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novembro 13, 2005
Cenas da Vida de um Docente no Ensino Superior Público
Esperei muito tempo para escrever este texto. Tempo de mais, talvez. Mas não sabia como dosear correctamente o ajuste de contas e a informação a que qualquer cidadão português deve ter acesso. Porque, entre outras coisas, é do dinheiro dos contribuintes que vou falar. Recentemente, um jantar com os meus ex-colegas encheu-me de indignação e de vontade de divulgar alguns factos. Leiam por favor, leiam até ao fim.
Foi há quase cinco anos que recebi um telefonema de um amigo e colega de laboratório. Estava à frente do meu computador, no laboratório, quando ele me comunica precisamos de um assistente para área de Controlo. Queres o lugar?.(é assim que as coisas funcionam no ensino politécnico, caros leitores.) Disse que sim, mas com condições. Dois dias depois, na entrevista, coloquei-as na mesa. Eu estava a ser pago pelo meu laboratório (um acto de plena confiança por parte do meu orientador, que na altura ainda me orientava o mestrado) e não queria abdicar do lugar para dar aulas durante apenas um semestre. Disseram-me que o contrato seria de um ano. Quando falei de perspectivas, disseram-me que os contratos eram a termo certo, mas que, quase sempre, quem entrava na escola só saía por vontade própria. O meu currículo foi enaltecido. Aceitei a proposta. No dia seguinte parti para os Estados Unidos, para uma conferência, e na segunda-feira seguinte estava no politécnico a dar aulas. Se não fosse o tal amigo do telefonema, com o qual leccionei a minha primeira disciplina, não teria tido nenhum apoio naqueles primeiros dias. Começava mal.
Na sala da entrevista estavam duas pessoas que, percebi pouco tempo depois, representavam as duas faces do ensino superior público. O corporativismo e a preocupação com o lugar em detrimento dos alunos, por um lado, e o esforço inglório, a dedicação extrema e, muitas vezes mal vista, pelo outro.
Poucas semanas depois de começar a trabalhar descobri que, afinal, o contrato teria apenas a duração de seis meses. Na mesma altura dizia-se, nos corredores, que o meu futuro era a porta de saída. Caros leitores, falo de duas ou três semanas de aulas, nada foi decidido com base na avaliação do meu trabalho, até porque, como disse, estive sob a supervisão de um amigo, e de outro colega que, mais tarde, foi um dos responsáveis pela minha continuidade naquela escola. As razões são muito mais complexas, e referem-se à criação de uma rede de interesses de um grupo de protectores e protegidos. (e, claro, com a urgência da situação; no dia da entrevista as aulas já haviam começado.) Especulo? Talvez. Mas ontem soube que o tal amigo que me convidou para o lugar, que, para além da docência, foi importantíssimo, nos últimos anos em certos aspectos de funcionamento da escola, está de saída. (Confesso que a minha reacção misturou estupefacção com Já estava à espera!). Porquê? Garanto-vos que não foi uma questão de competência. Mas voltaremos a este assunto.
Quando o boato sobre a minha saída se espalhou não lhe dei muito crédito. Era ainda ingénuo, e não podia acreditar que tudo aquilo que fora dito naquele gabinete, naquele primeiro dia, era mentira. Mas nos últimos dias de Julho, quando nos preparávamos para ir de férias, bateram-me à porta do gabinete e anunciaram-me que, no mês seguinte, o meu lugar seria alvo de concurso público. O processo seria divulgado nas páginas do jornal Expresso, e eu, se quisesse, poderia candidatar-me. No entanto, ficou ressalvado que não teria a mínima hipótese de ganhar o concurso. Afinal, aquilo que fora dito naquela sala, naquele primeiro dia, era mesmo falso. Ou quase, porque lá dentro estavam duas pessoas. E uma delas não mentiu. Uma delas, poucos dias depois de saber que involuntariamente se deixara envolver num embuste (e, descobri na altura, a situação não era nova, pois antes de mim outros passaram pelo mesmo) disse-me que iriam abrir também um concurso para outra área científica do mesmo departamento, pela qual era responsável, e contava comigo para, pelo menos, disputar o lugar (com sucesso), cumprindo, por vias transversas, a promessa feita naquele primeiro dia. Essa foi a mesma pessoa que, quatro anos depois, me convenceu a ficar na escola quando eu anunciei a minha retirada para me dedicar apenas ao doutoramento. E foi a mesma que, seis meses mais tarde e muito constrangida, me disse que escola me ia dispensar devido à necessidade de reduzir o quadro docente. Tarefa ingrata para um docente que é um exemplo de dedicação (ele, e o anterior responsável pelo departamento, são algumas das excepções que confirmam a regra; em alguns momentos fizeram-me acreditar que valia a pena): comunicar dispensas baseadas no “impacto social”. Sim, leram bem caros contribuintes. Neste momento, existe pelo menos um instituto politécnico que dispensa docentes segundo um critério de impacto social. Não me interpretem mal, isto não é um ajuste de contas por causa da minha saída. Relembro que planeava abandonar a escola no início de 2005, mas cedi à tentação de continuar, como me foi proposto, por pressões externas (amigos, família, e até o orientador de doutoramento). No fundo, fizeram-me aquilo que eu não tive coragem de fazer a mim próprio. A minha saída foi um alívio. Mas as dispensas continuam, e o critério é o mesmo. Há dois dias, no meio de um bom jantar alentejano, soube que um colega, com o qual partilhei o gabinete e a quem reconheço competência e a versatilidade muito acima da média, vai ser dispensado de acordo com os mesmo critérios. Sim, o impacto social! Quando confrontado com as questões do meu ex-colega, naturalmente curioso em relação às razões que levaram ao seu afastamento, um dos responsáveis pela decisão falou nos “docentes que já não têm idade para entrar no mercado de trabalho, nos que têm filhos e não podem perder os rendimentos, etc...”. Ou seja, o desgraçado foi penalizado por ser novo e não ter filhos e não por falta de mérito! Foi esta história que me levou a escrever o presente texto. (vou especular mais um pouco: embora o critério do “impacto social” seja sincero na sua infâmia, julgo que por detrás dessa justificação se escondem algumas retaliações por histórias antigas.) É assim, caros leitores, que o vosso dinheiro anda a ser gasto: a proteger amigos, e a eternizar incompetentes em lugares de elite.
