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fevereiro 15, 2004

Pretextos, Causas e Mentiras III

No dia 29 de Agosto de 1995, os aviões da NATO bombardearam as tropas sérvias instaladas em redor de Sarajevo. No dia anterior, um violento ataque ao mercado de Markale, em Sarajevo, que causou quarenta e um mortos e oitenta e quatro feridos, dera o mote para a intervenção aliada no conflito. Segundo o livro O Vírus Balcânico, de Stevan Niksic e Pedro Caldeira Rodrigues, a autoria de tal atrocidade não pode ser atribuída ao exército sérvio, conquanto os verdadeiros responsáveis nunca deverão ser encontrados. Se for verdade o que os autores escreveram, e agradeço informações mais completas e actualizadas, a guerra contra os sérvios da Bósnia iniciou-se sob um falso pretexto.

Falemos agora das causas. Antes da intensificação das divergências entre as três forças envolvidas na última guerra dos Balcãs, uma reunião entre os seus líderes visava um acordo entre as partes, com o objectivo de evitar o que se previa que viesse a acontecer, e que veio realmente a acontecer. Promovida pela União Europeia em Março de 1992, com especial contribuição e empenho de José Cutleiro, a reunião parecia ter cumprido os seus objectivos ao garantir um compromisso de paz dos três líderes políticos e a implementação de um plano que pretendia dividir o território em três parcelas governadas pelas forças envolvidas. Após o encontro, representantes norte-americanos, que nunca viram com bons olhos a divisão do país, pressionaram Alija Izetbegovic, chefe das aspirações dos bósnios muçulmanos, para não cumprir a sua parte no acordo. Três anos de guerra foram a consequência de tais opções políticas. Durante esses três anos outros planos de paz foram propostos, e todos foram boicotados pelos EUA, com base nos mesmos pressupostos. Hoje, na Bósnia-Herzegovina, uma paz nervosa é garantida por forças internacionais e o país, com uma governação bicéfala que resultou da aplicação dos acordos de Dayton, dificilmente superará, a curto prazo, ressentimentos naturais após um conflito fratricida. Os EUA, que sempre rejeitaram a divisão do país, que não aceitaram planos que poderiam ter evitado a guerra, foram os obreiros dos acordos de Dayton. De uma forma infame, saíram do conflito como salvadores, enquanto os europeus não se livram dos rótulos de incapacidade e falta de união.

Carlos Miguel Fernandes

Publicado por CMF às fevereiro 15, 2004 05:16 PM

Comentários

quero ter informacoes sobre os factores que contribuem para uma situacao de conflio a nivel mundial

Publicado por: doli em junho 26, 2004 08:00 PM