O João comentou o meu último texto no seu blogue. Antes de dizer algumas palavras sobre esse comentário queria deixar claro que os prefixos pró- e anti- não se coadunam muito com a minha forma de pensar. Por isso, vou tentar evitar posições e opiniões excessivamente firmes. (João Miranda e outros colegas da blogosfera, atenção: por indicação da especialista da casa (MJM) e após confirmação em dois dicionários constatei que anti- só mantém o hífen quando o elemento seguinte começa por h, i, r ou s)
O que eu quis salientar, com o meu último texto, era a aparente incoerência entre a última sentença de Pretextos não são causas e as anteriores, perante a aparente tentativa do João as classificar como equivalentes. Se as armas forem descobertas as frases passam a fazer parte do mesmo conjunto e o pretexto, e não a causa, para a guerra está encontrado. Eu entendo isso. Eu nunca cairia no erro de fazer uma caricatura das razões da guerra, que acredito serem muito mais complexas.
Mas quando o João escreve, dando de barato que "se criou uma razão artificial", o que está por provar, sabe que não compete a quem classificou a razão com tal adjectivo a tarefa de provar o que diz. Não é só em ciência que afirmações extraordinárias requerem provas extraordinárias. O João sabe que seria muito desonesto da parte de quem defendeu uma teoria demitir-se da sua obrigação de a (tentar) demonstrar, e exigir, aos mais cépticos, uma prova refutadora. E isso nada tem a ver com as verdadeiras causas ou os aparentes pretextos para a guerra. Nem com a definição e discussão de posições ideológicas, pragmáticas ou morais. Tem a ver com a dignidade e seriedade do debate.
Carlos Miguel Fernandes