Vi mais coisas durante a minha permanência na Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal, tão ou mais graves: aulas teóricas dadas por assistentes, enquanto os professores se passeavam nos laboratórios; desrespeito pelas mais elementares regras de hierarquia (e até de educação); defesa do insucesso escolar como forma de aumentar o financiamento da Escola; combate feroz contra a louvável medida do Ministério do Ensino Superior de impor uma nota mínima para a prova de Matemática. E passaram-se outros episódios que hesito expor aqui porque não sei que implicações legais teriam os meus desabafos. Mas penso que aquilo que relatei é suficiente para preocupar qualquer cidadão português que pague impostos.
Em Setembro saí finalmente da escola. Foram nove semestres de docência durante os quais aprendi muitas coisas. Algumas positivas, outras negativas. Saí da escola com um cinismo que não conhecia quando entrei. É bom. A ingenuidade não ajuda ninguém neste mundo. Muito menos em Portugal, país pequeno e periférico onde a mesquinhez, o corporativismo e mediocridade ainda reinam impunemente.
Carlos Miguel Fernandes
Publicado por CMF às novembro 13, 2005 02:23 AM
Comentários
Caro Carlos,
compreendo-te muito bem. Não sou docente universitário, mas fiquei a conhecer muito bem o meio, através da minha licenciatura e porque além de ti tenho outros amigos profs. univ.
O que te quero dizer é que o corporativismo e o 'sistema de capelinhas' vigora em todo o lado. Infelizmente também não me posso alargar em comentários sobre o sítio onde trabalho, devido ao "segredo profissional", seja também porque receio um eventual procedimento disciplinar e até juridico-criminal.
Mas sei que é assim. Aliás, aquando da minha licenciatura, que concluí com uma modesta média final de 11 valores, vi como funcionavam as coisas. Devo confessar que sempre fui um 'outsider', um aluno pouco aplicado (já que passava mais tempo na Cinemateca que a estudar), mas considero possuir uma inteligência superior à minha nota de curso, o que me permite afirmar o seguinte: as orais de melhorias de notas dos meus colegas, que depois eram monitores, assistentes e alguns vieram a ser professores, eram de um rídiculo confrangedor: conjugavam um rol de banalidades com uma "bajulação canina" aos 'mestres'. Claro que havia excepções, para confirmar a regra!
Isto para te dizer que quem é frontal, pensa por si próprio e o diz sem rodeios e hipocrisia, é tido por 'tonto' e alguém que não quer fazer "carreira". Ter espinha dorsal na Administração Pública é sinónimo de "falta de esperteza", de 'idiotice', apanágio de quem se pode permitir viver sem se preocupar com o ordenado!
Enfim, fico expectante para poder contribuir para um diálogo que espero se venha a formar nestas páginas.
Um abraço,
Fernando
Publicado por: FBR em novembro 14, 2005 01:01 PM
Parece que isto não está a gerar um grande debate, Fernando. É pena...
Publicado por: CMF em novembro 14, 2005 07:25 PM
Naturalmente muitas outras medidas seriam necessárias para terminar com um verdadeiro corporativismo da mediocracia, que pretende a todo o custo nivelar por baixo, pois esse é sempre terreno seguro. Passa por todos nós lutarmos contra ele, e a coragem que o Carlos aqui demonstrou é um óptimo exemplo para todos nós. Aproveito para dar revelo a um artigo de opinião de João Cravinho ontem (15 Nov 05) no DN. Trata-se de apenas uma medida, mas que podia ser o principio do bom caminho. Concordo em absoluto com ela:
Artigo de João Cravinho no DN de ontem:
(mais aqui: http://dn.sapo.pt/2005/11/14/opiniao/a_grande_reforma_universitaria.html)
Seria ingénuo esperar que certas rupturas necessárias possam vir a ser protagonizadas entusiasticamente por aqueles cujo status e cujo poder interno mais diminuiria, caso se realizassem. Assim sucede nos mais diversos campos e não apenas na universidade. (...)
