O João Miranda publicou um texto com uma pequena subtileza argumentativa, a qual gostaria de debater. Enquanto o ataque a Pearl Harbor ou a morte do Arquiduque são factos históricos, acontecimentos que ninguém, até hoje, se atreveu a contestar (talvez um dia o antiamericanismo mais delirante possa duvidar do ataque japonês, mas a discussão ainda não atingiu tais níveis de demência), a teoria que defendia a existência de armas de destruição em massa no Iraque pertence, cada vez mais e a cada dia que passa, ao domínio da fantasia ou da mentira. Ou seja, na carência de um pretexto, criou-se uma razão artificial. Não acredito que seja historicamente inédito, mas talvez seja democraticamente saudável não aceitarmos esta manipulação de uma forma tão leviana. Recordam-se das GAL e da “guerra suja” contra a ETA? Os seus membros não foram julgados e condenados, apesar de lhes ter sido confiada, apenas, a nobre tarefa de combater o terrorismo?
Carlos Miguel Fernandes