abril 12, 2004

Já Há Pontes em Novi Sad

E os autores do blogue No Mundo já regressaram a Portugal. Vieram com a bagagem recheada de novas músicas, com o corpo um pouco mais anafado pela cozinha continental da Hungria e da Sérvia e com a mente enriquecida por novas memórias de viagem. Regressaram com a habitual falta de disposição para contactos sociais e com o receio, bem fundamentado pela lembrança de outros regressos, de reacções amargas às necessárias ocupações quotidianas e rotineiras (embora, no meu caso, felizmente, as ocupações sejam menos rotineiras do que aquelas que fazem parte da vida da maioria das pessoas). Das novas descobertas musicais e gastronómicas dar-vos-emos pormenores em próximos textos. De Miklós Paizs, músico, radialista e empregado no bar Castro, e da forma como o “Heiner Müller” de Adolfo Luxúria Canibal animou o éter de Budapeste na manhã de quinta-feira (depois de, há seis meses atrás, Carlos Paredes ter entretido durante uma hora os clientes do Castro), falar-vos-emos noutra oportunidade.

Hoje, gostaria de escrever algo sobre o comportamento dos portugueses nos aviões. Mas a irritação do regresso ainda não me permite ter a lucidez necessária para discernir aquilo que é preconceito daquilo que são factos. Poderia dar o flanco a alguns leitores e comentadores deste blogue, que muito prezo e, nalguns casos, conheço pessoalmente, que não entendem que um indivíduo pode não conseguir identificar-se com as bases culturais dos seus concidadãos. Deixarei os assuntos de comportamento para mais tarde.
Falar-vos-ei apenas de factos. Ontem, nas sempre cansativas viagens que envolvem mais do que um voo, passámos por três aeroportos: Ferihegy de Budapeste, Schiphol de Amsterdão e Portela de Lisboa. Nos três existem, naturalmente, os pequenos carros fundamentais para facilitar a vida daqueles cujas viagens se prolongam por mais do que um fim-de-semana, e cuja dimensão da bagagem reflecte a duração da estada. Mas, apenas num destes aeroportos o utente tem de pagar para poder transportar as suas malas de uma forma mais confortável. Querem tentar adivinhar a que aeroporto me refiro?
Para terminar, quero reparar uma injustiça cometida no último texto que escrevi antes de partir: os dados relativos aos espectáculos dos húngaros Muzsikás foram obtidos no fundamental e obrigatório Crónicas da Terra. E, para completar este processo de redenção, devo acrescentar que a audição do Waltz Romano da Earth-Wheel-Sky-Band, durante a redacção do texto Novi Sad, só foi possível porque, quando aquele disco me surgiu pela frente, recordei-me deste texto e não hesitei em trazer o CD para casa.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF em abril 12, 2004 08:50 PM | TrackBack
Comentários

Welcome back!!! (hum... já compreendi que a vontade de retomar o belo quotidiano português é pouca...) :) De qualquer modo... Welcome back!
Já estou ansioso por ouvir essas novas musiquinhas...
Têm de me contar tudo acerca da vossa odisseia... com o Peste e com o Buda, sempr'a rock'n'rollar...
Abraço. See you soon - I hope.

Afixado por: em abril 12, 2004 09:26 PM

Estou a ver que aproveitou bem a Páscoa. Bom regresso.

Ficarei à espera para ler como foram as férias e como são os sítios, os costumes e as pessoas que contactou e conheceu.

Afixado por: André em abril 13, 2004 11:17 AM


Olá Carlos, obrigado pela parte que me toca. obrigado também por documentarem com imagens e palavras as vossas viagens. Espero que não seja a última e já agora aproveito para vos lançar o desafio de irmos todos (No Mundo, Lua e quem mais quiser) ao festival de brass bands em Guca - na Sérvia.

abraço

LR

PS: e que discos são esses?


Afixado por: Yggdrasil em abril 13, 2004 11:46 AM

Se fossem só os carrinhos. Ainda num aeroporto estrangeiro, reconhecem-se à distância os portugueses. Através de um simples olhar de relance para uma fila de embarque em disposição browniana. Ainda que com headphones, o volume das conversas alheias invadem-nos a música. Em terra, núvens de fumo que ignoram os sinais de proibição no aeroporto. E já fora do desembarque, um cheirinho a verde ilegal, "imperceptível" ao policiamento (inexistente). Cheira a Lisboa :)

Afixado por: BMA em abril 13, 2004 12:03 PM

Um grande olá a todos
BMA, era disso mesmo que eu queria falar, e sei que não é apenas uma impressão exclusivamente minha.
Quanto às músicas e discos (e os sítios, os costumes e as pessoas, claro) falarei no próximo texto. Mas quero dizer que o festival de Guca veio comigo em dois CDs. E que, depois de Robert, o sérvio dono do Martha's Pub no centro de Novi Sad, nos descrever o delírio de Gucca, acrescentei mais um destino à minha lista de viagens de sonho. O convite está aceite, LR.

As imagens a preto e branco irão demorar algum tempo a surgir. Mas nesta viagem experimentei, pela primeira vez, as potencialidades de uma câmara digital. Não fiquei muito entusiasmado mas, mesmo assim, colocarei, na página de fotografia, com alguma frequência, as imagens menos desinteressantes da viagem à Hungria e Sérvia(já lá estão algumas).

Afixado por: CMF em abril 13, 2004 02:03 PM

que cds são esses, a compilação dupla editada pela editora alemã newtork, intitulada "golden brass summit"?

Afixado por: Yggdrasil em abril 13, 2004 06:12 PM

Não, não são esses. Vou tentar escrever alguma coisa sobre isso hoje, durante a noite. Mas parecem-me edições locais. Um deles tem mesmo muito pouca informação.

Afixado por: CMF em abril 13, 2004 10:02 PM
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