São muitas as reformas necessárias. Mas se tivesse de escolher uma só entre elas, proporia uma lei com um só artigo e dois números. No n.º 1, fixaria que nenhuma universidade pública poderia recrutar um seu recém-doutorado para o seu corpo docente. O primeiro recrutamento teria de ser feito por outra universidade, podendo regressar eventualmente à casa-mãe mas sempre em concorrência com candidatos de outras origens, incluindo doutorados nacionais ou estrangeiros por universidades estrangeiras. No n.º 2, estipularia que essa proibição entrava em vigor dentro de 60 dias.
Como toda a gente sabe, a endogamia, isto é, a autoperpetuação na docência de uma mesma linhagem catedrática é dos factores mais contrários à melhoria da qualidade científica da nossa universidade. A endogamia instala um espírito de corte, premeia a bajulação, é adversa à integridade científica e à lisura de carácter na transmissão do saber e na produção de novos conhecimentos. A endogamia fractura a universidade em torno de inúmeros feudos. Em tal ambiente sobem os mais astutos na exploração dos ritos de corte e das fraquezas humanas, até familiares, dos chefes de linhagem.
Também há, felizmente, cátedras e departamentos imunes a essas perversões e onde o respeito pela integridade científica é regra de vida. Mas as situações opostas são tantas que só o laxismo pode vê-las como excepções sem influência no rebaixamento da qualidade da nossa universidade.
A beleza da reforma proposta está tanto na sua excepcional eficácia como na simplicidade da sua realização. Faz-se em minutos e não custa um tostão ao Estado. Mas exige o enfrentamento de contestações e resistências imensamente virulentas. Vale a pena em dez anos quase tudo seria diferente. A autoperpetuação das mesmas linhagens catedráticas é o coração do pior dos corporativismos reinantes na nossa universidade pública.
Publicado por: Vitorino Ramos em novembro 15, 2005 03:59 PM
O Vitorino acertou na mouche!
"Seria ingénuo esperar que certas rupturas necessárias possam vir a ser protagonizadas entusiasticamente por aqueles cujo status e cujo poder interno mais diminuiria, caso se realizassem"...
É precisamente aí que residem os obstáculos à mudança. O mesmo se passa com a hipotética reforma da Administração Pública. Criaram-se concursos públicos para os cargos de chefia, mas os candidatos vão ser avaliados por quem?! Precisamente por quem chegou ao topo através deste sistema anquilosado onde se premiou a mediocridade!
Comungo igualmente da admiração pelo artigo de João Cravinho. A partir dali pode-se traçar um diagnóstico de todo este 'aparelhismo' de capelinhas...
A propósito de artigos, Prado Coelho, também escreveu um óptimo há dias, no Público: "Precisa-se de matéria-prima para construir um País". (não posso deixar a hiperligação, pois a leitura do artigo está condicionada a pagamento... em todo o caso conto disponibilizá-lo no meu blogue...)
Publicado por: FBR em novembro 16, 2005 03:18 PM
Nunca percebi a lógica da angariação de docentes na universidade em que me licenciei. Os meus colegas de curso convidados para monitores (um deles sei que é agora assistente) não eram os melhores alunos; não eram os mais inteligentes; não tinham, de todo!, sentido de humor; a flexibilidade desceu-lhes toda abaixo da 5ª cervical; penteavam-se em excesso e criavam paradigmas e silogismos 'manhosos' do género:"Beltrano lê jornais, é um tipo informado"; "a Maria é gira, é porque tem uma inteligência viva"; "o Manuel é pouco consistente, às vezes isso dá 'um bom jogo de rins às pessoas"...
Não os invejo... vivem com mais 'cagaços' do que eu!
Um abraço,
Francisco Nunes
Publicado por: Planície Heróica em novembro 18, 2005 12:19 AM
Numa faculdade da Universidade do Porto na qual trabalho existe um elevado número de docentes em excesso. Este número cresceu muito nos últimos anos por via da diminuição de alunos. Ao mesmo tempo, existem mais de 40 assistentes convidados que não terminaram as suas teses de doutoramento. Como cada assistente convidado tem que dar 12 horas de aulas por semana...
Embora nunca tenha visto ou ouvido o que passo a relatar, parece que a Presidente do Conselho Directivo terá assegurado que nenhum assistente convidado com mais de 50 anos será dispensado. Estamos a falar de pessoas que se arrastam pelos corredores da faculdade e que, na maioria dos casos, com algumas honrosas excepções, são medíocres no plano científico. Alguns deles reformam-se até como assistentes estagiários... Portanto, o critério científico deu lugar ao critério geriático, a meritocracia cedeu ao compadrio. Como tal, não é somente no ensino superior politécnico que isto acontece. O ensino universitário tem também os seus rabos de palha.
Publicado por: PJ em novembro 22, 2005 10:53 AM
Obrigado pela frontalidade.
Apenas uma crítica à generalização cega que é feita ("é assim que as coisas funcionam no ensino politécnico, caros leitores."). Conheço vários exemplos de instituições onde isto não é assim.
Por outro lado, conheço instituições universitárias onde isto acontece. Infelizmente.
É minha opinião que isto depende mais das pessoas que no momento estão a decidir do que dos departamentos ou faculdades.
