar em breve, em busca de redenção.

P.S. Não se deixem enganar. Como dizia Jonathan, o ladrão de bancos inglês e exilado que conheci no Castro, o nome é a única coisa má do fabuloso "café" da Raday utca.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às dezembro 9, 2005 08:04 AM
Comentários
Que saudades que eu tenho de Budapeste e do castro. Um abraço, Hugo
Publicado por: Hugo Horta em dezembro 19, 2005 11:13 PM
também a mim me pareceu perfeita,
mesmo com todos os defeitos.
também me senti bem no castro.
na altura que lá estive tocava um trio e não um quarteto. mas também foi em setembro.
em breve mato saudades. espero.
obrigado por partilhar os escritos.
abraço.
Publicado por: Bruno Monteiro em janeiro 1, 2006 09:23 PM
LÁ ESTAREI NO PRÓXIMO DIA 24 DE SETEMBRO PARA CONTEMPLAR ESTA CIDADE. QUE ME ACONSELHA A VER? EM SETEMBRO FARÁ MUITO FRIO? HÁ QUEM DIGA QUE SIM...
Publicado por: filomena Rosa em julho 25, 2006 05:44 PM
Filomena, estive lá no início de Outubro, no ano passado, e não fazia frio, antes pelo contrário!
Publicado por: CMF em julho 25, 2006 07:17 PM