« Pequeno Roteiro de Berlim – As Cervejarias | Entrada | A Ideologia »

julho 02, 2005

Como vai o país

O Pedro, sempre atento, deixou-nos este texto fundamental. E assustador, pois após a sua leitura, é impossível afastar a sensação de que a PSP não teve um papel inocente neste triste episódio.
Entretanto, faleceu Emídio Guerreiro. Depois do luto nacional ter sido decretado duas vezes, recentemente, por uma freira com tiques fascistas, e por um homem que não gostava da democracia, este silêncio é estranho. Depois de vermos manifestações quase histéricas em torno de figuras que não se davam bem com a Liberdade, é difícil aceitar a calmaria que nos rodeia nestes dias, após a morte de um verdadeiro democrata. Mas esta situação talvez não seja assim tão bizarra, pois estamos a falar de um povo com um crónico problema de memória.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às julho 2, 2005 05:47 PM

Comentários

É muito estranho o silêncio à morte de Emídio Guerreiro.

Eu tentei compreender.
Vejamos:
As únicas figuras públicas que apareceram foram as ligadas à maçonaria. Ora seriam natural também que o PSD aparecesse. Mas o PSD. de hoje não é o PPD que ele formou. Para o PSD de hoje a moçanaria retomou o rótulo que teve no tempo de Salazar. Por isso não apareceram. Por outro lado os Socialistas que, politicamente estiveram mais próximos dele, também não lhes convinha agora lembrar aquela figura.
Bom isto é a minha análise. Mas lá que é muito estranho é. Ou será que este país já rumou tanto para a direita que se esquecem figuras como aquela? será o poder da igreja? mas nesse caso, como justificar o alarido à volta de Cunhal? Teremos um país dividido entre uma direita que santifica a (irmã) Lúcia, e uma esquerda que santifica Cunhal e o resto do país está amorfo? Isto será sinal de um perigo muito grande.

Publicado por: João Norte em julho 3, 2005 10:54 AM

Há ainda outra coisa, Carlos. Um democrata como Emídio Guerreiro, não quer dar nas vistas. Vive a sua vida e dá-nos a conhecer que podemos sempre contar com ele.

Um democrata é, na sua essencia, uma pessoa discreta.

Publicado por: André em julho 5, 2005 06:21 PM

Carlos,

A nota comum parece-me ter sido a contribuição da Televisão para a amplificação do fenómeno, nos casos de Lúcia e Cunhal e para o seu silenciamento, no caso de Emídio Guerreiro.

O papel da Televisão em Portugal é determinante para a socialização dos acontecimentos, porque muita gente, demasiada, não tem, não procura, outro meio meio de informação. Logo, é a Televisão que lhes dá vida e publicidade, mesmo se os deturpa, como amiúde sucede.

Só tem dimensão social o que passa na TV,na proporção da atenção que ela dedica aos acontecimentos. E daqui é difícil sair, ainda mais em sociedades culturalmente pouco exigentes.

Apesar do aumento de escolaridade geral não tem havido o correspondente progresso cultural da nossa sociedade. Parece mesmo coexistir muito bem uma maior escolaridade nominal com uma debilidade cultural equivalente ao muito antigo estado de atraso cultural do país, antes, no tempo da Ditadura, atribuído a uma espécie de analfabetismo atávico do povo português.

Afinal, o aumento da escolaridade pouco veio alterar o panorama, sobretudo porque o conteúdo do Ensino profundamente se degradou.

Como sair disto, no quadro de uma degradação económica, social, cultural e espiritual generalizada, como presentemente se vive em Portugal ?

Publicado por: António Viriato em julho 5, 2005 11:10 PM

Os comentários anteriores têm algumas palavras que faltavam a um texto breve e apressado. Obrigado.

Publicado por: CMF em julho 7, 2005 05:56 PM