Publicado por: Sérgio Nunes em novembro 22, 2005 01:11 PM
Apesar de concordar e considerar que o meio universitário é profícuo nestas situações, deixo algumas questões para apimentar o debate:
1 - A assunção de que há muitos docentes jovens cientificamente mais preparados que os mais antigos é baseada em quê? Publicações? Ou qualidade de ensino (quem a mede?)
2 - Serão estes jovens docentes mais expeditos na sua qualidade por estarem numa situação muito precária enquanto os ""efectivos"" estão ""seguros""?
3 - Tornar-se-ão mais desleixados se passarem a pertencer a este ""sistema"" (R: Eu acho que sim!)
4 - Será este um mal da Universidade ou da sociedade em geral (R: Nem é preciso responder)
"Foram nove semestres de docência (...) A ingenuidade não ajuda ninguém neste mundo. Muito menos em Portugal, país pequeno e periférico onde a mesquinhez, o corporativismo e mediocridade ainda reinam impunemente"
Comentário: Em 9 semestres (4,5 anos) já teve tempo para tomar uma posição. Não tomou. Tomou agora quando saiu... Deu jeito ter lá estado? Sim, porque a ingenuidade já deve ter sido perdida há muito. Porém, só se desabafa quando se deixa de pertencer ao sistema, não é?
Publicado por: Joker em novembro 22, 2005 06:13 PM
PJ e Sergio Nunes, as minhas palavras talvez tenham sido mal escolhidas. Nas universidades acontecem coisas tão más ou piores. E nem todos os docentes do politécnico são contratados por telefone. Mas acontece. Por outro lado, na universidade que conheço melhor (o IST), sei que existem concursos públicos, mas também sei como são preenchidas as vagas. Há sempre uma disciplina de opção, feita na licenciatura, que justifica a contratação do docente "da casa" em detrimento de outros com melhor curriculum.
Joker:
1 - As publicações podem medir o mérito científico, mas não o pedagógico (embora não sejam completamente dissociáveis). É difícil medir a a qualidade de ensino. Mas quando um docente começa um semestre com quarenta alunos na sala de aula e acaba com dois ou três, algo está errado.
2 - Talvez (mas atenção, eu nunca disse que os "jovens" são melhores do que os "velhos". Apenas constesto a selecção em função da idade, a qual tem prejudicado os mais novos).
3 - Nem todos. Porque, como disse, tive colegas "dentro do sistema" que foram, para mim, uma referência.
4 - (não vou responder)
Comentário ao comentário: ou não percebeu bem o texto, ou eu não expliquei correctamente a situação. Eu não tomei uma atitude agora. Tomei uma atitude há um ano e meio quando comecei a tratar da minha saída da escola. Mudei de rumo. E, como disse no texto, comuniquei a minha saída há cerca de um ano. Nessa altura, cedi a todas as pressões para ficar, é verdade. No entanto, deixei a dedicação exclusiva para ficar apenas a tempo parcial (30%). Talvez tenha sido fraco ao não abandonar definitivamente a escola. Reconheço isso. Mas quando até o orientador nos diz para lá ficar, pelo menos um semestre, até percebermos se o doutoramento não é prejudicado, o que fazer?
E não, não me deu jeito ter lá estado (tirando o facto de ter aprendido a dar aulas). Vejo isso agora. Podia estar um pouco mais adiantado no processo académico. Mas quando aceitei o lugar perdi a bolsa, atrasei dois ou três meses a conclusão do mestrado (embora tenha sido concluído dentro do prazo estipulado pela universidade) e tive que ser pragmático durante algum tempo. Mas ao fim de três anos a paciência esgotou-se. Não, a posição não foi tomada agora!
(uma última nota: de acordo com os critérios que têm sido estabelecidos e dos quais tenho tido conhecimento, eu talvez tivesse o meu lugar seguro durante algum tempo, caso não tivesse seguido outro caminho...)
Publicado por: CMF em novembro 22, 2005 07:27 PM
Não estou a negar-lhe a razão mas 3 anos (6 sem.) a submeter-se...é muito tempo! Ainda que acredite perfeitamente que a sua crença no ensino tenha ajudado a sua demanda do ensino pois acho que um docente não basta querer ensinar:
1- tem que gostar
2 - saber que esse gosto vai ser superior à posição de "free-rider" que poderá adoptar quando estiver "seguro" e
3 - ter condições para saber q o seu esforço e recompensado.
Não deixe de acreditar, isso é que é o importante!
Publicado por: Joker em novembro 22, 2005 07:43 PM
Talvez tenha sido isso que aconteceu, Joker: deixar de acreditar. Quando comecei a sentir a tentação do desleixo, ao ver que, à minha volta, os méritos não eram tidos em conta, e o esforço na valorização pessoal não era apoiado, percebi que era altura de mudar. Ser mais um fantasma naqueles corredores, nunca.
