Madrid me mata. Este era o epíteto do panfleto de boas vindas à capital espanhola, quando, lá pelos finais dos anos oitenta do século passado, desembarquei, pela primeira vez na Atocha. Desde essa data que, nos anos sequentes, tive de voltar. E vi-me obrigada a mostrar “aquilo” a todos aqueles que me eram mais próximos. À vez, fui guiando aqueles que na altura achava que não poderiam crescer ao meu lado, se não conhecessem aquilo que durante muito tempo considerei ser a melhor descoberta que eu tinha feito. Cheguei ao ponto de interromper amizades sólidas pela incapacidade, que alguns amigos demonstraram, em compreender o que para mim era essencial. Durante quatro anos seguidos fui a Madrid, nem que fosse de passagem para paragens mais longínquas, para me refrescar, para viver, para me matar.
Foi em Madrid que nasceu o meu maior desígnio (a minha maior frustração).
Só no ano passado volvi a Madrid, ou seja, dez anos depois do feitiço. Não sei bem qual a razão de tanta distância temporal, mas desconfio intimamente que, depois de ter conhecido tantas outras magníficas cidades espanholas, tinha algum receio de destronar a minha mítica Madrid. E fui, e pareceu-me regressar a casa, ou ao sítio onde o meu coração bate com mais convicção.
Choro por ti, Madrid!
Maria João Reis Martins
Apesar de toda a emoção derramada no depoimento, bem escrito,reconheça-se,permita-me a franqueza de lhe dizer que lhe faltou expressar os motivos de tão exaltada paixão, que dura, pelo visto ou pelo lido, há mais de dez anos e que, agora, os fanáticos, da ETA ou do integrismo islâmico, tristemente essas memórias acordaram.
Afixado por: António Viriato em março 14, 2004 12:23 AMAntónio Viriato,
neste momento só me foi possível enaltecer Espanha através mas minhas memórias. Como todos, estou desolada pelas razões óbvias e pelas mais pessoais. Não é hoje que vou falar dos "motivos da minha exaltada paixão". Lamento.
Ficamos ansiosamente à espera das suas palavras adiadas, cara MJM.
Afixado por: Zé Armindo em março 20, 2004 01:17 PMFique descansado Zé Armindo: lá chegaremos.
Afixado por: MJM em março 31, 2004 08:49 PMDeve ter sido mais que "um amor à primeira vista" e menos que uma Paixão, esperamos ansiosamente por tais encantos reveladores.
Afixado por: Curioso em junho 22, 2004 10:08 PM