E os três anos têm uma justificação. Um pouco mais de um ano entre a entrada e a discussão da tese de mestrado, e depois, durante algum tempo, a crença de que poderia continuar os meus estudos mesmo estando na escola. Chegou uma altura em que percebi que tal era impossível, por razões também um pouco estranhas. (Mas isso dava para outro texto.) Essas razões, aliadas à insatisfação com a conduta de alguns docentes, com a qualidade da escola e com as regras distorcidas (a tal história de assistentes a dar aulas teóricas, por exemplo) levaram-me a tomar uma decisão (difícil, muito difícil, e penalizadora em termos financeiros; mas, por outro lado, pude voltar a respirar de novo, e a sentir um ânimo que há muito não conhecia).
Mas eu tomei essa decisão. Os meus colegas que estão a ser dispensados não. E é isso que me deixa irritado cada vez que tomo conhecimento dos novos desenvolvimentos do processo. Porque conheço alguns dos que saem, e alguns dos que ficam...
Publicado por: CMF em novembro 22, 2005 08:15 PM
Ah, e os três anos não foram tão maus como podiam ter sido. Recordo que mudei de área científica (dentro do mesmo departamento) e acabei a trabalhar com pessoas que muito prezo (a situação descrita foi muito má,desgastante, mas acabou por se revelar benéfica). São as tais pessoas que durante algum tempo me fizeram crer que valia a pena (e uma delas parece que também está a tratar da sua saída). Mas meia de dúzia docentes não fazem um departamento, muito menos uma escola.
Publicado por: CMF em novembro 22, 2005 08:19 PM
A situação do Carlos não, infelizmente única - são cerca de 70 ETI's que vão ser dispensados da EST-Setúbal até Setembro de 2007, e a sangria já começou! E os critérios nem sempre são conhecidos - no caso dele foram "minimização de impactos sociais", noutros departamentos nada é dito. Ou seja, é o critério dos "filhos" e dos "enteados" que reina na EST-Setúbal. O que eu acho estranho é como é que uma Escola se deixa ficar na situação de deixar um terço dos seus docentes sem emprego e sem subsídio de desemprego, muitos a única profissão que tiveram foi dar aulas. Não percebo como há departamentos que continuam a renovar contratos a assistentes (sem mestrado) enquanto que outros já estão a dispensar Mestres? Será que o Presidente da escola não via o que se passava? No mínimo, o Presidente do C.D. devia apresentar a demissão por manifesta e pública incompetência! Aliás, os responsáveis do Ensino Politécnico deveria fazer o mesmo, e pelas mesmas razões. Quiseram "brincar" às Universidades, e como era óbvio, perderam! E o pior de tudo é que tinham um “nicho” de mercado e deram cabo dele – faziam bons técnicos e agora dão continuidade à desgraça que o ensino secundário produz, colocando no mercado “engenheiros”... Basta ver quantos docentes têm lá os seus filhos a estudar!
Publicado por: EX em novembro 22, 2005 08:22 PM
Conheço um docente da EST de setúbal que me contou que em certos departamentos há docentes com sobrecarga horária para que outros terminem os seus doutoramentos (e às vezes, de uma forma não assumida, para que alguns terminem mestrados). As regras de dispensa de dar aulas não são muito claras (regras internas da escola) e os candidatos não têm acesso às classificações (que supostamente existem mas que ninguém conhece) dos outros colegas, nem podem contestar a decisão. Agora que C.D. acordou, vão dispensar aqueles que foram sobrecarregados de aulas (às vezes 16h/semana e com horários das 8h30 às 23h30, como foi o caso do meu amigo) e com três ou mais disciplinas distintas - foram os "escravos"! Como é que podem exigir que terminem os seus doutoramentos nos mesmos prazos dos outros? Agora que já não são necessários são dispensados! Com este esvaziamento de docentes, o que vai acontecer é o aumento de número de alunos por turma e baixar ainda mais o nível das avaliações para aumentar o sucesso escolar - contou-me casos de exames escritos no quadro da sala e com taxas de aprovação superiores a 90%!!! Mas há algumas coisas boas, por exemplo, tendencialmente irão acabar as turmas ficticias que serviam para compôr o horário de alguns docentes e responsáveis por diciplinas passarão a leccionar as respectivas disciplinas.
Publicado por: amigo de um em novembro 23, 2005 12:14 AM
Qdo estudei tb vi de tudo... assistentes que não tinham conhecimentos básicos que se aprendem no secundário... enfim... não vale a pena entrar por aí...
Na minha Faculdade tiveram a iniciativa de fazer circular inquéritos entre os alunos, no final de cada semestre, para avaliar o docente e a cadeira, achei uma ideia fantástica, finalmente os docentes iriam ser avaliados... não faço ideia que tipo de consequencias teve o mesmo se teve algum impacto, mas é uma excelente ideia!
Publicado por: baunilha em novembro 23, 2005 12:08 PM
Bom, como docente no ensino politécnico sinto-me obrigado a dizer algo sobre o que li e sobre os respectivos comentários.
Também no instituto onde lecciono estão, e vão continuar a dispensar pessoas. Quais os critérios? Ser Equiparado a assistente e pronto. Sei que a direcção da minha escola está a fazer todos os esforços para que sejam os mais inadequados (os tais que existem em todo o lado e que...bom não interessa). O que me chateia, no meio disto tudo, é ver os docentes do quadro (salvo honrosas excepções) a borrifarem-se para isto, pois sabem que façam o que façam, ou seja, nada (salvo as honrosas excepções) irão continuar a receber o seu ordenado no final do mês, enquanto alguns docentes que estão como equiparados e que têm paixão e mostram a mesma em tudo o que fazem, seja nas salas de aula, seja nos projectos onde estão envolvidos, seja nos grupos de trabalho a que pertencem ("estranhamente" os grupos de trabalho são compostos maioritariamente por equiparados) correm o sério risco de não verem o seu contrato renovado e ainda por cima sem direito a subsídio de desemprego (uma inconstitucionalidade).
Outra coisa que li num comentário foi que os politécnicos quiseram brincar às universidades. Bom, a minha visão é um pouco diferente. Os politécnicos foram obrigados a brincar às universidades. Eu opus-me a dar licenciaturas, pois achei, como se veio a provar, que iriamos deixar de formar bons bacharéis para passar a formar "maus" licenciados. No entanto, senão tivessemos passado a dar licenciaturas, a crise tinha chegado mais cedo. Adiámos o inevitável. Penso, no entanto, que o ensino politécnico tem futuro se os nossos governantes assim o quiserem, pois precisamos de técnicos qualificados, pessoal pronto para entrar rapidamente no mundo do trabalho, sem toda aquela componente teórica que existe no universidade, ou seja, na minha opinião deveríamos voltar atrás e voltar aos bacharelatos. Mas agora que já nos habituamos a ser "importantes" a dar licenciaturas, a sermos "parecidos" com as universidades, dizer isto é uma heresia. Temos que continuar a formar licenciados e pensar mas é, em formar também mestres e doutores. Na minha opinião, já temos "Senhores Engenheiros" e "Senhores Doutores" a mais. Precisamos de pessoas práticas. Mas isso sou eu a delirar, pois neste mundo todos querem ser Doutores e Engenheiros. Aliás, se há coisa que me arrependo foi o de não ter chamado à minha filha Doutora (em vez pus-lhe um desses nomes vulgares) assim já tinha a vida feita logo desde a infância. Mas pode ser que ainda venha a ter outro filho.
Publicado por: Docente do Politecnico em novembro 25, 2005 06:00 PM
Carissimo professor
sou estudante da EST-SETUBAL, e por acaso o professor Carlos fernandes ja me lecionou duas cadeiras, assim como outros professores, que estao numa situaçao bem parecida..(dispensados ou quase..)O que como aluno posso dizer, como minha opiniao, e tambem de 99,9% dos meus colegas, é que embora estes professores sejam realmente novos e proporcionalmente com menos expriencia, nao significa isso que nao sejam melhores professores em todos os aspectos, muito pelo contrario...na minha opiniao, tanto o Professor carlos fernandes assim como por exemplo o Prof ... o Prof ... e o Prof...(professores estes sim que demosntram dedicaçao, apreço, disponibilidade,competencia, e gosto em ajudar os alunos), estao a um passo á frente dos outros professores mais antigos, nao por nenhuma razao em especial, mas talvez porque a escola ja foi outra, e pedagogicamente pensam de outra maneira..nao digo que nao se encontre la pelo depatrtamento do DSI, um ou outro professor mais antigo que nao seja um exemplo..claro que o há, mas infelizmente é mesmo so para confirmar que a excepçao confirma a regra...
Li no texto inicial, varias coisas que os alunos comentam todos os dias, e nao é novidade para nós mas infelizmente, é para quem nao esta dentro da EST... Estou a falar do Departamento do DSI, mas ainda ha casos mais graves na escola em outros departamentos...acho que me faço entender...
Mas quando falamos com pessoas externas á escola de como as coisas funcionam ali, ninguem acredita, e dizem que se fala desta maneira porque nao gostamos do professor ou por esta ou aquela razao,o que nao tem nada a ver...antes fosse...
Depois destes texto, a unica coisa que me custou foi nao referir nomes, pois gostava de poder referenciar tanto os bons como os maus da fita...era muito facil,mas pelo menos desta vez vai ficar por aqui..
Fica aqui uma palavra de apreço para o prof.
Espero que corra tudo bem pela sua vida académica futura..
Um abraço
Publicado por: escalhabardo em julho 11, 2006 08:15 PM
Carissimo professor
sou estudante da EST-SETUBAL, e por acaso o professor Carlos fernandes ja me lecionou duas cadeiras, assim como outros professores, que estao numa situaçao bem parecida..(dispensados ou quase..)O que como aluno posso dizer, como minha opiniao, e tambem de 99,9% dos meus colegas, é que embora estes professores sejam realmente novos e proporcionalmente com menos expriencia, nao significa isso que nao sejam melhores professores em todos os aspectos, muito pelo contrario...na minha opiniao, tanto o Professor carlos fernandes assim como por exemplo o Prof ... o Prof ... e o Prof...(professores estes sim que demosntram dedicaçao, apreço, disponibilidade,competencia, e gosto em ajudar os alunos), estao a um passo á frente dos outros professores mais antigos, nao por nenhuma razao em especial, mas talvez porque a escola ja foi outra, e pedagogicamente pensam de outra maneira..nao digo que nao se encontre la pelo depatrtamento do DSI, um ou outro professor mais antigo que nao seja um exemplo..claro que o há, mas infelizmente é mesmo so para confirmar que a excepçao confirma a regra...
Li no texto inicial, varias coisas que os alunos comentam todos os dias, e nao é novidade para nós mas infelizmente, é para quem nao esta dentro da EST... Estou a falar do Departamento do DSI, mas ainda ha casos mais graves na escola em outros departamentos...acho que me faço entender...
Mas quando falamos com pessoas externas á escola de como as coisas funcionam ali, ninguem acredita, e dizem que se fala desta maneira porque nao gostamos do professor ou por esta ou aquela razao,o que nao tem nada a ver...antes fosse...
Depois destes texto, a unica coisa que me custou foi nao referir nomes, pois gostava de poder referenciar tanto os bons como os maus da fita...era muito facil,mas pelo menos desta vez vai ficar por aqui..
Fica aqui uma palavra de apreço para o prof.
Espero que corra tudo bem pela sua vida académica futura..
Um abraço
Publicado por: escalhabardo em julho 11, 2006 08:15 PM
Um bem haja ao meu Professor e a todos os que estão a ler neste momento estas palavras.
Fiquei muito contente, quando terminei de ler o texto escrito pelo meu professor, por ler finalmente nalgum sítio as experiências boas e más, e de alguém que teve a coragem de descrever alguns dos “podres” que existem na Escola Superior de Tecnologia de Setúbal
Chamo-lhe coragem porque o termo “liberdade de expressão” não pode ser colocado onde queremos e quando sentimos vontade para não existirem retaliações…
Fico apenas muito triste por viver num sistema (que já foi antes descrito ) onde existem os tais “filhos” e “enteados”! E saber que esta pessoa foi uma grande valia para mim e todos os meus colegas como docente e foi considerado então dispensado por ser um dos tais “enteados”…
Este Homem não era um fantasma de corredores mas sim alguém que mostrou muita dedicação ao trabalho que desenvolveu enquanto lá esteve.
Sinto-me muito mal sim, quando me cruzo com os tais fantasmas de corredores, que bem se estão borrifando para tudo e todos…e é isso que me preocupa!
Vejo alguns docentes novos com muita qualidade saírem deste instituto, mais uma vez digo com muita pena minha…porque sei a quem fico entregue em alguns casos…entregue aos ditos fantasmas que no role deste filme como excelentes actores e não professores têm o futuro garantido…mais parece um filme de encontros do terceiro grau.
Sou um testemunho vivo do texto referenciado por esta pessoa.
Infelizmente, o tal sistema vagueia por todo o lado e ninguém o consegue combater.
Não conheci um único colega que nos comentários que fazemos todos os dias no meio de um cigarro e um café ;) que tão bem sabe em alturas de mais stress, dizer-me uma única palavra contra esta pessoa.
Sinto-me muito revoltado por viver num sistema cheio de “podridão” e mais ainda quando essa podridão está instituída na chefia…basta dizer que o CD está no altar e nada os vence.
Recordo-me de uma manifestação feita por nós estudantes à porta do nosso instituto e do olhar desprezante que o nosso Presidente fez quando entrou na escola…não somos vistos nem ouvidos por ninguém…não temos força neste País, não quero divagar muito mais por este assunto apenas referenciando e lembrando as últimas manifestações que existiram em Paris onde as manifestações estudantis fazem moça!!!Aí sim são ouvidos porque até os governos tremem.
De tanto nos querermos igualar aos outros, estaremos sempre 20 anos atrasados em relação à Europa.
Muito fica ainda por falar, e corrói-me o facto de não me poder identificar, porque se o fizesse de certo que mais cedo ou mais tarde ouviria da boca de alguém “enquanto eu cá estiver você nunca terminará o seu curso” há pessoas para tudo e muito mais.
Quero terminar este meu sentimento de expressão com uma enorme força para este professor e desejar-lhe as maiores felicidades para o seu futuro porque bem o merece pela pessoa que é.
Um forte abraço e força!!!!
Publicado por: revoltado em julho 11, 2006 08:34 PM
Um bem haja ao meu Professor e a todos os que estão a ler neste momento estas palavras.
Fiquei muito contente, quando terminei de ler o texto escrito pelo meu professor, por ler finalmente nalgum sítio as experiências boas e más, e de alguém que teve a coragem de descrever alguns dos “podres” que existem na Escola Superior de Tecnologia de Setúbal
Chamo-lhe coragem porque o termo “liberdade de expressão” não pode ser colocado onde queremos e quando sentimos vontade para não existirem retaliações…
Fico apenas muito triste por viver num sistema (que já foi antes descrito ) onde existem os tais “filhos” e “enteados”! E saber que esta pessoa foi uma grande valia para mim e todos os meus colegas como docente e foi considerado então dispensado por ser um dos tais “enteados”…
Este Homem não era um fantasma de corredores mas sim alguém que mostrou muita dedicação ao trabalho que desenvolveu enquanto lá esteve.
Sinto-me muito mal sim, quando me cruzo com os tais fantasmas de corredores, que bem se estão borrifando para tudo e todos…e é isso que me preocupa!
Vejo alguns docentes novos com muita qualidade saírem deste instituto, mais uma vez digo com muita pena minha…porque sei a quem fico entregue em alguns casos…entregue aos ditos fantasmas que no role deste filme como excelentes actores e não professores têm o futuro garantido…mais parece um filme de encontros do terceiro grau.
Sou um testemunho vivo do texto referenciado por esta pessoa.
Infelizmente, o tal sistema vagueia por todo o lado e ninguém o consegue combater.
Não conheci um único colega que nos comentários que fazemos todos os dias no meio de um cigarro e um café ;) que tão bem sabe em alturas de mais stress, dizer-me uma única palavra contra esta pessoa.
Sinto-me muito revoltado por viver num sistema cheio de “podridão” e mais ainda quando essa podridão está instituída na chefia…basta dizer que o CD está no altar e nada os vence.
Recordo-me de uma manifestação feita por nós estudantes à porta do nosso instituto e do olhar desprezante que o nosso Presidente fez quando entrou na escola…não somos vistos nem ouvidos por ninguém…não temos força neste País, não quero divagar muito mais por este assunto apenas referenciando e lembrando as últimas manifestações que existiram em Paris onde as manifestações estudantis fazem moça!!!Aí sim são ouvidos porque até os governos tremem.
De tanto nos querermos igualar aos outros, estaremos sempre 20 anos atrasados em relação à Europa.
Muito fica ainda por falar, e corrói-me o facto de não me poder identificar, porque se o fizesse de certo que mais cedo ou mais tarde ouviria da boca de alguém “enquanto eu cá estiver você nunca terminará o seu curso” há pessoas para tudo e muito mais.
Quero terminar este meu sentimento de expressão com uma enorme força para este professor e desejar-lhe as maiores felicidades para o seu futuro porque bem o merece pela pessoa que é.
Um forte abraço e força!!!!
Publicado por: revoltado em julho 11, 2006 08:35 PM
Um bem haja ao meu Professor e a todos os que estão a ler neste momento estas palavras.
Fiquei muito contente, quando terminei de ler o texto escrito pelo meu professor, por ler finalmente nalgum sítio as experiências boas e más, e de alguém que teve a coragem de descrever alguns dos “podres” que existem na Escola Superior de Tecnologia de Setúbal
Chamo-lhe coragem porque o termo “liberdade de expressão” não pode ser colocado onde queremos e quando sentimos vontade para não existirem retaliações…
Fico apenas muito triste por viver num sistema (que já foi antes descrito ) onde existem os tais “filhos” e “enteados”! E saber que esta pessoa foi uma grande valia para mim e todos os meus colegas como docente e foi considerado então dispensado por ser um dos tais “enteados”…
Este Homem não era um fantasma de corredores mas sim alguém que mostrou muita dedicação ao trabalho que desenvolveu enquanto lá esteve.
Sinto-me muito mal sim, quando me cruzo com os tais fantasmas de corredores, que bem se estão borrifando para tudo e todos…e é isso que me preocupa!
Vejo alguns docentes novos com muita qualidade saírem deste instituto, mais uma vez digo com muita pena minha…porque sei a quem fico entregue em alguns casos…entregue aos ditos fantasmas que no role deste filme como excelentes actores e não professores têm o futuro garantido…mais parece um filme de encontros do terceiro grau.
Sou um testemunho vivo do texto referenciado por esta pessoa.
Infelizmente, o tal sistema vagueia por todo o lado e ninguém o consegue combater.
Não conheci um único colega que nos comentários que fazemos todos os dias no meio de um cigarro e um café ;) que tão bem sabe em alturas de mais stress, dizer-me uma única palavra contra esta pessoa.
Sinto-me muito revoltado por viver num sistema cheio de “podridão” e mais ainda quando essa podridão está instituída na chefia…basta dizer que o CD está no altar e nada os vence.
Recordo-me de uma manifestação feita por nós estudantes à porta do nosso instituto e do olhar desprezante que o nosso Presidente fez quando entrou na escola…não somos vistos nem ouvidos por ninguém…não temos força neste País, não quero divagar muito mais por este assunto apenas referenciando e lembrando as últimas manifestações que existiram em Paris onde as manifestações estudantis fazem moça!!!Aí sim são ouvidos porque até os governos tremem.
De tanto nos querermos igualar aos outros, estaremos sempre 20 anos atrasados em relação à Europa.
Muito fica ainda por falar, e corrói-me o facto de não me poder identificar, porque se o fizesse de certo que mais cedo ou mais tarde ouviria da boca de alguém “enquanto eu cá estiver você nunca terminará o seu curso” há pessoas para tudo e muito mais.
Quero terminar este meu sentimento de expressão com uma enorme força para este professor e desejar-lhe as maiores felicidades para o seu futuro porque bem o merece pela pessoa que é.
Um forte abraço e força!!!!
Publicado por: revoltado em julho 11, 2006 08:37 PM
Caros alunos, só agora reparei nos vossos comentários. Felicidades para o futuro, académico e não só. A mim, as coisas correm-me bem, faço o que gosto, a produtividade tem sido boa, embora nesta fase decisiva da vida académica exista sempre um certo risco e ansiedade. Mas estou optimista. Talvez nos cruzemos no futuro, novamente.
Um abraço!
Publicado por: CMF em julho 11, 2006 09:45 PM